Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X11: All the Comforts of Home

Aviso: Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel .

Depois de um mês de hiato anunciado na última hora pela ABC, Agents of S.H.I.E.L.D. volta com seu 99º episódio que eu, em minha mais completa inocência, tinha convicção que seria apenas uma espécie de rearrumação de tabuleiro padrão em preparação à comemoração pelos 100 episódios da série. E, confesso que, até o momento em que a misteriosa mulher mascarada tira aquele chakram das costas, permaneci nessa crença e caí como um patinho.

E que delícia que foi esse meu momento Poliana.

No lugar de estabelecer arcos mais ou menos independentes como na temporada anterior, Jed Whedon, Maurissa Tancharoen e Jeffrey Bell parecem apostar em uma história única cadenciada por arcos definidos, mas muito proximamente costurados um no outro, o que é uma espécie de inversão da lógica até então estabelecida. E, a julgar por All the Comforts of Home, a estratégia é acertada.

Sem perder tempo, a equipe materializa-se na versão do presente do Farol e ganha uma hilária introdução virtual ao local e ao Projeto Reclamation pelo General Rick Stoner (Patrick Warburton, sempre bonachão) que, nos quadrinhos, foi o primeiro diretor da S.H.I.E.L.D., o que pode explicar o porquê do projeto em questão não constar da caixa preta de Nick Fury. Em seguida, outro Chronicom, Noah (Joel David Moore) entra na jogada, facilitando o acesso da equipe à tecnologia, o que serve de catalisador para a investigação sobre as tais “luzes vindo do espaço” que parecem apontadas para uma base no Missouri.

Daisy, ficando no Farol para evitar que a profecia se cumpra, tem que resgatar Deke que, também descobrimos, viajou no tempo em razão do pedaço de monólito que ele usou para acionar a máquina do tempo. Perdido no presente e maravilhado com tudo ao redor, ele acaba preso e Daisy corre para resgatá-lo, receosa que ele possa dar com a língua nos dentes.

Essa sinopse estendida está aqui única e exclusivamente para eu me defender. Afinal, mesmo com todos esses anos de indústria vital, eu fui tapeado! O roteiro de Drew Z. Greenberg, já veterano na série, tem uma cadência gostosa e previsível até mesmo quando a equipe põe os pés na base e se surpreende ao encontrar a agente Piper (Briana Venskus voltando para a série) por ali, mostrando-se fiel até o último fio de cabelo. Provavelmente vários de vocês, nesse momento, deduziram automaticamente que sua presença sinalizava para algo errado, mas eu devia estar inebriado pela felicidade que é a volta de AoS que eu nem me dei conta.

No momento da traição – malandramente coordenada com a sequência em que o policial pede para Daisy assinar mais alguns documentos depois de vermos a General Hale (Catherine Dent reentrando com força total na temporada, depois de ser introduzida no magnífico Rewind) – e da chegada da equipe black ops liderada por uma mulher mascarada, as fichas começaram a cair lentamente em minha velha e combalida mente. Sim, não havia dúvidas que aquela ali era Ruby (Dove Cameron), inserida na temporada no comecinho do episódio como a filha de Hale. Foi o chakram, porém, a última peça que se encaixou e, horrorizado, eu percebi que o episódio não seria o walk in the park que imaginava e, sinceramente, esperava. Foi nesse centésimo de segundo que eu soltei alguns palavrões intercalados com palavras como “braços”, “futuro”, “Yo-Yo” e, principalmente, “NÃÃÃÃÃÃÃÃO” e variações e combinações disso tudo. Foi nesse centésimo de segundo que eu relembrei que estava assistindo Agents of S.H.I.E.L.D. e não aquelas outras séries de super-heróis que têm por aí (vocês sabem quais são).

Deixando por um momento o emocional de lado, toda as sequências a partir da traição de Piper funcionaram muito bem. Com o time dividido em duas salas contíguas, a montagem sucessiva estabeleceu tensão e, ainda que fosse perfeitamente possível notar que Piper não permaneceria traidora por muito tempo, a construção narrativa de toda a situação canalizou para o episódio os momentos mais sombrios do primeiro arco. Naquele ambiente desprovido de vida, o design de produção conseguiu emular, de longe, a versão futura do Farol, debaixo da opressão Kree e os acontecimentos estabeleceram aquela sensação “sem saída” que marcou o início da temporada. Faltou mais tempo para uma coreografia melhor para a luta, com esses momentos passando rapidamente demais e de maneira um tanto genérica e burocrática.

No entanto, para a surpresa dos agentes e a nossa, os soldados cercando Ruby são revelados como androides, o que dá a entender que Ruby também é algo diferente, especialmente considerando que ela lançou o chakram com o objetivo específico de decepar os braços de Yo-Yo, ou seja, ela mirou para onde a inumana estaria e não onde ela estava. Se ela não é uma versão de Aida (seria magnífico se fosse), ela pode ter conexão com Anton Ivanov (o M.O.D.O.K. do Universo Cinematográfico Marvel) ou mesmo ser outra inumana. Façam suas apostas!

Falando em apostas, a presença sinistra da General Hale e sua gana por eliminar a S.H.I.E.L.D. do mapa é uma excelente adição à temporada, ainda que Dent talvez esteja atuando de forma caricata demais, como um vilão de filmes do 007. A série não precisa mais de alguém assim que fala com dentes rangendo e que só falta soltar uma risada maligna. Um pouco mais de sutileza faria bem à personagem que, pelo que parece, encarnou Fury às avessas ao começar a reunir um grupo de supervilões (Creel está de volta!) para bater de frente com nossos queridos agentes, o que pode reviver também o conceito dos Guerreiros Secretos que, lógico, contaria com um certo motoqueirorista com cabeça de caveira flamejante.

Os showrunners já deixaram claro, em entrevistas, que o último episódio da temporada servirá também como o último episódio da série, caso ela não seja renovada. Capítulos como All the Comforts of Home fazem-me querer que a série não acabe, mas a história das séries de TV prova que menos é mais e eu prefiro que AoS seja encerrada em seu ápice e não fique perambulando por aí como zumbis sem rumo e objetivo…

Que venha o 100º episódio!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X11: All the Comforts of Home (EUA, 02 de março de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Kate Woods
Roteiro: Drew Z. Greenberg
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Joel David Moore, Brian Patrick Wade, Patrick Warburton
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.