Crítica | Alien – A Ressurreição

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estrelas 2

Obs: Há spoilers. Clique, aqui, para ler todo nosso material da franquia Alien.

A via crucis de Ripley (Sigourney Weaver) acaba em Alien – A Ressureição, pelo menos até segunda ordem. De caminhoneira espacial, ela é transformada em sobrevivente, depois em combatente, depois em mãe de monstro alienígena e, agora, fechando o círculo, ela própria se torna um monstro alienígena. Apesar de Alien 3 e Alien – A Ressureição serem filmes muito aquém dos dois primeiros, a evolução do personagem é inegavelmente muito interessante e, até, inovadora e corajosa.

Outro aspecto que destaca a chamada “quadrilogia” Alien é a capacidade dela revelar novos diretores. Alien foi o segundo filme de Ridley Scott e o que verdadeiramente deu o impulso necessário à sua carreira. Aliens, O Resgate, por sua vez, transformou o diretor de Piranhas 2 e de O Exterminador do Futuro no Rei do Mundo (e de Pandora também). Alien 3, apesar de todos os problemas na produção, revelou David Fincher, um dos melhores cineastas americanos da atualidade. Por último, mas não menos importante, o quarto filme da série mostrou para o mundo, de uma vez por todas, o potencial do francês Jean-Pierre Jeunet, que já havia dirigido Delicatessen e Ladrão de Sonhos, mas ainda não tinha alcançado o status que alcançaria em seguida a Alien – A Ressureição, com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Eterno Amor e Micmacs.

Quando o filme começa, duzentos anos se passaram. A toda-poderosa corporação Weyland-Yutani não mais existe. Vemos Auriga, uma nave militar científica, sendo abordada por mercenários da nave Betty, que traz um carregamento de seres humanos para serem usados em experimentos. Somos apresentados a Johner (Ron Perlman) e à calada Call (Winona Ryder), além do resto do grupo de bandidos espaciais. Quando Call vê a recém-clonada Ripley, ela lembra de alguma coisa e passa a desconfiar da ex-heroína. Ripley, por sua vez, está estranha. Lembra-se pouco de seu passado, tem poderes especiais oriundos da fusão de seu DNA com o da Rainha Alien que crescia em seu corpo no filme anterior e, também, uma estranha conexão com os aliens que resultaram da clonagem da rainha. Está formado, assim, o campo de batalha. O que segue, claro, é um banho de sangue ao longo de uma fuga desesperada.

Joss Whedon, já vindo de uma fama relativa como escritor do filme Buffy – A Caça Vampiros e como um dos vários roteiristas de Toy Story, assinou essa fita. Conhecendo Whedon como hoje o conhecemos, é possível notar que talvez os dois melhores momentos da obra tenham vindo dele.  O primeiro deles é a cena da fuga dos aliens da jaula. Estabelecendo a altíssima inteligência dos monstros e todo seu instinto selvagem de sobrevivência, vemos um deles ser morto pelos demais de forma que o sangue ácido do falecido liberte-os do cativeiro. O segundo momento mostra uma perseguição aquática. É a primeira que vemos os bicharocos nadando e a cena é realmente muito bem executada. No entanto, a criatividade de Whedon, ainda não totalmente solta, para por aí.

O que testemunhamos em seguida, portanto, é o desmoronamento de seu roteiro, com a clara perda do norte. A relação de Ripley com Call se intensifica e uma nova conexão mãe-filha começa a formar-se, mas a trama, ao contrário, começa a mostrar sinais de que o filme precisou receber enxertos para conseguir ultrapassar os 100 minutos de projeção. E tudo culmina em um final que, apesar de ter uma proposta interessante, é mal desenvolvido, apressado e acaba traindo tudo o que veio antes. E não ajuda nada o fato de o design da criatura final ser a antítese de tudo que H.R. Giger legou para o mundo das monstruosidades  cinematográficas.

As atuações, por sua vez, são as mais rasas possíveis. Weaver, obviamente já muito acostumada com seu papel, faz uma Ripley quase robótica, talvez pela natureza híbrida de seu personagem. Acontece que Ripley não é um robô, mas Weaver fica presa nessa espécie de limbo de atuação, sem conseguir se achar. Ron Perlman é Ron Perlman, sempre divertido, mas seu personagem é, apenas, padrão de filmes do gênero. Ryder faz o papel mais intrigante do filme, mas ela acaba sendo sub-aproveitada por Jeunet.

A Ressureição quase consegue acabar a série de forma minimamente digna, mas derrapa tanto em seu final que não consegue ultrapassar a mediocridade de seu antecessor. Outra oportunidade desperdiçada.

*Crítica originalmente publicada em 14 de junho de 2012 (atualizada e corrigida).

Alien – A Ressurreição (Alien: Ressurection – EUA, 1997)
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Joss Whedon
Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Ron Perlman, Dominique Pinon, Gary Dourdan, Michael Wincott, Kim Flowers, Dan  Hedaya
Duração: 109 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.