Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X16: Inside Voices

  • Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Vou começar com uma divagação que me senti compelido a fazer depois de assistir esse episódio que carrega um título sugestivo sobre a loucura. Repararam quantos personagens em Inside Voices têm algum tipo de problema mental? Temos Fitz que, agora, é uma amálgama do bom e velho Fitz com sua versão genocida do Framework, Robin que, bem, nem preciso explicar, Deke, que nunca foi um sujeito normal, General Hale, que é uma louca varrida com complexo de salvadora da Terra, Ruby, que é uma psicótica assassina beiçuda; Strucker, que é outro que nunca pareceu muito firme lá em cima, Talbot, que tomou uma bala na testa e, com o isolamento forçado por Hale, terminou de endoidecer e, agora, Creel que, absorvendo o gravitonium, passou a ouvir o Dr. Hall em sua cabeça. Sei que de bobo e de louco todo mundo tem um pouco, mas Agents of S.H.I.E.L.D. parece estar levando isso muito ao pé da letra, não?

Mas essa loucura toda faz parte do processo. Afinal, ninguém é super-vilão ou até mesmo super-herói, sobrevive o Framework, viagem ao futuro e ao espaço, robôs ensandecidos e coisas do gênero sem ocasionalmente fritar o cérebro. Inside Voices é quase uma celebração desse aspecto, sem realmente funcionar como um episódio que impulsione de verdade a narrativa. Tendo a insanidade como pano de fundo, o episódio lida, fundamentalmente, com a cisão dos dois lados dessa guerra que, se pararmos para pensar, nem é exatamente uma guerra, apenas duas visões opostas sobre um mesmo assunto (ok, estou sendo inocente, pois isso é exatamente o que uma guerra é…).

No lado da Hydra, ou seja lá o nome da organização spin-off da Hydra comandada por Hale, vemos Ruby maquinando para evitar que seu prometido papel de Destruidora de Mundos lhe seja retirado por sua mãe, que, muito acertadamente, não confia em seu rebento para nada. Essa situação é agravada quando Hale usa Creel como cobaia com o gravitonium, em um experimento que, temos que admitir, é completamente sem pé nem cabeça e sem qualquer semblante de ciência por trás. Ele só serve para que possamos ver flashes do Dr. Franklin Hall, lá do absurdamente longínquo terceiro episódio da primeira temporada da série e a confirmação de que ele ainda está lá dentro do poderoso metal, em mais uma pista de que é possível que ainda vejamos a versão UCM de Graviton, um poderoso, mas esquecido vilão da Marvel Comics.

É interessante ver como os showrunners fazem questão de usar cada detalhe desse passado remoto para criar conexões com o presente, colocando Creel semi-controlado pela substância, diretamente contra Coulson, em princípio o responsável pela absorção de Hall pelo metal. Diria, porém, que, exatamente por ser algo tão de “antigamente” na série, esse aspecto precisaria de mais desenvolvimento para realmente funcionar, pois, o que temos, não é muito mais do que o que a narrativa vem tentando nos empurrar sobre o papel desse metal na história macro da segunda parte desta temporada. Falta, porém, uma conexão viva e efetiva e não é um flashback para quatro anos atrás, com Raina (tinha até me esquecido que a personagem foi vivida por Ruth Negga, agora protagonizando outra série baseada em quadrinhos, Preacher) traindo Ian Quinn (não me lembrava mesmo nem do personagem, nem de David Conrad vivendo-o – tive que pesquisar, confesso) e deixando o gravitonium absorvê-lo, no que parece ser, agora, uma mente coletiva insana, as tais “vozes interiores” do título, que vai fazer a ponte para o presente de maneira efetiva. Há necessidade de mais, de realmente mergulharmos nas motivações do Dr. Hall e dos demais lá dentro para que não fique parecendo, eventualmente, que tudo será explicado por intermédio do aparecimento aleatório de um novo super-vilão. O bom, porém, é que há tempo para isso, já que ainda faltam seis episódios para o grande final.

Ainda falando da Hydra, a fuga atabalhoada de Coulson e Talbot deixou a desejar. O único momento realmente inspirado foi Creel usando seus poderes para transformar-se em um desfibrilador para reviver – de novo! – Coulson. O restante foi a mais completa subutilização do Homem Absorvente que, certamente por economia com CGI, luta contra robôs com metralhadoras na base da pancada em sua forma normal, sem absorver os materiais resistentes que ele tem em abundância ao seu redor. Mesmo enfrentando Ruby no mano-a-mano em uma excelente coreografia, vale salientar, ele usa seu poder para transformar-se em madeira(!!!) sendo que o combate se dá justamente na sala de ginástica do complexo de Hale. Custava terem feito um esforço e gastado alguns dólares para fazer Creel transformar-se completamente em metal por alguns segundos? Do jeito que ficou, tudo pareceu-me artificial demais, inclusive a quantidade de pancada que o filé de borboleta da Ruby leva do brutamontes e só fica com um filetinho de sangue escorrendo pela boca.

Do lado da S.H.I.E.L.D., a dissidência se dá ao redor de Fitz, com a formação da Trinca dos Imortais. Jemma quer a libertação de seu amor, o que, se pensarmos bem, faz absolutamente todo sentido. Não se deixa de utilizar a outra mente brilhante do grupo em uma situação emergencial, mesmo que ele tenha usado essa mente para enganar todo mundo e fechar um fenda para uma dimensão que poderia destruir a Terra. Fitz precisava sair e a forma como o roteiro de Mark Leitner encontrou para isso foi muito bem bolada. Primeiro, May e Daisy são removidas do cenário (mais sobre isso em breve). Depois, Jemma une-se a Yo-Yo que, agora, tem dois braços robóticos muito bacanas, para, manobrando a bondade de coração de Mack, enganá-lo impiedosamente. Eu até poderia ter ficado com pena do grandalhão que gosta de uma espingarda-machado, mas ver Jemma encarnando o Fitz do mal para, ao mesmo tempo, fingir envenenamento e provar a teoria da invencibilidade, com Yo-Yo como o músculo protetor, foi impagável. Ponto para os três que, agora, pelo visto, agirão independentemente! E Mack, cara, eu gosto de você, mas dessa vez não estou do seu lado não e até me diverti vendo sua cara de tacho…

A missão “achar Robin para achar Coulson” foi morna e caranguejal. Serviu seu propósito de permitir que Coulson e Talbot sejam achados provavelmente no próximo episódio. Mas sério, precisava dessa enrolação toda? Sim, sei que estou sendo insensível com a relação May-Robin, que já havia ficado estabelecida antes, mas convenhamos que todas as sequências que voltavam para o Zephyr me cheiraram a filler e olha que não foi pouco tempo dedicado a isso, viu? Se cronometrarmos, é capaz dessa sub-trama que anda de lado ter tomado mais tempo que o plano “Mack otário” de Jemma e Yo-Yo.

No geral, Inside Voices foi quase que o episódio inevitavelmente parado depois de duas maravilhas seguidas. É normal e esperado até, pois, por mais esforço que se faça, manter uma temporada de 22 episódios sem momentos menos do que muito bons é uma tarefa que considero impossível. Não tenho dúvidas, porém, que a loucura toda continuará a todo vapor e que nós, espectadores insanamente assíduos, teremos nossas mentes explodidas novamente em breve.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X16: Inside Voices (EUA, 06 de abril de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Salli Richardson-Whitfield
Roteiro: Mark Leitner
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Brian Patrick Wade, Spencer Treat Clark, Zach McGowan, Adrian Pasdar, Peter Mensah, Reed Diamond
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.