Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X06: Fun & Games

Aviso: Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel .

Depois do inebriante Rewind, Agents of S.H.I.E.L.D. volta para o presen… digo, o futuro e passa a lidar com o plano que Fitz põe em movimento para libertar seus amigos das garras dos Kree, ao mesmo tempo que aborda o grande leilão de Kasius pela Destruidora de Mundos. Sem dúvida, é mais um episódio de alto nível da temporada, mas um que estranhamente ressona mal se comparado com o material que veio antes.

Sem lidar com o tempo entre o despertar de Fitz da criogenia e o planejamento que Enoch iniciara, algo certamente usado pelo roteiro de Brent Fletcher para construir suspense em cima da imprevisibilidade, Fun & Games começa logo na politicagem e troca de farpas que antecedem a derradeira tentativa de Kasius de fugir de sua sina de proscrito, com direito até à participação de Patrick Fabian (o Howard Hamlin de Better Call Saul) como um dos pretendentes ao arremate da inumana da lenda. Na medida em que o episódio se desenrola, vamos aprendendo sobre a reputação de Fitz como bandido espacial multimilionário, artificialmente construída por Enoch e a rivalidade fraternal existente entre Kasius e seu irmão que, aparecendo de surpresa, põe a perder o frágil Plano de Fitz.

E é esse aspecto que me pareceu fora de compasso com a série. Enquanto em Rewind tivemos um plano de fuga arquitetado por Hunter que, apesar de ter parecido fácil, foi bem trabalhado como algo que o ex-agente poderia ter feito ao longo do tempo em que Fitz ficou na prisão militar, aqui o mesmo tipo de plano – ainda que, claro, bem mais “sofisticado” pareceu-me tão sólido quanto a boa e velha “orelhada”, ou seja, algo feito na base do improviso, sem qualquer plano de contingência que não fosse na base do “sair atirando em todo mundo”.

Mas ok. Confesso que esse problema não é muito sério, pois o episódio, sem dúvida alguma, tem muita coisa boa a oferecer. E a primeira delas é uma dose dupla de uma das melhores características de AoS: as coreografias de luta. A primeira, que coloca uma May ferida contra um hesitante Ben é, talvez, a melhor das duas. A confiança que Ben passa em seus movimentos metódicos e precisos graças ao seu poder se contrapõe à um crescendo cada vez mais desesperado de May fazendo tudo o que pode e mais um pouco com uma perna perfurada e um oponente que lê sua mente. A dinâmica de diálogo estabelecida na luta também é um ponto que merece destaque, pois não detrai em nada do espetáculo, acrescentando ainda mais drama e sedimenta a simpatia do espectador com o inumano.

A segunda luta era algo mais do que esperado. Afinal, todo mundo que assiste a série queria ver Sinara e suas bolinhas voadoras apanhando de alguém do time dos “bonzinhos”. Mas o melhor da luta se dá em sua preparação, com o irmão de Kasius manobrando para fazê-la acontecer. A primeira reação de Kasius é antagônica, mas seu egocentrismo fala mais alto e ele colocar praticamente sua única verdadeira aliada em uma luta que ele sabia que tinha que acabar com a morte da Kree. Mas a reação de Sinara é também muito boa e perfeitamente crível, quando ela decide engolir a traição e dar o melhor de si para virar o jogo.

O resultado é uma luta selvagem, mas curta demais para toda sua construção, pois acaba sendo interrompida por Fitz e sua “orelhada” de desespero que destrói a persona falsa que Enoch estabeleceu. Mas essa interrupção não vem antes de Daisy usar seu poder para voar, algo que há muito não víamos e Jemma e Fitz protagonizarem a que talvez seja a melhor cena do episódio e que ganha seu epilogo em meio à fuga da arena.

A cena a que me refiro, claro, é a da declaração de amor com pedido de casamento que Fitz levou 74 anos para fazer a Jemma. É um momento belíssimo, com um trabalho espetacular – de novo – por parte de Iain De Caestecker, mas carregado de uma angustia quase cômica para quem assiste. Afinal, sabemos que Jenna não pode escutá-lo mesmo que a direção do próprio Clark Gregg faça esforço em nos enganar ao focalizar uma Jemma contemplativa, mas desligada de tudo ao seu redor.

Aqui, o roteiro de Fletcher brilha por construir um monólogo crível e sensível que encapsula tudo que os dois representam. E a quebra do momento pela entrada de Kasius dá a oportunidade de o assunto ser novamente abordado – agora de forma inteligentemente cômica – nos momentos finais, em que Jemma, impaciente, toma a dianteira para a hilária frustração de Fitz. Resta apenas saber como essa decisão tomada em meio ao tiroteio será levada a cabo, já que fica aquela impressão lá no fundo de que os showrunners ainda tem armadilhas para separar os dois pombinhos.

Mas tem muito mais o que falar sobre Fun & Games. E talvez o principal seja o quanto o episódio foi cruel com personagens novos que vinham sendo construídos com vagar. Se não particularmente sofremos com a morte de Kasius – e ela abre a porta para seu irmão tornar-se o über-vilão desse futuro -, o mesmo não pode ser dito do fim off camera de Tess e o soterramento de Grill por Flint (já falo sobre o garoto). Mesmo que os dois não tenham aparecido tanto, a grande verdade é que eles vinham funcionando bem na temporada, cada um com sua função em espectros opostos. Além disso, Pruitt Taylor Vince fazia um excelente Grill daquele jeito meio meigo, meio maquiavélico e sua falta será sentida.

Por outro lado, isso mostra o óbvio: esses personagens são descartáveis. Ao mesmo tempo que isso permite quena série caminha em direções mais violentas, por outro talvez banalize os personagens e tornem suas mortes substitutas para consequências mais graves para o time fixo. De todos os novos, talvez apenas o desaparecido Deke tenha chance de alguma perenidade, ainda que eu pessoalmente duvide.

Finalmente, cabe falar de Flint (Coy Stewart) mesmo que brevemente. Confesso que não gosto de personagens novos introduzidos em momento tão avançado de um arco. Fica parecendo uma tentativa de resolução tirada da cartola. E os poderes inumanos do jovem parecem suspeitamente opostos aos de Tremor. Enquanto ela quebra as coisas, ele parece reconstruí-las e isso se encaixa perfeitamente com uma solução “mágica” para o estado em que a Terra do futuro se encontra. Vamos ver onde isso vai dar…

Fun & Games tem seus problemas, mas também tem vários aspectos de nota. Era querer demais que, depois de Rewind, algum roteiro fosse capaz de manter o mesmo nível. Mesmo assim, a quinta temporada de AoS ainda não conseguiu desapontar.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X06: Fun & Games (EUA, 05 de janeiro de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Clark Gregg
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Eliza beth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Eve Harlow, Pruitt Taylor Vince, Coy Stewart, Pruitt Taylor Vince, Rya Kihlstedt, Myko Olivier, Dominic Rains, Florence Faivre
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.