Crítica | Ajuste de Contas

estrelas 0,5

A tentativa de reciclar o sucesso tanto de Rocky quanto de Touro Indomável é mais do que óbvia em Ajuste de Contas. O filme inventa uma premissa e um enredo a fim de colocar Stallone vs. De Niro de volta em dois de seus memoráveis papéis. O resultado é um completo desastre, quase um insulto aos filmes nos quais tenta subir nos ombros.

A história nos fala sobre Henry “Razor” Sharp (Sylvester Stallone) e Billy “The Kid” Mcdonnen (Robert De Niro), dois boxeadores rivais que chegam a ser comparados a Ali e Frazier. Os dois lutadores estavam em alta, ambos campeões de peso médio. Após uma vitória contra Kid, Razor, contudo, misteriosamente decide se aposentar do boxe, abandonando a partida de revanche de seu rival.

Trinta anos se passam e, aparentemente, toda a vida dos dois personagens gira em volta dessa grande decepção – pelo menos é isso o que o roteiro nos mostra. Nenhum dos dois superou os eventos transcorridos, mesmo após todo aquele tempo, tampouco o fizeram as pessoas às suas voltas. O início da trama toda gira em volta de diversos elementos que muito convenientemente surgem a fim de vermos a famosa revanche. É tudo muito forçado e artificial, desde as relações entre os personagens, até os próprios eventos transcorridos.

Quando Kid e Razor se reencontram, o roteiro cai ainda mais no previsível, continuando sua artificialidade. Temos as cenas de treinamento, piadas de velho até que chegamos, é claro, ao ponto no qual os dois voltam a ser exímios boxeadores. Nesse ponto fica clara o desconforto de ambos os atores que parecem forçados a cumprirem aquele papel, trazendo uma relação totalmente sem emoção entre os lutadores.

Já com os problemas acima o roteiro ainda tenta forçar um triângulo amoroso entre os personagens principais e uma mulher de seu passado – que, convenientemente, decide retornar após trinta anos sem falar com qualquer um deles. Não contente com essa outra relação artificial, Kid ainda se encontra pela primeira vez com seu filho (dessa mesma mulher) e neto. Nesse ponto, contudo, vem uma surpresa – é o único momento do filme que sentimos um verdadeiro vínculo. Isso se dá graças à atuação de Jon Bernthal (o Shane de The Walking Dead) que consegue reproduzir diversos dos trejeitos de De Niro.

Isso não é, contudo, o suficiente para levar o filme e na metade da projeção já ansiamos pelo seu término. É um longa completamente desnecessário que nada mais quer que sugar bilheteria através de uma tentativa de reviver Rocky e Jake La Motta. Façam a si mesmos um favor e (re)assistam os clássicos ao invés de perder tempo com Ajuste de Contas.

Ajuste de Contas (Grudge Match, Estados Unidos, 2013)
Direção: Peter Segal
Roteiro: Tim Kelleher, Rodney Rothman
Elenco:  Robert De Niro, Sylvester Stallone, Kim Basinger, Jon Bernthal, Kevin Hart, Alan Arkin
Duração: 113 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.