Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X13: BOOM

estrelas 3

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Será que eu me empolguei demais com L.M.D., o segundo arco desta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.? Será que comemorei muito cedo as indagações éticas e morais de se criar androides com sentimentos? Será que teremos outro arco competente, mas não espetacular como estava parecendo?

E com isso não quero dizer que BOOM foi ruim. Assim como o episódio anterior, houve um bom andamento da história, mas, também como em Hot Potato Soup, as narrativas se enrolaram e perderam o elã. De um lado tivemos a caçada a Radcliffe empreendida por Coulson e Mack na Espanha, que tentam recrutar Agnes Kitsworth, antiga namorada do cientista que está nos estágios finais de um tumor no cérebro, para montar uma armadilha. Do outro, o restante da equipe, liderada por Daisy e o diretor Mace, tiveram que lidar com um novo inumano criado a partir da terrigênese de Terrence Shockley, principal capanga do Superior, que ganha o poder de se explodir (seria ele a versão UCM do Nitro?).

Sem dúvida alguma, foi ótimo ver Mallory Jansen tendo a oportunidade de representar mais uma personagem, desta vez a humana que inspirou a aparência de Aida. Também foi interessante conhecer esse lado sentimental de Radcliffe e a lógica por trás de suas ações no passado. Mas faltou algo. Faltou vida no roteiro de Nora e Lila Zuckerman, responsáveis pelo ótimo Lockup. Não foi exatamente falta de ação, pois isso ficou com a outra parte do episódio, mas sim a criação de algo mais urgente e menos conveniente. Ainda que eu suspeite que Agnes foi com Radcliffe não para se salvar, mas sim para resgatar May da Matrix, digo, Framework, sua introdução, seu desenvolvimento e toda a ação encadeada a partir de sua localização pareceu-me o resultado de um brainstorming de último minuto entre as Zuckerman e os showrunners do tipo “precisamos de algo para preencher uns 20 minutos de episódio e vamos filmar em 10 minutos!” que acabou resultando em sequências bem filmadas, com filtros quentes que realçaram as cores e o “viver a vida” somente para as sombras aparecerem, junto com a morte, no laboratório de Radcliffe, mas nada além disso, nada realmente empolgante ou particularmente chamativo. Assim como o passado sobre o pai de Fitz levantado do nada no episódio anterior, aqui o passado de Rafcliffe com Agnes pareceu algo tirado da cartola.

Do lado do drama inumano, se alguém tinha dúvida que Zach McGowan era o “temido” Superior, ela foi enterrada aqui. Ele é mesmo o tal vilão com nome genérico que foi introduzido de maneira completamente anticlimática em Hot Potato Soup. E o mais irritante é que ele continua sendo tratado como um personagem qualquer, quase que como agentes da S.H.I.E.L.D. quaisquer que volta e meia aparecem do nada só para compor uma sequência. McGowan não disse ainda a que veio e ninguém em sã consciência consegue se importar com o vilão que ele vive.

E logo a vilã que vinha sendo bem desenvolvida, aquela que amávamos odiar, a Senadora Nadeer, é limada, sem cerimônias, da série. Se por um lado não vimos seu corpo e isso pode significar que ela voltará com alguma explicação do tipo “ela é uma inumana com poder de ressuscitar”, por outro preferiria que ela não tivesse morrido. Se ela voltar, será, francamente, ridículo. Mas, se ela não voltar, o eventual retorno de seu irmão perderá o impacto. Realmente não deu para entender a decisão dos showrunners aqui, a não ser que Parminder Nagra tenha tido que sair por alguma razão.

Quem acompanhou a crítica até aqui certamente não entenderá o porquê das estrelas acima, mas elas fazem sentido. Bem, fazem pelo menos para mim. A questão é que as sequências de ação com Shockley foram todas muito boas e com efeitos especiais muito bem inseridos, especialmente sua primeira regeneração. A luta contra Tremor também funcionou, assim como o sacrifício de Mace. As referências ao Capitão América e também à sequência final de Doutor Estranho costuraram bem a série com todo o Universo Cinematográfico Marvel e deram bom colorido às sequências. Além disso, apesar do ritmo alquebrado das linhas narrativas, a direção Billy Gierhart (que comandou o episódio inaugural da temporada, além de The Good Samaritan) mostra solidez, com ótimas composições de quadros, notadamente na rodovia em que Daisy luta contra Shockley e nas já citadas tomadas na Espanha.

Mas BOOM não faz jus ao que vínhamos sendo apresentados em L.M.D. Pela janela foi a história dos androides (sim, sei que Aida deve passar a questionar sua “existência”, pelo menos é o que indica quando se apropria do colar de Agnes, mas é muito pouco) e muitos elementos novos foram adicionados de forma corrida que começaram a embaçar a progressão narrativa. Shockley é um bom vilão – muito superior ao Superior (he, he, não resisti) -, mas ele sozinho não segura essa peteca. Se o arco voltar a focar em Radcliffe, Aida e May, ele provavelmente voltará aos eixos, mas não deixa de ser desapontador ver algo tão bom tornar-se apenas ok.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X13: BOOM (EUA, 07 de fevereiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: Nora Zuckerman, Lilla Zuckerman
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.