Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X17: The Honeymoon

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The Honeymoon foi pródigo nas sequências de luta e tiroteio, mais uma vez mostrando que Agents of S.H.I.E.L.D. não economiza no dinheiro envolvido nas coreografias. Tivemos Beiços contra Daisy no começo e Yo-Yo contra Anton Ivanov ao final, funcionando como ótimos enquadramentos, com direito a um recheio que colocou Fitz e Simmons dando uma de Bonnie e Clyde contra um exército de androides em um episódio que, de outra forma, caminhou mais de lado do que efetivamente para frente.

A sequência inicial, dedicada ao resgate de Coulson e Talbot naquele cenário nevado terrivelmente falso, foi trabalhada de forma muito preguiçosa pelo roteiro da dupla James C. Oliver e Sharla Oliver. Ele correram aleatoriamente em uma direção, Daisy pede para o Zephyr pousar em qualquer lugar por ali e, magicamente, eles acham os dois no exato momento em que Ruby acabaria com eles. Foi de revirar os olhos, pois bastava um pouquinho mais de detalhes e de construção narrativa – coisa de segundos! – para evitar esse artifício bobo típico de série de TV dos anos 80. Mas, se conseguirmos perdoar esse deslize, a pancadaria que se segue entre a loira beiçuda e Tremor funcionou muito bem, com um nível de atleticismo acompanhado por uma câmera bem posicionada que não se furtou de seguir os movimentos e realçá-los com breves slow motions. E, claro, tivemos Daisy usando seus poderes mais uma vez, ainda que de maneira contida, pois ela poderia – deveria! – ter triturado aquele filé de borboleta que gosta de um frisbee.

O resultado prático direto disso foi  uma sub-trama em que Deke, baleado, luta por sua vida com a ajuda de Mack e Piper (completamente sem sentido Mack executar as instruções de Piper, mas tudo bem…). Pelo menos dentro desse episódio, tenho minhas dúvidas de que essas sequências todas tenham tido mais utilidade do que enrolar, já que ainda falta muito para a temporada acabar e a morte dele, nesse momento, não faria muito sentido narrativo e tornaria vazia todo o seu desenvolvimento até agora.

A ação do Trio Invencível na Inglaterra, e que dá o nome ao episódio, funciona mais organicamente, ainda que a destruição por Fitz de um componente da câmara do super-soldado soa demais como aquele artificiozinho porcaria para atrasar o inevitável, como em uma corrida de obstáculos. Mas, pelo menos, tivemos bons momentos como a descoberta de que o poder de Yo-Yo não funciona com os braços mecânicos calibrados para a “normalidade”, algo que deveria, obviamente, ter sido testado antes, mas também fecharei os olhos para essa obviedade, já que, dramaticamente, a descoberta faz mais sentido assim, no meio da ação.

A resistência conjunta de Fitz-Simmons foi outro ponto alto, com uma montagem dinâmica e uma fotografia com muita câmera lenta que passa aquela impressão de um finalismo que, porém, não acontece, até porque jamais esperaria que um desses dois morresse de forma tão banal, pelas mãos de androides controlados pelo até agora pior vilão de toda série. Mas é esse vilão, por seu turno, que, em oposição a Yo-Yo, protagoniza talvez a melhor luta desde que a temporada voltou do hiato. Violenta e esteticamente muito bem construída, o embate cibernético, apesar de curto, funcionou maravilhosamente bem, inclusive a queda final badass que salva Fitz-Simmons da morte certa.

Claro que o momento “bate e assopra” entre May e Coulson, por mais perdido dentro do episódio que tenha sido, também merece destaque. May, que, convenhamos, seria a líder natural da equipe na falta de Coulson, coloca o diretor em seu lugar, fazendo-o ver que ele está deixando seu lado paternal por Daisy colocar a inumana em perigo, considerando que ela não está pronta para assumir esse papel. E, de fato, não está. Temos a prova final disso quando ela, agindo passionalmente, entrega um telefone criptografado para Talbot falar com sua família, somente para ele ser “ativado” como agente dormente no coração do que restou da S.H.I.E.L.D. Definitivamente Tremor precisa lembrar-se de sua própria história – ou assistir mais os filmes do Universo Cinematográfico Marvel – para perceber que a Hydra adora esse tipo de estratégia. Ela já está gradinha e calejada demais para cair nesses truques.

The Honeymoon foi um episódio movimentado, sem dúvida. No entanto, ele mais pareceu um divertido filler do que algo que realmente impulsionasse a narrativa mais do que marginalmente. Ok, faz parte, mas, considerando que este é o segundo capítulo seguido fugindo da qualidade extrema que vem marcando a temporada, talvez esteja na hora de algo bombástico acontecer para tirar todo mundo do torpor.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X17: The Honeymoon (EUA, 13 de abril de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Garry A. Brown
Roteiro: James C. Oliver, Sharla Oliver
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Brian Patrick Wade, Spencer Treat Clark, Zach McGowan, Adrian Pasdar, Peter Mensah, Reed Diamond
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.