Crítica | Aliens vs Predador (Minissérie Original)

Depois de adquirir as licenças das franquias Alien e Predador da Fox e de apresentar os personagens separadamente, em publicações próprias, não demorou para a Dark Horse Comics colocar em rota de choque os dois mais icônicos alienígenas do cinema. A iniciativa foi tão bem sucedida que Aliens vs Predador tornou-se praticamente um “selo” da editora, com um sem-número de publicações quase ininterruptas a partir de meados de 1990.

Mas, para testar terreno, a empresa usou como veículo sua publicação Dark Horse Presents, em preto-e-branco e em formato de antologia, com diversas pequenas histórias. A estratégia, comum nos anos 70 na Marvel Comics e DC Comics, deu-se ao longo das edições #34 a 36 da referida publicação, com breves histórias abrindo as referidas edições, com a primeira focando nos Aliens, a segunda nos Predadores e, a terceira, finalmente,no embate mortal. Mais tarde, essa pequena narrativa de pouco mais de 30 páginas no total foi reunida como uma história só, ganhou um banho de cores por Monika Livingston e passou a ser a primeira edição – como um prelúdio – da primeira minissérie Aliens vs Predador.

Por mais que tenham sido originalmente publicadas separadamente, a grande verdade é que a história escrita por Randy Stradley e desenhada por Phil Norwood é una, absolutamente indivisível, mas também extremamente engenhosa em sua construção. A primeira edição nos apresenta aos ovos dos facehuggers sendo extraídos de uma rainha Alien por um maquinário misterioso que os envia para diversos planetas. Na segunda, vemos os Predadores disputarem entre si os direitos de determinados territórios para a grande caçada. E, finalmente, na terceira, vemos a efetiva caçada.

A grande jogada dessa história é que ela é narrada a partir do diálogo entre dois humanos na nave de transporte comercial The Lector, que transporta carga viva do planeta Ryushi à Terra. Não vemos os personagens, apenas a nave e, mesmo assim por apenas uma página. O diálogo entre os dois, que discutem sobre as implicações práticas, éticas e morais de se interferir ou não nos ecossistemas de outros planetas para beneficiar nosso planeta neste futuro distante em que, aparentemente, os recursos naturais da Terra esgotaram-se.

Apesar da conversa não ter relação alguma com os alienígenas – que eles ignoram completamente – ela serve de comentário ao que vemos se desenrolar nos desenhos, ou vice-versa, em uma excelente e surpreendentemente fluida correlação que Stradley e Norwood estabelecem de forma ritmada e inteligente. É um daqueles exemplos de uma boa ideia muito bem executada e de texto e arte que se retroalimentam sem falhas.

Claro, não é uma história particularmente complexa, mas que é muito eficiente em trabalhar exatamente cada grupo de alienígenas, com suas características principais tornadas claras mesmo para quem nunca antes ouviu falar dos monstros. Mas a arte de Norwood prende e facilita ainda mais a leitura e, arrisco dizer, seria compreensível mesmo sem o texto, tamanho é seu controle da progressão narrativa. Não há muitos detalhes de fundo e seu traços tendem a ser simples, pelo que a versão colorida funciona melhor do que a original em preto-e-branco, tornando mais fortes as separações entre planos.

A primeira minissérie de Aliens vs Predador, depois transformada no prelúdio de uma história maior passada no planeta Ryushi e que não se conecta diretamente a ela, é um raro exemplo de um trabalho que tinha toda a chance de ser uma leitura esquecível, exatamente por sua natureza de “teste”. Mas, muito ao contrário, Stradley e Norwood fazem algo quase experimental e definitivamente fascinante. Leitura imperdível!

Aliens vs Predador (Aliens vs Predator, EUA – 1989/90)
Contendo: Dark Horse Presents #34 a 36 (apenas a primeira história de cada edição)
Roteiro: Randy Stradley
Arte: Phil Norwood
Arte-final: Karl Story
Cores (na segunda versão): Monika Livingston
Letras: Pat Brosseau
Editora original: Dark Horse Comics
Data original de publicação: novembro de 1989 a fevereiro de 1990
Páginas: 34

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.