Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X16: What If…

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estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Depois do espetacular encerramento do arco L.M.D. e de um irritante e desnecessário hiato, Agents of S.H.I.E.L.D. volta com força no episódio inaugural do terceiro e último arco da temporada, Agents of HYDRA, integralmente passado dentro do Framework, o mundo virtual “estilo Matrix” criado por Radcliffe, mas agora controlado por Aida. O artifício de realidades paralelas é, juntamente com viagem no tempo, o supra-sumo da ficção científica e, aqui, ainda que não seja efetivamente uma realidade paralela, os showrunners estabelecem uma nova ordem mundial, controlada pela Hidra, que pega emprestado de cenários típicos de Philip K. Dick como em sua obra The Man in the High Castle e, claro, das memoráveis e clássicas histórias O Que Aconteceria Se…, da própria Marvel Comics, cujo título em inglês é o do episódio e que não por coincidência faz 40 anos em 2017.

Com isso, o roteiro de DJ Doyle tem como objetivo servir de guia turístico por esse mundo dominado pela Hidra a partir da mudança de um momento importante no passado de May: a menina inumana que ela não consegue salvar no Bahrein sobrevive no Framework e catalisa eventos que colocam a entidade vilanesca no poder, em um estado absoluto e fascista, com a própria May entre as mais importantes agentes e Fitz como uma espécie de Dr. Mengele, além da própria Aida como Madame Hidra, a chefona.

É a partir dos pontos-de-vista de Daisy e Jemma, que foram lá para dentro ao final do episódio anterior, que aprendemos os detalhes do que aconteceu. Daisy sem poderes e agora “apenas” Skye é uma agente da Hidra que, surpresa, surpresa, namora Grant Ward (Brett Dalton, seja bem-vindo de volta!). Jemma, por outro lado, morreu. E, como cheguei a prever na crítica anterior, ela tem seu hilário momento The Walking Dead, saindo de sua cova rasa, com direito à maquiagem que a torna uma simpática zumbi britânica. Desnorteadas e tentando adaptar-se o mais rápido possível a essa nova realidade, as duas vão, aos trancos e barrancos desbravando uma Washington D.C. com um Triskelion no horizonte com o simpático logotipo da Hidra. É quase como começar de novo, com direito a “É um lugar mágico” para um Coulson que leciona a matéria “Ódio aos Inumanos” e não hesita em entregar subversivos e um Grant Ward sendo o que ele sempre foi, um traidor, só que, agora, do bem.

Por ter essa característica de recomeço, há uma certa economia nas sequências de ação e um razoável didatismo do roteiro a cada sequência, começando com Daisy descobrindo Ward em sua cama (aquela do gesto foi uma sacada genial e outro bom momento cômico), passando pela tortura de Vijay Nadeer (Manish Dayal) e sua revelação como infiltrado, até a interação de Jemma com Coulson na escola e a revelação da existência de uma Resistência. Mas é compreensível essa abordagem verbal no lugar de visual, algo que é suavizado pela direção sem invencionices de Oz Scott (muito experiente em televisão, mas novato na série) que preza mais bela cadência, segurando a câmera por mais tempo nos personagens e evitando elipses. Caso contrário, o bombardeio visual, se escolha fosse pelo frenesi infindável, poderia ter o condão de derrubar a efetividade de alguns momentos como as revelações sobre quem é o doutor (afinal, poderia ser Radcliffe, mas ainda bem que não foi) e da nova traição de Ward, elementos narrativos esses vistos com sobriedade por intermédio da fotografia acinzentada e sem cor que toma todo o episódio, obviamente refletindo esse mundo de cabeça para baixo que estamos desbravando.

Outra escolha inteligente foi focar em Daisy e Jemma, com os demais personagens sendo (re)introduzidos a partir delas à exceção de Coulson que ganha um momento prévio independente. Há uma demora demasiada na adaptação das duas a esse novo mundo, que poderia ser reduzida já que elas têm consciência que estão em um mundo virtual avesso à elas, mas compreendi isso como um artifício para justamente mastigar tudo ao espectador. Pelo menos não vemos Radcliffe, Mace e Mack, o que evita superlotação do episódio e, narrativamente, pode indicar que eles estão na Resistência. Obviamente, o breve momento ao final esculpido diligentemente para nos levar à revelação de Aida como Madame Hidra – até com cabelo verde! – foi a proverbial cereja no bolo, com Mallory Jensen vivendo um novo papel (o quarto já) e potencialmente seu melhor.

E, finalmente, diferente de outras séries que lidam com realidades paralelas por aí – cof, cof The Flash cof, cof – a resolução do problema não vem em apenas um episódio, com tudo voltando ao normal depois como se absolutamente nada tivesse acontecido. Em What If… há o cuidado de se impedir que o gadget que faria as heroínas voltarem para o mundo real funcionasse, garantindo mais tempo no Framework e sinalizando um trabalho mais cuidadoso para o fim da temporada.

O episódio de volta da série serviu para eficientemente montar o tabuleiro. São, agora, seis capítulos para Jed Whedon e companhia jogarem o jogo de suas vidas e mostrar que Agents of S.H.I.E.L.D. merece mesmo todos os elogios que vem recebendo.

Pensamentos aleatórios:

  • Onde estão Radcliffe e o diretor Mace?
  • E os Vingadores, serão referenciados?
  • Aquela escultura do símbolo da Hidra no saguão do Triskelion é sensacional. Eu quero ela para mim já!
  • Eu quero Grant Ward de volta à série de vez. Não interessa como. Arrumem um jeito!
  • Espero que fiquemos BEM mais tempo no Framework…
  • Madame Hidra, minha gente, MADAME FRACKING HIDRA!!!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X16: What If… (EUA, 04 de abril de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Oz Scott
Roteiro: DJ Doyle
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan, Brett Dalton, Manish Dayal
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.