Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X15: Self Control

estrelas 5,0

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

[INSERIR, AQUI, MUITOS PALAVRÕES EFUSIVOS SEGUIDOS DE PONTOS DE EXCLAMAÇÃO EM EXAGERO E TODOS OS EMOJIS FESTIVOS QUE ESTIVEREM DISPONÍVEIS – AH, TAMBÉM ME IMAGINEM DANDO SOCOS NO AR E GRITANDO QUE  NEM UM FANBOY – VELHO – ENLOUQUECIDO.]

Que episódio foi esse gente? Que episódio foi esse???

Jed Whedon dirigiu e escreveu o fechamento do arco L.M.D. da 4ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. encerrando-o com chave de ouro e abrindo as portas para um potencialmente incrível terceiro arco já batizado de Agents of Hydra. Será que teremos uma história praticamente toda passada em uma realidade virtual paralela que simula a vitória da Hidra assim como The Man in the High Castle imagina um mundo em que o Eixo ganhou a 2ª Guerra?

Mas estou me adiantando. Deixe-me rebobinar o pensamento, peraí.

Ok, agora sim.

Em Self Control, Whedon faz em pouco menos de 45 minutos o que os três episódios anteriores do arco não conseguiram sequer se aproximar: impulsionar todas as narrativas simultaneamente de forma relevante, mudar completamente o status quo da série, realmente transformar o Superior em algo, bem… superior e, mais importante que tudo isso, finalmente focar os holofotes em Daisy sem que ela leve dois tapas e não consiga mais lutar. Claro que as peças que foram fazendo parte da engrenagem inventada pelos showrunners desde o primeiro episódio desta temporada eram necessárias para que chegássemos a esse ponto e é notável ver como tudo foi aproveitado, do Darkhold aos L.M.D.s, de May-androide ao relacionamento de sua versão original com Coulson, até a relação “Doutor Frankenstein” entre Radcliffe e Aida 2.0. Falando em May-androide, vale destacar o momento de sua traição que era previsível sim, mas que, em sua simplicidade, foi muito bem colocado aqui.

Self Control, porém, literalmente arrumou a casa, trabalho esse que já havia começado com o ainda falho episódio anterior. Se foi uma surpresa a troca dos protagonistas por versões robóticas, foi muito interessante a forma como Whedon manipulou nossa percepção, estabelecendo que, na verdade, Fitz era o quarto L.M.D. e não Daisy, algo que foi brilhantemente estabelecido em uma sequência brutal e de tirar o fôlego, que mostra como um trabalho de câmera bem feito consegue arrancar suspense de espaços confinados. Lógico que, aqui, o mérito vai especialmente para Iain De Caestecker e Elizabeth Henstridge que praticamente dominaram o capítulo com sua dinâmica estarrecedora e com mais uma vez a felicidade de seus personagens sendo ameaçada pela tragédia. Não há dupla mais interessante na série do que eles dois e sua relação simbiótica, mesmo quando um deles é um amável, mas traiçoeiro cientista-robô-malvado, não tem paralelo.

E, completando o conjunto, há Daisy finalmente sendo usada como deveria. Uma sobrevivente, uma hacker, uma líder e, acima de tudo, uma inumana poderosa. Sem ajuda de suas luvas e com muita garra, Chloe Bennet, que começou tão mal já na longínqua 1ª temporada, volta a ganhar seu espaço e a brilhar. Junto com o destaque dado a ela, voltam as coreografias de luta que tanto distinguem a série (e que nesta temporada só havia sido usada bem de verdade em Lockup) e bons efeitos especiais primordialmente para lidar com uma das manifestações de seus poderes que, aqui, despedaçam Mack-androide e arremessam Coulson-androide por uma porta de vidro em uma belíssima câmera lenta. É torcer para que Daisy continue recebendo atenção e que os vários androides da personagem sejam ameaças à altura e não meros manequins glorificados.

Mas essa reviravolta foi apenas a pontinha do iceberg. Ainda que fosse possível prever que alguma hora nossos heróis mergulhariam de cabeça na Matrix… digo Framework, ainda era uma dúvida se o objetivo era realmente encerrar de vez a narrativa dos L.M.D.s no arco ou continuá-la de alguma forma na terceira parte. E a melhor escolha foi feita, mas não da maneira óbvia. Whedon aproveitou para brincar de “universos paralelos”, ainda que tecnicamente o mundo virtual não seja um. Afinal, se isso é permitido em Doutor Estranho, porque não abraçar uma versão do conceito também na série já que os elementos místicos são, agora, parte integrante do Universo Cinematográfico Marvel e expressamente em Agents of S.H.I.E.L.D.?

E, com isso, temos Phil Coulson como professor de “intolerância aos inumanos”; Daisy achando que é Lincoln lá na cama, mas em breve descobrindo que é a “quarta versão” do ex-agente Grant Ward (será sensacional ver Brett Dalton de volta e já prevejo a reentrada definitiva dele na série como um L.M.D. fora do Framework); Jemma morta (será que a mente de Jemma, quando entrar no corpo digital, levará a um momento The Walking Dead ou Kill Bill, vol. 2?); Fitz tirando onda de milionário com uma acompanhante misteriosa (apostas?) e, claro, a cereja no bolo, May comandando não a S.H.I.E.L.D.,mas a Hidra. E tudo  isso vigiado pelo Superior ressuscitado como robô controlado por Bluetooth por sua cabeça e que finalmente parece que vai mostrar a que veio e uma Aida 2.0 assassina que continua em seu plano (pois agora é só seu mesmo, com o fim da versão física de Radcliffe) sem pestanejar e que parece incluir upgrades para ela própria (sei que é apenas um sonho, mas seria lindo ver Ultron entrando nessa equação alguma hora).

Ou seja, se Whedon jogar o jogo como promete que jogará nos sete episódios finais, a temporada promete ser épica, mesmo não tendo conseguido – até o episódio anterior – realmente mostrar algo espetacular. Uma mudança desse porte na estrutura da série pode não só estabelecer um grande terceiro ato, mas gerar ramificações para uma desejada 5ª temporada que poderia servir de porta de entrada para a série dos Inumanos, pois, não podemos esquecer, o misterioso inumano em tese imortal irmão da Senadora Nadeer continua lá no fundo do mar em estase…

Há muita coisa em jogo, sem dúvida, mas Agents of S.H.I.E.L.D. vem provando repetidas vezes que sabe aprender com seus erros e se renovar. Self Control é exemplo de audácia e técnica. Que venham mais episódios assim!

  • Agents of S.H.I.E.L.D. entrará em hiato novamente, retornando no dia 04 de abril de 2017 com o arco Agents of Hydra, cujo primeiro episódio será intitulado What If…, o que faz perfeito sentido narrativo, além de homenagear os 40 anos que a famosa série em quadrinhos O Que Aconteceria Se… completa em 2017.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X15: Self Control (EUA, 21 de fevereiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Jed Whedon
Roteiro: Jed Whedon
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.