Crítica | Doctor Who: Algo Emprestado, de Richelle Mead

estrelas 4

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço-tempo: Planeta Koturia, século XXII

Em Algo Emprestado, O 6º Doutor e Peri chegam ao planeta Koturia, cuja organização arquitetônica e, em alguns aspectos, sociais, se parecem bastante com a da cidade de Las Vegas, Estados Unidos. A explicação para essa estranha semelhança aparece de forma simples e convincente neste conto de Richelle Mead: os Koturianos estiveram na Terra do século XX e se encantaram com a luminosidade e agitação da cidade que tomaram para sua própria civilização o mesmo modelo.

Narrada sob a perspectiva de Peri, a aventura de Algo Emprestado traz a Time Lady Rani como vilã, e devo dizer que esta foi uma excelente escolha da autora, que parece ter feito muito bem a lição de casa, tanto na pesquisa sobre a mitologia da série quanto no entendimento da personalidade do 6º Doutor – um dos mais difíceis de se escrever sobre –, que ganha, em sua narrativa, uma excelente figuração.

A história começa com um mistério que nos engana: o Doutor e Peri presenciam Pterodáctilos atacando pessoas assim que chegam a Kutoria. Mas as coisas não estão exatamente ligadas a esse preocupante problema inicial. Elas são ainda mais preocupantes.

Ao invés e criar todo um mistério em relação aos animais e o que estavam fazendo ali, Richelle Mead aposta em um drama urbano, destacando com bom humor os costumes dos nativos, a revelação verdadeira da visita do Doutor ao local e como ele inicia o processo de investigação do mistério pré-histórico.

É interessante vermos o comportamento do 6º Doutor mostrado com bastante veracidade, um dos pontos de maior destaque do conto. O mesmo vale para a presença de Rani, seu amor pela ciência, seus experimentos e a abertura para que o leitor possa fazer diversas comparações históricas com o modo de pensar da Time Lady que, a despeito das vidas afetadas por seus projetos, coloca a ciência e todo o processo de descobertas científicas acima de tudo.

A gallifreyana acaba encontrado em Koturia uma possibilidade que certamente atrairia uma pessoa como ela: e se os Time Lords pudessem controlar plenamente a aparência em seu processo de regeneração? O conto cerca essa interrogação com uma interessante semelhança no amadurecimento amoroso dos nativos de Koturia, o chamado “Faseamento”, e a mutação dos Time Lords. Mesmo sendo uma narrativa pequena, a autora consegue dar conta de toda a carga “teórica” que o impasse poderia trazer e, mesmo apressando as coisas ao final, nos traz um término condizente com o restante da trama.

Algo Emprestado é um conto que poderia facilmente ser visto como um episódio ou arco da Série Clássica à época do 6º Doutor. Suas frases de efeito, o tipo de vilão, o encadeamento da trama e a relação entre o Time Lord e sua companion são muito parecidos com o material que a BBC produzia à época e isso demonstra um exercício literário de grande valor. Richelle Mead soube criar uma boa realidade de ficção científica unindo objetos e espaços improváveis, entregando-nos uma história engraçada e bem contada, uma típica pequena história do Doutor.

.

Richelle Mead fala sobre o projeto

Algo Emprestado (Something Borrowed) – Reino Unido, 2013
Autora:
Richelle Mead
Editora: Puffin Books
Lançamento no Brasil: 12 Doutores, 12 Histórias, 2014 (Editora Rocco)
Tradução: Marcelo Barbão
Páginas: 40

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.