Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X19: All the Madame’s Men

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estrelas 4

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Ah, esse elevador do Triskelion… Já  foi magistralmente usado em Capitão América: Soldado Invernal, ganhou uma homenagem direta em Agents of S.H.I.E.L.D. em Identity and Change e volta mais uma vez em All the Madame’s Men, marcando uma espécie de ponto de virada, com o retorno dos poderes de Daisy e o primeiro grande embate físico contra Madame Hidra, que é violentamente ejetada da base, sofrendo graves ferimentos virtuais. Não é, claro, a destruição do Triskelion que queríamos – e ainda queremos! -, mas funciona como o começo da revolução inspirada pelo ato heroico do Patriota.

Com isso, o episódio faz a série andar a passos largos, mas sem deixar de lidar mais profundamente com a relação de Fitz com seu pai Alistair (“Não estoure comigo, rapaz. Se eu quisesse você histérico a cada revés, eu o teria deixado com sua mãe.”) e também com a conturbada versão boazinha de Ward diante de uma ainda descrente Daisy. É a maneira como o roteiro de James C. Oliver e Sharla Oliver mescla ação com desenvolvimento que leva à mistura de sucesso aqui. Nada de só pancadaria, mas também nada de só conversa. Existe uma cadência inteligente ao longo de todos os quase 45 minutos  de projeção que conseguem lidar com todos os personagens ainda no Framework e dois do lado de fora.

Em termos de ação tradicional, o grande destaque fica mesmo com a fuga de May e Daisy do Triskelion com fotografia e coreografia que apropriadamente presta homenagem à famosa sequência do lobby em Matrix. Confesso que tive a mesma sensação da sequência de luta entre May e Mace no episódio anterior, em que a direção de Billy Gierhart perdeu a oportunidade de deixar mais tempo suas câmeras passearem pela sequência, valorizando a performance das duas em ação. De toda forma, porém, o clímax no elevador panorâmico compensou essa minha percepção pela frieza e violência explosiva do momento.

O restante da trama, que lida com a campanha televisiva liderada por Bakshi, como âncora de um telejornal, é um fascinante exercício de concisão dramática. Vemos a manipulação da mídia a todo vapor, mas dos dois lados, com Bakshi de um lado vitoriosamente deixando o povo contra as “rebeldes” May e Daisy e, de outro, Coulson fazendo as vezes de efetivo diretor da S.H.I.E.L.D. na falta de Mace e protagonizando um breve, mas emocionante momento no encerramento do episódio – e de seu discurso pré-gravado – quando ele se diz um agente e não apenas um professor que propaga as mentiras da Hidra. Belo momento e belo tema que não só é atual, como é uma direta referência ao clássico setentista Todos os Homens do Presidente, sobre o escândalo de Watergate, e que inspirou o título do episódio (e o filme ainda tem Robert Redford no elenco, o mesmo ator que vive o chefão da Hidra em Capitão América 2).

Outro aspecto importante é que o mundo real começa a ser reintroduzido na série. Vimos um lampejo disso em No Regrets que serviu para confirmar a morte de Mace e, agora, com a momentânea incapacitação de Madame Hidra, vemos Aida 2.0 sair do Framework e interagir com Anton Ivanov, na primeira vez em que o ex-Supremo aparece neste arco. Esse movimento do roteiro já nos prepara para seu fim – são apenas mais três episódios, afinal de contas – e provavelmente teremos cada vez mais foco no mundo real, invertendo a lógica do começo do arco, algo natural e esperado.

Falando em esperado, confirmou-se a suspeita de uma de nossas fieis leitoras (Stella, é você mesmo!) sobre a natureza exata do Framework, já que Jemma determina, olhando os planos roubados por Trip, que a Hidra faz uso do Darkhold ou de tecnologia criada a partir do livro para realizar a visão da Madame Hidra. Achei que os pulos de lógica de Jemma para concluir que Aida, na verdade, deseja usar a fusão de magia e tecnologia para criar um corpo humano para onde possa transplantar sua consciência um tanto quanto forçada e que podia ter ganhado mais detalhamento. De toda forma, agora sabemos de seu objetivo final e isso reforça a tese – também discutida em nossa seção de comentários de episódios anteriores – da possível “volta” de Ward e Trip à vida, além da própria Aida e da existência de uma versão Mengele de Fitz juntamente com sua versão “filhinho da mamãe”, o que pode engrossar o caldo para a desejada próxima temporada se a possível greve dos roteiristas de Hollywood não precipitar o cancelamento da série.

Algo que já estava claro antes, mas que ficou particularmente evidente aqui é a qualidade dos efeitos especiais. Agents of S.H.I.E.L.D. sempre foi econômica nesse quesito, mas grande parte do CGI usado foi muito bem empregado e em Agents of Hydra, isso é uma regra constante. Em All the Madame’s Men, a sequência no mar em que vemos as plataformas de extração de petróleo de Ivanov, assim como a base submarina, são bem detalhadas e reais, mesmo aparecendo por poucos segundos (ou talvez justamente em razão disso).

A quarta temporada caminha para um excelente final, com um arco que simplesmente não consegue errar de verdade. Mas, claro, se o Triskelion não for dizimado por Tremor, terei que  dar ZERO para a temporada…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X19: All the Madame’s Men (EUA, 25 de abril de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: James C. Oliver, Sharla Oliver
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan, Brett Dalton, Manish Dayal, B.J. Britt
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.