Crítica | Além da Fronteira

estrelas 3

Além da Fronteira utiliza a trama de Romeu e Julieta, colocando no lugar dos personagens principais um Israelense e um Palestino. Aproveita isso para tratar não só da situação entre os dois povos, mas também para questionar a homofobia encontrada dos dois lados.

A história gira em torno de Nimr, um rapaz palestino que, ao sair uma noite em Tel Aviv acaba conhecendo Roy Schaeffer. Não é preciso dizer que logo os dois se apaixonam e passam a se encontrar frequentemente em Israel. Isso se amplifica quando Nimr acaba conseguindo um passe de estudante que o permite atravessar legalmente a fronteira.

Os problemas para o casal começam a surgir quando descobrimos que o irmão de Nimr é parte de um grupo terrorista Palestino e começa a guardar armas na própria casa da família. Além disso, no primeiro encontro com a família de Roy, fica claro a relutância do pai e da mãe (principalmente) em relação ao namorado Palestino do filho. A partir desse ponto é uma série de problemas que passam a surgir na vida de Nimr, começando pelo seu passe que é revogado pela inteligência Israelense que deseja informações do garoto.

O filme constrói muito bem a vida de Nimr e o fato de que sua família não pode, em hipótese alguma, descobrir sobre sua homossexualidade. Isso levaria à morte do rapaz pelas mãos dos próprios palestinos. A maior tensão gira em volta do futuro de Nimr que está na balança, devido ao fato de ter perdido o passe. Com a progressão da história, contudo, a própria vida do menino fica em risco.

O problema de Além da Fronteira está na artificialidade da relação entre os dois rapazes. Não só os dois atores não transmitem a menor veracidade, como o próprio roteiro acaba deixando essa uma relação superficial – um simples namoro raso que tenta se passar por algo mais profundo. A montagem, algumas vezes confusa, também não ajuda, não passando a menor noção de passagem de tempo – fator necessário para o amadurecimento da relação. Essa artificialidade acaba deixando a relação dos dois em segundo plano, quase perdendo a relevância e serve somente como estopim para os acontecimentos do longa.

O mérito do filme está na retratação neutra tanto de Israel quanto da Palestina. Não há lado bom e ruim, tudo permanece naquela área cinzenta, sem maniqueísmos. Esse fator é ainda mais ampliado pela semelhança entre Roy e Nimr – muitas vezes parecem pertencentes ao mesmo povo.

Com um romance que poderia ter sido melhor trabalhado, Além da Fronteira não deixa a desejar no quesito da tensão. É um bom filme para levantar questionamentos em relação a homofobia e o caso Israel x Palestina. Possui uma trama bem elaborada com alguns deslizes no caminho, mas sem se perder no meio.

Além da Fronteira (Out in the Dark, Israel/ Palestina/ EUA – 2012)
Direção: Michael Mayer
Roteiro: Yael Shafrir, Michael Mayer
Elenco: Nicholas Jacob, Michael Aloni, Alon Oleartchik
Duração: 96 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.