Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X19: Option Two

  • Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Foram três episódios mais para mornos, na primeira estirada menos do que muito boa de toda a quinta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. Mas, pelo visto, isso realmente é passado, pois Option Two vem mostrar porque a série é o que é. Faltando apenas quatro episódios para acabar, um novo semi-arco começa para finalmente fazer as peças do futuro encaixarem-se no presente.

E a primeira das peças é a inusitada revelação de quem finalmente passa pelo processo completo de fusão com o gravitonium. Desde que a câmara do supersoldado foi mencionada, a bolsa de apostas esquentou sobre quem seria de verdade o Destruidor (ou Destruidora) de Mundos. Daisy era a aposta mais óbvia, já que todo o conceito apocalíptico girava em torno do possível uso de seus poderes para rachar a Terra. Com a chegada de Ruby e a revelação de que a enlouquecida jovem teria sido gerada unicamente com esse objetivo em mente, esperava-se que ela tomasse o lugar de Daisy, mas isso foi por água abaixo quando, depois de passar por um processo parcial de fusão no episódio anterior, ela teve seu pescoço cortado por Yo-Yo. Muita gente falava que Creel poderia ser um candidato e até mesmo o próprio Phil Coulson foi aventado, além de, claro, a possibilidade do próprio gravitonium tomar a forma consciente do vilão Graviton.

Mas ninguém realmente imaginava que o baleado, barbado, torturado, encarcerado, enlouquecido e controlado ex-general Glenn Talbot tornar-se-ia o ser super-poderoso que pode ou não vir a destruir o planeta. O roteiro de Option Two, porém, escrito pela dupla Nora e Lila Zuckerman, responsável por ótimos episódios da série como A Life Spent, é muito inteligente ao manter o foco em Talbot quase que o tempo todo, apesar da incursão alienígena no Farol, em tese algo que deveria ser mais importante do que qualquer outra coisa. Com isso, o personagem vai ganhando relevância a partir do sonho/pesadelo que tem lembrando do código de envio de sinais da base da S.H.I.E.L.D. e vendo o espaço e toda a importância que ele ganha de forma natural, mas ao mesmo tempo estranha, primeiro prometendo que mostrará seu valor e, depois, com toda a sequência em que Yo-Yo vai até sua cela para levá-lo à segurança, algo que, em circunstâncias normais, não seria abordado com o nível de detalhes que vimos aqui.

Além disso, a direção do versátil Kevin Tanchareon é precisa ao sempre nos manter em contato visual com a câmara de fusão ao fundo de todas as sequências envolvendo a dupla Fitz-Simmons. Com isso, apesar do inusitado da coisa, temos pistas constantes de que aquilo que acaba acontecendo estava já “marcado nas estrelas”, tanto que, quando o momento está prestes a acontecer, já é possível prever os movimentos todos, como Simmons e Talbot sendo deixados para trás, Talbot empunhando a arma e, depois, atirando em Simmons para, em seguida, entrar na máquina. É aquele momento estranho que, se olharmos em retrospecto, faz todo sentido e torna todo o arco envolvendo o personagem na temporada bem mais relevante, ainda que seu suicídio no episódio anterior também tivesse sido uma saída elegante para ele. E, claro, foi uma bela piscadela a caixa de gravitonium revirada, com o “ium” apagado pelo sangue alienígena, deixando em destaque o nome do primeiro grande vilão da Marvel Comics mencionado na série, lá no distante episódio 1X03, The Asset.

Considerando o padrão AoS de sempre que transforma sequências em tese épicas em exercícios em frugalidade e economia, a tão prometida “invasão” não é muito mais do que uma imponente tomada estática de uma nave alienígena sobrevoando o farol, seguida de uma incursão tática muito simples com alienígenas com a máscara do Bane aparentemente adeptos do parkour. O ar de filme B foi inevitável, por vezes até risível, mas realmente não esperava algo muito diferente do que vimos, até porque tudo é construído de maneira a nos levar ao momento triunfal do cerco dos agentes na sala de comando e a chegada literalmente esmagadora de Talboton. Em termos narrativos, tudo fez muito sentido e o clímax foi realmente muito bom, deixando aquela extrema curiosidade para saber o que raios acontecerá agora.

Em paralelo, gostei muito da forma simples como o assassinato cometido por Yo-Yo foi abordado no episódio, primeiro gerando aquela cisão no comando em pleno briefing da missão e, depois, levando ao confrontamento entre ela e Mack, com um resultado que evita a bobagem e afasta os dois amantes pelo menos por enquanto. Novamente, é o estilo AoS de ser, que, mesmo quando aborda romances, procura não torná-los apenas artifícios narrativos bobalhões para que os fãs “shipem” o casal e fiquem discutindo sobre o assunto nas redes sociais. Assim como no caso de Fitz e Simmons, o tratamento dado a Yo-Yo e Mack é adulto e crível, com Natalia Cordova-Buckley novamente mostrando toda sua capacidade dramática em uma atuação que mistura raiva, arrependimento e fortes sentimentos por Mack.

Da mesma forma, a informação sobre Coulson que Yo-Yo sabia por intermédio de sua contrapartida futurista torna-se pública e imediatamente choca com a missão secreta de Daisy, com direito a nova ponta de Jake Busey, que aparecera em Principia, e uma conexão com o finado John Garrett e, lógico, o projeto Centopeia, mais um elemento tirado lá do fundo do baú da mitologia da série. É também na interação de Daisy com Candyman que vemos a que talvez seja a única referência que teremos a Vingadores: Guerra Infinita, quando ele pergunta a ela se ela tinha visto o que estava acontecendo em Nova York. Isso reconfirma que os eventos da série e dos filmes do Universo Cinematográfico são simultâneos, mas levanta a pergunta sobre como o final de Guerra Infinita será encaixado em AoS, algo que não abordarei em mais detalhes aqui para evitar spoilers do filme.

No final das contas, meu receio de que duas invasões alienígenas paralelas ficassem sem sentido foi dissipado quase que completamente – continua estranho, mas dá para aceitar em razão da escala minúscula – e o episódio conseguiu nos dar aquela boa e velha rasteira que a série já acostumou a fazer. Option Two é, certamente, um ótimo começo do fim.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X19: Option Two (EUA, 27 de abril de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: Nora Zuckerman, Lila Zuckerman
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Brian Patrick Wade, Spencer Treat Clark, Adrian Pasdar, Peter Mensah, Reed Diamond, Jake Busey
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.