Crítica | Akira Kurosawa – My Life in Cinema

estrelas 4

Com um bom roteiro, um bom diretor pode produzir uma obra de arte. Com o mesmo roteiro, um diretor medíocre pode produzir um filme passável. Mas com um roteiro ruim até um bom diretor não consegue fazer um bom filme. Para a expressão verdadeiramente cinematográfica, a câmera e o microfone devem ser capazes de atravessar tanto o fogo como a água. O roteiro deve ser algo que tem o poder de fazer isso.

Akira Kurosawa

Durante quase duas horas, Nagisa Ôshima entrevista Akira Kurosawa neste documentário feito para a TV e produzido pela Liga de Diretores do Japão, em 1993. A conversa entre os dois cineastas gira em torno da produção artística e carreira no cinema, e há momentos em que Ôshima deixa de ser apenas entrevistador para também compartilhar suas experiências como realizador e também mestre do cinema japonês.

Kurosawa fala pausadamente, ouve as perguntas com paciência e responde de maneira honesta e bem humorada, contando eventos dos bastidores de seus filmes, os percalços familiares durante a infância, o acaso que o levou ao cinema, a paixão gerada pelas muitas sessões vistas com a família e os filmes indicados por seu irmão Heigo, que acabaria se suicidando quando se viu sem emprego após a invasão dos filmes falados no Japão. Kurosawa se mostra aquilo que seu pai e os militares diziam dele na infância e na juventude: um homem sensível. Sua percepção de mundo e os motivos dramáticos que constituem a maioria de seus roteiros provam isso.

Kurosawa explica a sua relação com os censores militares durante a Guerra e conta com amargura como teve uma série de roteiros impedidos de serem filmados, além do embargo feito ao seu terceiro filme, Os Homens Que Pisaram na Cauda do Tigre (1945), mesmo que nessa época a força dos censores já tivesse sido retirada.

Outros grandes diretores do auge do cinema japonês como Kenji Mizoguchi, Mikio Naruse e Yasujiro Ozu também aparecem nas memórias de Kurosawa. É com muito afeto que o diretor relembra do período em que esteve em atividade com esses diretores e como houve uma grande ajuda mútua e aprendizado entre eles. Conhecemos até um caso em que Ozu salvou um filme de Kurosawa da censura.

Muito mais que uma simples entrevista, esse programa apresenta detalhes importantíssimos da vida e carreira de Akira Kurosawa, comentários e eventos de bastidores sobre os filmes A Saga do Judô, Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre, O Anjo Embriagado, O Idiota, A Fortaleza Escondida, Madadayo, Os Sete Samurais, Sonhos, Anatomia do Medo, Homem Mau Dorme Bem e Rapsódia em Agosto. Por fim, a pedido de Ôshima, Kurosawa dá alguns conselhos aos novos diretores do cinema japonês. Dentre esses conselhos, há o pedido para que esses jovens mergulhem na literatura (principalmente nos clássicos), tenham paciência na escrita, façam filmes sobre coisas importantes e não apenas sobre imposições monetárias dos estúdios e escrevam muito, todos os dias. Eis a receita do Mestre com uma lista de itens que deveriam ser observados por todos os que fazem cinema. Se assim fosse, a nossa sétima arte estaria hoje em melhores lençóis.

Akira Kurosawa – My Life in Cinema (Waga eiga jinsei) – Japão, 1993
Direção: Nagisa Oshima
Duração: 119 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.