Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X12: Hot Potato Soup

estrelas 3,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

O maior segredo do Universo Cinematográfico Marvel, que deixou milhões de fãs sem dormir direito durante mais de três anos e que gerou especulações mil, foi finalmente revelado em Hot Potato Soup: os Koenigs não são L.M.D.s! Tenho certeza que, agora, poderemos respirar em paz, tranquilos e serenos, não é mesmo?

Brincadeiras à parte, o episódio foi quase todo ele focado neste grande “ponto de interrogação” que existe desde que Eric Koenig, vivido pelo sempre simpático Patton Oswalt, foi apresentado em Providence, o 18º episódio da 1ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. O tom jocoso, como era de se esperar, permeia o roteiro de Craig Titley, já veterano na série e responsável por vários ótimos episódios, incluindo o memorável 4,722 Hours, e ele faz o melhor uso possível de pistas falsas, reviravoltas e referências que ampliam a “micro-mitologia” dos Koenigs, apresentando mais um irmão (são quatro gêmeos – ou clones? – agora) e, surpresa das surpresas, L.T. (Artemis Pebdani), a irmã mais velha e mais do que durona deles, além de uma agente extremamente dedicada da agência.

E a justificativa para todas essas brincadeiras e confusões, começando com citações clássicas da cultura pop por Sam e Billy sobre hover skates (ou seja lá qual for o nome daquele negócio…), passando pelo sensacional momento da revelação de que, dentro desse universo, existe uma riqueza de fan fiction sobre Tremor, algumas colocando-a como par romântico da Viúva Negra, e culminando pelo final digno de Agente 86 (estava esperando o “sapatofone”…) na biblioteca secreta dos agentes irmãos, se dá por que Coulson, por intermédio de May (a verdadeira), entregou o Darkhold para Billy, que é sequestrado pelo agentes do “Superior”. E toda essa construção – essa bagunça, diria – diverte e de certa forma funciona para quebrar o tom sombrio que toda a 4ª temporada vem tendo, especialmente neste segundo arco.

Por outro lado, a atenção dada aos Koenigs reduz drasticamente o impacto dos outros momentos importantes do episódio. A revelação de que May não é May e sim um androide foi soterrada debaixo dos demais eventos. Mesmo o tão esperado beijo entre ela e Coulson não funcionou de verdade. E, pior, a revelação de quem é o tal “Superior” foi completamente anti-climática, mesmo que seja muito bacana ter no elenco Zach McGowan, o violento capitão Charles Vane, de Black Sails (e eu sei que estarei me repetindo ao afirmar que se trata de uma das melhores séries atuais, mas vou repetir: Black Sails é uma das melhores séries hoje em andamento!).

Se o problema de ênfase da linha narrativa cômica em relação às dramáticas teve clara origem no roteiro, apesar do esforço de Titley, a direção de Nina Lopez-Corrado, que debuta na série, não ajudou. Seu trabalho nervoso, com sequências curtas entrelaçadas às vezes de forma confusa, acabou contribuindo para que o enfoque dramático fosse emudecido e tornado relativamente desimportante. Teria sido mais interessante, pelo menos na primeira metade do episódio, manter a narrativa estável em um aspecto da narrativa, caminhando para o desfecho apenas no momento cirúrgico necessário. Do jeito que ficou, o grande momento de May androide pareceu quase como uma sucessão de sequências inseridas no último momento, no afogadilho.

No entanto, o desequilíbrio do episódio não alterou o espírito da proposta dos showrunners para o arco L.M.D. que continua sólido e muito interessante. Não sei se gostei, porém, da revelação na sequência final que o Superior caça Coulson por considerá-lo responsável por todas as invasões alienígenas na Terra. Espero realmente que haja algo mais por trás disso, pois essa afirmação não faz nenhum sentido e chega a ser boba considerando o viés mais pesado que a série vem utilizando.

Por outro lado, foi de levantar sobrancelhas o momento em que Bobby e Hunter são mencionados novamente. Esquecidos ao longo de toda a temporada, será que seus nomes – e o envolvimento dos russos – pode significar que eles voltarão à equipe? Se depender de mim, tem o meu voto!

Hot Potato Soup foi um episódio estranho e certamente descompassado em relação aos demais do novo arco. Curiosamente, porém, é justamente o lado cômico que funciona bem, tão bem que faz com que todo o resto seja apenas isso mesmo, o resto. Faltou equilíbrio, mas pelo menos teremos ótimas noites de sono agora que conhecemos o mistério dos Koenigs…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X12: Hot Potato Soup (EUA, 31 de janeiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Nina Lopez-Corrado
Roteiro: Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, Zach McGowan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.