Crítica | Albergue Espanhol

estrelas 4

Xavier é um jovem francês que estuda economia. O rapaz descobre que precisa aprender a falar espanhol quando um amigo de seu pai oferece uma excelente proposta de emprego para analisar a economia espanhola. Que solução seria melhor para um jovem ao fim do curso de faculdade senão morar um ano em Barcelona durante um programa de intercâmbio?

Ao chegar em solos europeus, Xavier encontra morada em um albergue de estudantes de diversos países. É desse contato intenso entre diferentes pessoas e diferentes culturas que se constroem as maiores experiências na vida do rapaz. Deixando na França antigos costumes, e convívios de seu antigo ciclo social que incluem uma ex-namorada um tanto neurótica, Xavier cria novas relações, dilemas em sua nova vida na Espanha.

Assistir a Albergue Espanhol é compreender os anseios do protagonista e do diretor do filme na mesma medida. A comédia magistralmente pensada reflete um intenso trabalho de imersão. Fica claro que por trás da genial composição de Cédric Klapisch há uma pesquisa de campo que busca dar sentido às buscas de Xavier. O longa traduz a realidade de muitos intercambistas e mochileiros desde os problemáticos processos burocráticos até as mais divertidas situações resultantes do estranhamento cultural.

A construção narrativa do filme é interessante, tanto no roteiro quanto em seus aspectos plásticos. Klapisch consegue colocar a poética e ludicidade em um cenário real e palpável. Aqui vemos diferentes Barcelonas. A do Xavier recém-chegado, a de Klapisch, a do Xavier ao fim do intercâmbio e a Barcelona do espectador.

O filme, ainda que de maneira pouco aprofundada, consegue trabalhar as relações sociais em questão. A evolução do protagonista ao longo da narrativa é um ponto alto. Talvez a falha do filme esteja na falta de complexidade que se percebe em alguns personagens, mas nada que um bom elenco não consiga contornar.

Albergue Espanhol é mais que uma comédia. O longa é um instrumento interessante de análise social que mostra a apreensão feita por Klapisch à realidade em voga. O longa é obrigatório a todos os mochileiros, viajantes e àqueles de espírito aventureiro.

Albergue Espanhol (L’auberge Espagnole, França/Espanha, 2002)
Direção: Cédric Klapisch
Roteiro: Cédric Klapisch
Elenco: Romain Duris, Judith Goudrèche, Audrey Tautou, Cécile De France, Kelly Reilly, Cristina Brondo, Frederico Danna, Barnaby Metschurat
Duração: 122 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.