Crítica | Alien vs. Predador

estrelas 0,5

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No início dos anos 2000, após o fracasso (em todos os sentidos) de Alien: A Ressurreição, a franquia criada por Ridley Scott estava morta e enterrada e permaneceria assim, até Prometheus, caso Paul W.S. Anderson, responsável pela adaptação cinematográfica de Resident Evil, não tivesse decidido utilizar a ideia dos quadrinhos de juntar os xenomorfos com Predador em Alien vs. Predador. O grande problema é que Anderson, em toda a sua carreira, jamais nos entregou um filme que fosse minimamente bom e, surpreendentemente, mesmo com as expectativas muito baixas, ele consegue nos surpreender negativamente.

O roteiro, também de W.S. Anderson, é um amontoado de clichés e elementos genéricos reciclados de Resident Evil. Quando um dos satélites da Weyland Industries capta uma fonte de calor bem abaixo da superfície em uma região inabitada da Antártica, a companhia contra um grupo de indivíduos para explorar a pirâmide subterrânea que descobrem nesse local. Liderados por Alexa Woods (Sanaa Lathan) a equipe encarregada da exploração descobre que essas ruínas são uma estrutura ritualística, que abriga alienígenas mortais. Para piorar sua situação, outros seres do espaço chegam à Terra para iniciar uma caçada naquele lugar.

Fica bastante claro o quanto o diretor e roteirista se apoiou em Resident Evil para compor essa sua obra. Mais de uma vez vemos os personagens sendo situados dentro dessa grande estrutura subterrânea através do foco em um mapa holográfico vermelho. Anderson repete isso mais de uma vez através de inserções desnecessárias, mostrando o ponto de vista, brevemente, dos Predadores, o que apenas funciona para acabar com qualquer tensão no espectador, já que sabemos exatamente o que está indo em direção ao grupo de exploradores. O texto ainda utiliza o velho elemento dos “deuses astronautas”, criando um plano de fundo que simplesmente não funciona e nos distancia do foco da obra.

Seria injusto colocar a culpa desse grande fracasso apenas nesse deslize, afinal, de início já não nos importamos nem um pouco com os personagens centrais da história, todos rasos, sendo muito mal trabalhados ao longo da trama, servindo apenas como bucha de canhão, feitos para que o longa contasse com algumas mortes antes de seu clímax. Anderson tenta construir um filme de terror, utilizando a clássica linguagem que oculta os alienígenas até que eles estejam prontos para matar os pobres humanos. Qualquer possível medo, contudo, é estragado em razão do uso contínuo de clichés que tornam a trama extremamente previsível, chegando ao ponto do ridículo.

Vez por outra, contudo, o diretor abandona o gênero e parte para a ação, o que demonstra ser uma tragédia ainda maior. Primeiro temos o uso excessivo da computação gráfica em alguns trechos, garantindo uma gigantesca artificialidade à imagem, principalmente agora, mais de dez anos desde o lançamento. Para piorar, há o uso desenfreado de cortes e enquadramentos muito fechados, tornando a projeção uma verdadeira bagunça nessas situações, a tal ponto que rezamos para que a ação, enfim, seja interrompida. O único ponto no qual ela chega a funcionar é próximo ao desfecho da obra, mas, quando chegamos lá, já estamos cansados de tudo o que vimos até então.

Alien vs. Predador é mais uma prova de que Paul W.S. Anderson jamais dirigira algo bom. Trata-se de uma amálgama de elementos que apenas cansam o espectador, um verdadeiro desserviço às duas franquias que inspiraram essa união, não servindo como filme de terror, nem de ação. A franquia Alien não deveria ter sido desenterrada ainda (para dizer a verdade, nem com Prometheus isso deveria ter acontecido) e, ironicamente, depois de assistir Alien vs. Predador, nossa vontade é justamente a de enterrar essa tragédia em forma de longa-metragem.

Alien vs. Predador (AVP: Alien vs. Predator) — EUA/ Reino Unido/ República Tcheca/ Alemanha/ Canadá, 2004
Direção:
 Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Sanaa Lathan, Lance Henriksen, Raoul Bova, Ewen Bremner,  Colin Salmon, Tommy Flanagan, Joseph Rye,  Agathe de La Boulaye
Duração: 101 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.