Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X11: Wake Up

estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Chegamos à metade da 4ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. e ao mesmo tempo à metade do arco L.M.D. e a série não poderia estar melhor. Mostrando inteligência em manipular as expectativas dos espectadores e um profundo respeito pela mitologia criada até agora, algo fortemente presente também no episódio anterior, os showrunners nos brindam com mais um capítulo fantástico que realmente mostra que, dentro de seu gênero, esta é uma série que merece a atenção de todos.

Em Wake Up, somos levados a acreditar que o ponto focal do episódio é o depoimento de Tremor que antecede sua assinatura do Acordo de Sokóvia e toda a trama de espionagem por trás com Coulson e Yo-Yo caindo na armadilha da cada vez mais maquiavélica Senadora Nadeer, somente para levarmos uma rasteira pela forma quase sorrateira como a verdadeira trama principal vai se apoderando da história toda, culminando com a revelação de que Radcliffe, não satisfeito em trair a S.H.I.E.L.D. uma vez, agora se bandeou para o lado da senadora, como forma de se proteger. O roteiro de Drew Z. Greenberg, em seu 8º trabalho para a série, é simplesmente de se tirar o chapéu pela forma orgânica como ele amarra cada uma das narrativas – inclusive a terceira, com o mistério sobre o comportamento de Mack, levando-nos a desconfiar dele como o segundo L.M.D. – e pelas sucessivas reviravoltas que apresenta sem qualquer solução de continuidade e, melhor ainda, sem dar impressão de que há muita informação para poucos minutos de projeção.

Afinal, dentro das grandes reviravoltas finais sobre Radcliffe fugindo para debaixo da asa de Nadeer e o fato de que ele fez um L.M.D. dele mesmo e que estávamos vendo sua versão androide já há algum tempo, há, claro, a angustiante, kafkiana e aterradora odisseia de Melinda May em sua própria mente, lutando contra o que descobrimos ser uma espécie de realidade virtual diabolicamente criada por Radcliffe e, depois, revivendo seu momento mais traumático no Bahrein, quando ganhou o apelido de Cavalaria (repararam como a mitologia criada pela série é continuamente usada a seu favor?). Toda a fuga dela de seu cárcere pela segunda vez seguida parece estranha desde o começo pela forma que a direção de Jesse Bochco nos conduz, mantendo o ponto-de-vista sempre em May, mas ficamos com aquela pequena esperança de que ela realmente conseguirá livrar-se dessa maldição e finalmente voltar para a S.H.I.E.L.D. somente para nos depararmos com o dolorosamente óbvio: tudo estava na mente da super-agente.

Essa pegada claustrofóbica e cheia de ação ganha paralelismo com a prisão em que a May L.M.D. também sente estar. Finalmente autoconsciente de sua condição não-humana, vemos uma androide lutando contra sua própria natureza. E, com isso, ganhamos uma magnífica performance dupla de Ming-Na Wein que alia suas acrobacias e excelentes coreografias de luta com um lado (ou dois) humano que nos faz sofrer igualmente por suas duas versões. Só nos resta agora torcer para ver duas Mays furiosas juntas chutando bundas muito em breve!

E é particularmente interessante notar que Aida – em suas duas versões -, a grande promessa de uma L.M.D. complexa, que poderia trazer diversas questões morais para o debate, fica em segundo plano, até agora como uma androide vilã sem muitas nuances. De forma também surpreendente, tudo o que esperávamos de Aida acontece de certa forma com May, mostrando que os showrunners sabem o que estão fazendo, já que a ligação emocional dos espectadores com May é infinitamente maior do que com Aida, mesmo considerando sua boa construção ao longo do primeiro arco e da ótima atuação de Mallory Jansen.

Mas as narrativas envolvendo Coulson, Talbot, Mace, Tremor, Yo-Yo e Mack também são envolventes de suas próprias maneiras. Mesmo que o lado da “espionagem” não seja muito mais do que uma repetição de situações passadas e carregada de clichês do gênero, ele funciona bem para avançar a trama maior que provavelmente será o objeto principal do terceiro arco da temporada. Além disso, é sempre bom ver Yo-Yo em ação, algo que, aliás, acontece de três formas em Wake Up. Primeiro, temos uma breve, mas merecida, cena de sexo entre ela e Mack, com direito a diálogos de duplo entendimento que aparentemente é o máximo que a Marvel consegue chegar perto de algo mais “explícito”. Depois, vemos a referida ação com Coulson, que acaba em desastre para a S.H.I.E.L.D. e triunfo para a senadora e, finalmente, um confronto entre Yo-Yo e Mack sobre seu passado escuso – e trágico – que, ainda que pareça um tanto quanto fora de contexto do episódio como um todo, acaba gerando boa química entre os dois e uma agradável história paralela de amor que não atrapalha realmente a série (se usada parcimoniosamente, claro).

Wake Up vem solidificar o arco L.M.D. de Agents of S.H.I.E.L.D. que já parece ser bem superior ao primeiro, Ghost Rider. Nada como ver uma série subestimada por muitos mostrando-se muito superior à média do que o gênero oferece por aí.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X11: Wake Up (EUA, 24 de janeiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Jesse Bochco
Roteiro: Drew Z. Greenberg
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.