Crítica | Alfred Hitchcock Presents – 1ª Temporada

estrelas 4

A primeira temporada de Alfred Hitchcock Presents acompanhou a fase cinematográfica do Mestre do Suspense durante os filmes Ladrão de Casaca, O Terceiro Tiro, O Homem Que Sabia Demais (1956) e O Homem Errado. Dentro desse ambiente de bons filmes com temáticas internas distintas – apesar de estarem dentro do mesmo gênero –, podemos ver Alfred Hitchcock Presents como um interessante componente do suspense hitchcockiano, aqui apresentado de forma breve e com uma ótima linha de humor firmada pelo prólogo e epílogo dados pelo próprio Mestre (daí o nome do programa), cujos monólogos ácidos e provocativos eram escritos por James B. Allardice e sempre estavam dentre as melhores coisas dos episódios.

Após ser bastante assediado no início dos anos 50 para que produzisse alguma coisa para a televisão, Hitchcock firmou contrato com a CBS (passado posteriormente para a NBC), e aceitou produzir uma série que tivesse episódios de suspense como principal guia e que fosse coproduzida pela companhia do diretor. Resolvidas as negociações contratuais, ficou combinado que ele iria dirigir pelo menos um episódio por temporada e que apresentaria e encerraria todos os capítulos, fazendo comentários jocosos sobre a trama, encenando situações cômicas e perigosas ou brincando com a própria dinâmica da TV, dando a deixa para os comerciais e criticando o produtor do show, ou seja, ele mesmo.

Com 39 episódios de 25 minutos, essa 1ª Temporada da série é uma verdadeira epopeia para o público e um agitado mar de descobertas de possibilidades para histórias no estilo “quem matou?” ou “onde está?” ou “tal pessoa será punida?”, etc. Boa parte dos capítulos são adaptações de contos, crônicas, peças ou livros e os roteiristas e diretores tinham certa liberdade para manipular o original e inserir elementos únicos a seu bel prazer, até porque não existiam nenhuma ligação entre os episódios, fazendo da série um legítimo (mas muito bem conduzido) “caso da semana”.

A vinheta de abertura do programa é a Marcha Fúnebre para uma Marionete do compositor Charles Gounod, tocada enquanto a silhueta de Hitchcock, desenhada por ele mesmo, aparecia na tela e então dava lugar ao cenário em que o diretor em pessoa faria o monólogo da semana. Daí seguia o episódio, que muitas vezes não trazia um final fechado, deixando para o epílogo do diretor a narração sobre a punição do crime.

A maior parte dos episódios são muito bons, alguns bem assustadores, outros com excelentes tramas humanas, de suspense ou de relações sociais — há até um tocante e inesquecível episódio sobre os impactos do alcoolismo na vida de uma pessoa, uma das melhores coisas que eu já vi a respeito na TV.

Apenas alguns poucos capítulos podem ser considerados fillers (um triunfo para uma temporada com 39 episódios!) e a esmagadora maioria traz um viés de humor negro em seu roteiro e digo isso não apenas me referindo à parte de Hitchcock como apresentador. Destacam-se aqui a marca pessoal de cada diretor e o trabalho da equipe de produção, esta última, com um número recorde de acertos, principalmente se considerarmos que há uma colossal variedade de histórias e cada uma delas é ambientada em um cenários e tempos diferentes, portanto, com níveis diferentes de exigências técnicas.

O último episódio desta 1ª Temporada de Alfred Hitchcock Presents não apresenta nenhum tipo de cliffhanger ou fechamento temático o que deixa tudo um pouco estranho para o espectador porque não sinaliza o final de uma temporada. Mas isso é apenas um detalhe dentre tantos outros, positivos ou negativos, que vimos durante este primeiro ano do programa.

Com narrativas dinâmicas e uma forma bastante ousada de trabalhar o suspense, a série começou sua longa jornada de 7 anos com o pé direito. Definitivamente, mais um triunfo de Alfred Hitchcock.

Alfred Hitchcock Presents – 1ª Temporada (EUA, 1955 – 1956)
Direção:
Alfred Hitchcock, Robert Stevens, Don Medford, Robert Stevenson, Justus Addiss, Don Weis, Francis Cockrell, James Neilson, Herschel Daugherty, Arnold Laven
Roteiro: Francis Cockrell, Harold Swanton, Dick Carr, Robert Dennis, Marian Cockrell, Fred Freiberger, Louis Pollock, Robert Blees, Eustace Cockrell, Ray Bradbury, Mel Dinelli, Andrew Solt, Victor Wolfson, Gwen Bagni, Irwin Gielgud, Stirling Silliphant, Sarett Rudley, James Cavanagh, Bernard C. Schoenfeld
Elenco: Diversos.
Duração: 25 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.