Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X14: The Man Behind the Shield

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estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Deixe-me primeiro dizer algo que está entalado em minha garganta: a razão por trás da obsessão do Superior com Phil Coulson é para lá de idiota… Até engoliria vingança pura e simples, mas essa de ele achar que Coulson está por trás de tudo de ruim no mundo é algo que estou até agora coçando a cabeça para entender, mesmo considerando o divertido flashback com May e Coulson em uma missão na União Soviética durante a Guerra Fria e que explica, em um retcon, a atração que eles sentem um pelo outro.

Mas vamos pular e esquecer isso, pois só queria mesmo desopilar o fígado. Afinal de contas, The Man Behind the Shield põe o arco L.M.D. de volta nos trilhos, depois de dois episódios que, se não são exatamente fracos, desviaram demais do foco principal, perdendo-se no processo. Basicamente, o episódio é uma grande missão de resgate em que a S.H.I.E.L.D. corre atrás do Superior para salvar o diretor Mace e May, o que acaba gerando uma narrativa cheia de ação que não economiza em novos cenários e até no uso de alguns extras para encorpar cada um dos lados do conflito.

Certamente faltou uma grande cena de pancadaria, com as já famosas coreografias da série. Além disso, mais uma vez perderam a oportunidade de colocar Daisy de volta em forma, com pleno controle de seus poderes, usando-os de verdade e não de forma tímida e simplista. Afinal, chegou a ser doloroso vê-la se defendendo com golpes de caratê contra as faquinhas do Superior, quando ela poderia ter literalmente derrubado a instalação toda sobre a cabeça dele. Sim, sei que a missão era de resgate e ela não podia sair derrubando tudo, mas o uso inteligente de seus poderes poderia torná-la um exército de uma mulher só, emulando a Cavalaria em sua mítica missão no Bahrain. Ou pelo menos poderiam tê-la usado estrategicamente, nem que fosse para abrir aquele buraco na parede da base do Superior que Mack abre com uma bazuca. São coisas assim que não dão para entender sobre o (des)uso de Daisy depois de ela ter mostrado vastos poderes em temporadas anteriores.

Mesmo com essa grande falha, que nada mais é do que a reiteração do tratamento que tremor vem recebendo nessa temporada inteira até agora, o fato de o roteiro de Matt Owens (de Let Me Stand Next to Your Fire) não ter poupado Mace, fazendo-o passar por efetiva tortura gráfica (ok, de leve, mas vocês entenderam o espírito), já merece comenda, assim como o incisivo diálogo de Mack com Fitz que funciona bem para derrubar psicologicamente o jovem cientista. Além disso, a presença discreta, mas absolutamente ameaçadora de Aida 2.0 como uma espécie de mastermind do plano de Radcliffe promete um desfecho no mínimo tenso para a personagem, isso se ela for mesmo derrotada ao final do arco, já que só falta um episódio agora.

Outro aspecto bem pensado do roteiro é emular, ainda que de forma menos ostensiva do que em Broken Promises, a auto-consciência quase metalinguística de que as linhas narrativas usadas no arco são retiradas de outras fontes. É sempre uma brincadeira que funciona. Citações aos “camisas vermelhas” de Star Trek e a Matrix dão o colorido que esse lúgubre episódio precisava, brevemente quebrando seu lado sombrio e labiríntico.

E isso nos leva, então, ao grande momento da reviravolta, algo que de certa forma era esperado por vários espectadores, mas, muito provavelmente não desta forma e não com a substituição de basicamente todo o elenco principal por LMDs novinhos em folha. Aqui, a direção de Wendey Stanzler foi precisa. Quebrando a ação na base do Superior em pequenas sequências embaralhadas, ele cria o senso de desnorteamento necessário para que, quando Simmons pausa para raciocinar sobre o que aconteceu, nós também paramos e acompanhamos seu raciocínio. Havia mesmo alguma coisa errada ali e a montagem propositalmente estranha ajuda nessa impressão, algo amplificado pelo confinamento do lugar, com discretas alterações na iluminação banhando o local, além de uma câmera que procura impedir que compreendamos exatamente o layout da base. São elementos que só realmente fazem sentido em retrospecto quando Simmons funciona como nossa guia e a decisão de não usar flashback para “refazer o caminho” mostra que os showrunners não mais querem tratar seu público como bobo enchendo os episódios de didatismo.

Com todo mundo menos Fitz e Simmons convertido em LMDs, May ainda no Framework, Radcliffe e Aida 2.0 em local incerto e não sabido e apenas um episódio pela frente, Agents of S.H.I.E.L.D. terá que cortar um dobrado para fechar as pontas soltas do arco. Mas The Man Behind the Shield restaurou minha fé na série mesmo que o preço para isso seja um encerramento excessivamente corrido.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X14: The Man Behind the Shield (EUA, 14 de fevereiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Wendey Stanzler
Roteiro: Matt Owens
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.