Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X20: Farewell, Cruel World!

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estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Independente do que aconteça nos dois próximos episódios, Agents of Hydra já é o melhor arco narrativo de toda a série até agora. Sim, há vários episódios sensacionais durante toda a série – ok, toda não, mas pelo menos a partir da segunda temporada -, mas raras foram as vezes em que o nível foi mantido altíssimo por tanto tempo. São, até agora, cinco episódios bem acima da média, com apenas um (No Regrets) que ameaçou escorregar um pouco, mas que se recuperou. E, pelo que fica estabelecido no final cliffhanger, nada me faz crer que o encerramento da temporada deixará a desejar.

Os grandes trunfos de Farewell, Cruel World! têm nomes: Fitz Mengele e Mack. No caso do primeiro, o roteiro de Brent Fletcher foi particularmente feliz ao fazer o plano de Jemma desmoronar da pior maneira possível, com ela matando – mesmo que sem querer – Alistair Fitz, cuja presença nefasta foi responsável por levar Fitz para o lado negro, ainda que não possamos culpá-lo exclusivamente, pois o próprio e uma vez simpático Fitz tem sua parcela de culpa nessa equação. Com isso, torna-se inevitável que Fiz procure vingança, gerando um bom momento em que ele, em momento algum, reconhece qualquer resquício de reconhecimento e muito menos amor por Jemma, chegando a baleá-la na perna para forçá-la a ajoelhar-se. Frieza e crueldade do começo ao fim, sem dar trégua.

E, mais interessante ainda, é que, como havia mencionado em críticas anteriores, os showrunners não varreram o problema para debaixo do tapete e fizeram com que Fitz – e os demais, mas especialmente ele – lembrasse do que ele fez no mundo digital, carregando o peso de seus atos para o mundo real. Iain De Caestecker mais uma vez mostra a que veio, em uma interpretação de fazer doer o coração, em que vemos seu personagem desnorteado, abalado e repleto de horror por ele ter tido capacidade de fazer o que fez. Afinal, o choque não está em ter matado alguém em um mundo paralelo, mas sim ter escolhido assim o fazer, de livre e espontânea vontade, algo que faz parte do construto de Radfcliffe, conforme as modificações de Aida. Enquanto Jemma matou Alistair durante uma luta em que quase morreu enforcada, Fitz friamente torturou e matou dezenas, quiçá centenas, até milhares durante sua outra vida como segundo em comando da Hidra. As repercussões na mente de Fitz terão que ser avassaladores e os showrunners parecem querer justamente seguir por esse caminho.

Já o drama de Mack foi diferente e, sem dúvida, completamente esperado, mas não menos potente por causa disso. Mesmo desgostando da inserção da “filha que ele só teve por quatro dias” do nada nesta temporada, tenho que reconhecer que essa informação aparentemente aleatória foi bem utilizada aqui, criando dúvida sobre a saída de Mack do Framework desde o primeiro momento que o vimos feliz com Hope em sua casa e vida digital. A maneira como o roteiro abordou a dúvida, não deixando o espectador pendurado por muito tempo foi no ponto. Afinal, já estávamos preparados para isso e manter Mack no escuro, revelando a verdade sobre o Framework praticamente no último segundo tornou a decisão mais verdadeira, mais próxima do que esperamos mesmo de Mack, mesmo que, lá no fundo, saibamos que, se Aida realmente pode criar matéria viva e, com isso, um corpo para ela, é perfeitamente possível que o mesmo seja feito para Hope e, espero, para outros.

Falando em outros, é em um episódio assim que realmente vemos com Trip faz falta. B.J. Britt traz uma leveza necessária à série com seu timing cômico perfeito que o roteiro aproveita com suas tiradas quase embaraçosas, mas sempre ternas. Outro que faz falta, mas que não deu as caras no episódio foi Ward. O que aconteceu exatamente com ele depois que a emissora de TV que ele ajudou a invadir foi atacada pela Hidra? Estranhei que seu nome foi apenas mencionado por Daisy como se nada tivesse acontecido e sem nem tentar justificar sua ausência. Se ele não voltar para a série, espero que, pelo menos, fechem adequadamente o arco dele nos episódio remanescentes.

Além disso, foi muito bem-vindo o prólogo no Zephyr One, trazendo de volta Yo-Yo e sua equipe e contando um pouco sobre o tempo em que eles tiveram que basicamente servir de babá para os corpos inertes de Daisy e Jemma. Foi uma boa forma de nos preparar para a saída de quase todo mundo do Framework, criando um razoável nível de tensão também no ar e mostrando a liderança de Yo-Yo e o provável impacto que ela sentirá quando souber os detalhes da permanência de Mack no mundo digital.

O que me causou espécie, no episódio, foi a extrema facilidade com que a “porta dos fundos” foi achada e utilizada por nossos heróis. O subterfúgio de Aida para esconder o portal foi mal utilizado e Fitz Mengele, com toda a raiva que estava sentindo, deveria ter enviado alguns batalhões de soldados e não três ou quatro gatos pingados. Fez todo sentido ele não bombardear tudo do alto, pois ele queria vingança com base na Lei de Talião e explodir todo mundo retiraria sua possibilidade de matar Jemma com suas próprias mãos (e evitaria o excelente momento entre os dois que abordei acima). No entanto, a batalha na fábrica deveria ter sido em maior proporção, aproveitando Mack, May e Daisy em sua plenitude.

Mais uma vez a série esbanja bons efeitos em computação bons efeitos visuais, começando pelo mega-avião em que está Yo-Yo, mas especialmente pela construção do corpo humano de Aida. É aquele uso parcimonioso que o orçamento da série permite, claro, mas os showrunners já aprenderam como tirar o melhor proveito do relativamente pouco que podem gastar. Agora ficam só as perguntas: para aonde Aida 3.0 e Fitz foram e onde está o Superior? Não demoraremos muito a descobrir, claro, mas confesso que eu ainda gostaria muito de ver um pouco mais do Framework, torcendo para que personagens mortos voltem e que Mack alcance a felicidade no mundo real.

Farewell, Cruel World! é mais um estupendo capítulo do arco final da quarta temporada da série. Francamente, o que vier agora é lucro!

P.s.: Ainda quero que o Triskelion seja derrubado por Tremor…

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X20: Farewell, Cruel World! (EUA, 02 de maio de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Vincent Misiano
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra, Patton Oswalt, Artemis Pebdani, John Pyper-Ferguson, Zach McGowan, Brett Dalton, Manish Dayal, B.J. Britt
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.