Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X21: The Force of Gravity

Escudo-beijo:

Episódio como um todo:

  • Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Existem determinadas cenas em filmes e séries que são tão inspiradas e tão bem inseridas no contexto que elas abafam todas as considerações negativas que eventualmente tenhamos sobre a obra como um todo. São momentos icônicos – alguns curtos, outros longos – que variam de pessoa para pessoa, mas que ficam marcados em nossas mentes para sempre e que, quando lembramos deles, um sorriso vem logo ao rosto.

E The Force of Gravity tem um desses momentos, pelo menos para mim: o beijo apaixonado de Coulson em May atrás do escudo de energia enquanto os dois são alvejados pelos Remoraths. Não só o escudo é o gadget mais sensacional de todo o Universo Cinematográfico Marvel (sim, isso mesmo!), como todo o momento acontece à perfeição, inclusive – e especialmente – a surpresa genuína e o sorriso orgulhoso de Daisy e, depois, o sorriso amoroso de May. Diante dessa cena, todo o restante torna-se menor, realmente irrelevante, até porque, dali em diante, nem sei o que aconteceu de verdade, pois fiquei reprisando mentalmente aqueles belos segundos.

Mas eu precisava escrever a crítica. Portanto, minhas reprises mentais me obrigaram a fazer algo que raramente faço, ou seja, reassistir um episódio logo depois de acabá-lo, a partir do beijo. Caso contrário, meu comentários poderiam acabar por aqui.

The Force of Gravity, infelizmente, não é só o beijo atrás do escudo. Ao contrário, ele é um razoavelmente decepcionante epílogo para o surgimento efetivo de Talboton, com o sujeito voltando à Terra para absorver o coitado do Creel (eu realmente gostava do personagem e queria que ele tivesse tido mais espaço na série), fazer uma breve reunião familiar e, ao fim, sequestrar Polly e Robin para extrair da garota a localização das fontes de gravitonium ainda restantes. Ainda que faça sentido essa estratégia, já que ele quer mais e mais poder para enfrentar Thanos (como se isso tivesse alguma chance de efetivamente acontecer…), o roteiro é episódico demais e, no final das contas, muito lento.

No entanto, se olharmos para cada uma das duas principais “visitas” de Talboton isoldadamente, elas funcionam bem, com um final digno para Creel, que confia no ex-general, somente para ser traído ao final, com um belo trabalho de CGI de “metal líquido” e com uma sequência bastante tensa na casa dele, com seu filho e sua esposa, interrompida pela chegada de Mack, Yo-Yo e algumas buchas de canhão quaisquer, em um confronto simples, mas também eficiente.

É nítida, porém, a vontade de não andar para frente. Talboton é mantido em xeque por artifícios simplistas de roteiro, como nos manter cientes da invasão de Nova York por Fauce de Ébano (que vemos em Guerra Infinita, claro) por meio de reportagens televisivas e criar essas side quests em busca de mais poder, o que cria a esperança de uma conexão maior. Não esperava, claro, nenhum grande combate, mas, aqui, o super-poderoso personagem mantem-se muito resguardado demais, praticamente só levantando carros e segurando e usando balas como Magneto faria. Sem dúvidas são simpáticos momentos, mas é muito pouco, especialmente se considerarmos que estamos nos momentos finais da temporada.

Na nave dos Remorath, a ação é um pouco melhor e mais significativa. Temos não só a já citada cena inesquecível do escudo-beijo, como belos momentos de pancadaria, primeiro com Daisy saindo de sua segunda experiência com realidade virtual, com o irritante pai do Kasius do futuro e usando seus poderes para limpar a nave de clones do Scorpion de Mortal Kombat e, depois, May limpando a ponte de comando com a cara de Qovas, enquanto Deke – que, finalmente, ganha momentos úteis! – reprograma o sistema de lançamento de mísseis para explodir a nave, enquanto eles se teleportam para o Farol.

Se eu tivesse um reclamação mais relevante na sequência espacial, esta seria o quanto o beijo seria mais significativo se ali mesmo no episódio houvesse o sacrifício de May. Claro que era pouco provável, pois é possivelmente mais eficiente deixá-la sofrer com a decisão que marca o final do episódio entre salvar a Terra ou salvar Coulson, mas, sob o ponto de vista dramático, teria sido espetacular tornar aquele o último momento dos dois juntos. Sobre a decisão a ser tomada, creio que Fitz matou a charada: eles precisam efetivamente conseguir salvar Coulson para quebrar o loop, em uma inversão de lógica que usa a gramática a seu favor e que, se não pensarmos demais sobre ela, até faz todo sentido. Se isso acontecer, será uma forma de Fitz limpar sua barra perante os demais membros da equipe.

Independente de qualquer coisa, The Force of Gravity será lembrado – pelo menos por mim – como o “episódio do escudo-beijo”. E já está bom demais, mesmo que isso tenha significado empurrar muita coisa para o final da temporada, que certamente ficar espremido se a produção não recorrer à saída “estalo de dedos”.

Obs¹: Até o momento de publicação da presente crítica, Agents of S.H.I.E.L.D. é a única série da grade da ABC cujo destino ainda não foi revelado. Como em 2017, quer parecer que o canal manterá seus espectadores em suspense até depois do fim da temporada sobre a renovação ou cancelamento da série. Resta saber se a Marvel, por intermédio da Disney, controladora de ambas, forçará novamente a renovação por considerar que a série é uma eficiente forma de “comunicação” entre os filmes e o lado televisivo do UCM. [Atualização] No dia seguinte da publicação da crítica, dia 14 de maio, a ABC confirmou a renovação da série para uma 6ª temporada, mas com apenas 13 episódios.

Obs²: Leitores queridos: sei que vocês já farão automaticamente, mas, por favor, achem o .gif da cena do beijo e publiquem nos comentários!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X21: The Force of Gravity (EUA, 11 de maio de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: Drew Z. Greenberg, Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Brian Patrick Wade, Spencer Treat Clark, Adrian Pasdar, Peter Mensah, Reed Diamond, Jake Busey
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.