Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X22: The End

Episódio

Temporada

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O fim é o começo em Agents of S.H.I.E.L.D. ou, pelo menos, uma perfeita maneira cíclica de se encerrar a grande narrativa que começou antes da própria série, quando Phil Coulson morreu pelas mãos de Loki, o Deus da Trapaça, em Os Vingadores. Se considerarmos que é a volta de Coulson à vida que impulsiona a narrativa da série lá em sua origem, a morte dele é o encerramento que a história merecia, mesmo que ela não seja mostrada em cena.

E, quando falo em encerramento, quero dizer isso mesmo, pois, muito claramente, The End é mesmo o fim da série em todos os aspectos mesmo considerando sua renovação para mais uma temporada de 13 episódios – que não necessariamente será a última – que só estreará em meados de 2019. Não há pontas soltas relevantes: Daisy reconhece que não é um soldado antes de ser uma líder e empossa Mack como diretor ao mesmo tempo que demonstra ser a super-heroína que é; uma grande e relevante morte acontece; o super-vilão é derrotado em uma sequência cinematográfica de pancadaria e o Tahiti verdadeiro é o cenário paradisíaco onde Coulson escolhe passar seus últimos dias ou semanas ao lado da mulher que ama. Muito sinceramente, como venho advogando há muito tempo, a 5ª temporada deveria ser a última e, depois deste episódio, fica ainda mais evidente esta minha afirmação mesmo que eu me contradiga ao dizer que não só confio nos showrunners, como também sei que gostaria, lá no fundo, de ver a boa e velha gangue de volta.

Ao longo da ousada temporada que não só teve viagem ao espaço como também no tempo, vimos a produção esmerar-se com o pouco que tinha para esbanjar. As poucas, mas belíssimas sequências carregadas de computação gráfica foram utilizadas cirurgicamente em episódios que, em sua gigantesca maioria, passaram-se em espaços confinados compostos quase que exclusivamente de corredores cinzas. Toda essa economia, porém, foi compensada com roteiros bem trabalhados que impulsionaram muito bem a história. Sou o primeiro a reconhecer, porém, que, a partir da volta de nossos heróis do futuro e com a introdução da Beiçuda, a temporada começou a caminhar mais vagarosamente, com alguns episódios que, para o padrão da série, deixaram a desejar. O conjunto, porém, permaneceu firme e forte.

The End não só quebra a “maldição” dos episódios menos inspirados da temporada como ele os justifica completamente, trazendo-nos um desfecho que, em termos dramáticos, é irretocável do começo ao fim. Se por um lado podemos criticar a eleição de Mack como líder da S.H.I.E.L.D. já que justamente por seu extremo bom coração ele jamais tomaria decisões difíceis e potencialmente letais que possam ser essenciais para uma missão, por outro o roteiro de Jed Whedon e Maurissa Tancharoen transformam esse limão em uma deliciosa limonada, revitalizando a S.H.I.E.L.D. como um agência criada para salvar vidas diante não só de nossos olhos, mas como também o de toda a humanidade. Quando todos os sistemas de comunicação de Chicago são tomados pela poderosa voz de Mack tranquilizando a população, a vontade que deu foi de levantar e aplaudir de pé um daqueles momentos moldados cuidadosamente para trazer um grande sorriso ao rosto mais sério.

A corroboração da decisão de Daisy por um combalido Coulson que engana a todos e, depois, a conversa dos dois que antecede o embate super-heroístico foram outros dois momentos emocionantes e que não traem o espírito da série. O diretor não queria enganar a morte novamente e Whedon e Tancharoen enganariam os espectadores se o fizessem trilhar o caminho mais óbvio. Quando ele confessa que não injetou o soro, encaramos tudo com pesar, mas, ao mesmo tempo, com admiração por uma série que se recusa a simplesmente fazer o que há de mais raso. Aliás, Clark Gregg está de parabéns mais uma vez por uma performance emocionante do começo ao fim: um homem resignado com seu fim, mas feliz pelo que deixa para trás.

O grande momento que justifica incessante uso de corredores genéricos nos vários episódios anteriores já começa com o “delicado” pouso da gigantesca nave de Talboton sobre Chicago e o começo da “mineração” do tão cobiçado gravitonium. Quando, mais tarde, Daisy sai em disparada para deter o vilão, o show continua sem desapontar em momento algum, trazendo, sem dúvida alguma, os melhores momentos de ação em larga escala que a série já viu e olha que eu incluo aí até mesmo a tentativa honesta de Tremor de apelar para o lado militar de Talbot. A solução para a enorme ameaça foi genial, pois meu grande receio é que algum deus ex machina fosse usado, como o surgimento de um Motoqueiro Fantasma da vida ou um estalar de dedos de Thanos. Mas o episódio enfrentou a questão de frente e o roteiro é tão prosaico e eficiente nesse aspecto que chega a dar raiva não termos pensado nessa possibilidade antes. Usando o soro centopeia que Coulson escondera em sua manopla, Daisy ganha um boost de poder e ejeta Talboton para o espaço. Pronto. Simples assim. E simples é normalmente melhor do que complicado, até porque, se lembrarmos do momento em que Talbot rouba o Quinjet para sequestrar Robin e Polly e visitar sua família em The Force of Gravity, notaremos que ele mesmo diz que precisa da nave unicamente porque ele não respira no espaço.

Mas não podemos esquecer que, simultaneamente à briga dos super-poderosos, há o resgate dos civis empreendido por Mack e equipe. E é ali que começamos a perceber o exato momento em que o loop temporal é quebrado, com Mack partindo para salvar Polly e Fitz dizendo à May, que está com Robin, que os dois não sobrevivem no futuro. É o salvamento deles por May e Fitz casado com o despacho de Talboton para o espaço que quebram a maldição e levam à também emocionante morte de Fitz diante de Mack, com Iain De Caestecker mais uma vez demonstrando toda sua capacidade dramática.

A possibilidade… digo, certeza de que o Fitz congelado será localizado por Simmons e, portanto, voltará à equipe, é a única ponta solta deixada pelos showrunners, mas mesmo ela poderia ser encarada como uma possibilidade forte que não precisa necessariamente ser mostrada. E essa volta do Fitz até terá o condão de anular o drama de sua morte, mas, considerando que a série foi renovada, o caminho precisava seguir por essa lógica mesmo. E ainda tem o fato incontestável que Agents of S.H.I.E.L.D. sem Fitz perde a metade da graça…

O epílogo, muito bem trabalhado para parecer uma despedida a Fitz, mas que, na verdade, logo se converte em uma despedida muito mais relevante ao líder da equipe, é um momento acridoce muito delicado que traz de volta aquela bela união que o grupo sempre teve, mas com personagens fundamentalmente diferentes do que vimos no início. É um testamento à qualidade da série quando olhamos para o rosto de cada um ali naquela pequena reunião e pensamos em tudo que eles passaram e o quanto cada um cresceu e se desenvolveu. Não tenho dúvidas que os fãs da série tiveram a mesma vontade de participar daquele brinde que eu tive, com o momento também lembrando-me da mais do que bela despedida de Hunter e Bobbi da série. Apenas espero que os showrunners não caiam na tentação de trazer Coulson de volta…

Alguns poderão reclamar que a pouca ligação com Guerra Infinita que a série chegou a ter desapareceu por completo aqui. Afinal, não vemos nenhum sinal das consequências da obtenção das joias do infinito por Thanos ao final do episódio como muita gente – inclusive eu! – especulou. Se isso me causou um estranhamento inicial, devo dizer que um pensamento prevaleceu sobre todos os demais: The End foi tão bom, mas tão bom, que o “estalar de dedos” poderia tê-lo estragado ou, na melhor das hipóteses, reduzido seu impacto. Como a próxima temporada só começa depois de Vingadores 4, tratar dos efeitos no episódio seria deveras inútil, mas, se os showrunners assim quiserem fazer, eles ainda terão essa chance, já que nada os impede de situar os primeiros episódios em algum momento antes do próximo filme de equipe do Universo Cinematográfico Marvel.

The End é o encerramento que os primeiros cinco anos de Agents of S.H.I.E.L.D. mereciam. Um episódio que mostra maturidade e inteligência nesta que, sem dúvida alguma, é a melhor série de super-heróis no formato de mais de 20 episódios da televisão. Se ele também marca o começo de um novo e potencialmente diferente futuro para a equipe, só o tempo dirá.

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Queria encerrar a crítica com um toque puramente pessoal. Aqueles que acompanham o Plano Crítico sabem que eu escrevo críticas e artigos para os mais variados filmes e séries com uma razoável frequência. Escrever para o site – um hobby para mim e para meus colegas – é um dos grandes prazeres de minha vida.

Mas escrever as críticas de Agents of S.H.I.E.L.D. é um negócio realmente diferente e especial. E não é porque a série é genuinamente boa, pois faço a crítica de outras obras que são muito melhores do que AoS. O que torna essas críticas grandes diferenciais para minha rotina semanal é a participação de vocês, leitores. Sim, pode parecer brega e lacrimoso, mas é a mais pura verdade: se a participação de leitores em comentários aqui no site é o que sempre nos motivou a continuar com nosso trabalho, a interação com vocês aqui nas críticas desta série é algo incrivelmente extraordinário.

Não falo só dos elogios, que vêm em boa quantidade e que eu tento agradecer religiosamente, mas especialmente da conversa, da troca de ideias, da excitação ou desapontamento coletivo sobre esse ou aquele episódio ou situação, das correções de erros, do compartilhamento de teorias, das explicações, das discordâncias, das novidades que vocês me contam e dividem com os demais leitores e assim por diante. É de uma riqueza que não dá nem para colocar direito em palavras.

Nem tentarei citar nomes, pois minha idade avançada garante que deixarei alguém de fora e não quero nem me arriscar de cometer essa gafe. Mas vocês sabem quem são. A todos vocês – leitores fieis comentaristas ou silenciosos – fica um MUITO OBRIGADO de coração por essa honra que vocês me dão semanalmente. Tenham certeza de que não há preço para o que eu recebo de vocês e, confesso, já estou triste pelo tanto de tempo que ficarei longe desse grupo até a volta da série. Mas espero vê-los nas outras várias críticas que faço aqui no site. Grande abraço!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 5X22: The End (EUA, 18 de maio de 2018)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Jed Whedon
Roteiro: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Catherine Dent, Dove Cameron, Briana Venskus, Brian Patrick Wade, Spencer Treat Clark, Adrian Pasdar, Peter Mensah, Reed Diamond, Jake Busey
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.