Crítica | All-New X-Men # 1 – Marvel NOW!

All-New X-Men é a grande aposta do projeto Marvel NOW!. Brian Michael Bendis, o autor que, sozinho, foi responsável por oito impecáveis anos de histórias do Homem-Aranha do Universo Ultimate, passa a escrever a principal revista dos adorados mutantes e ele promete muita movimentação.

Além disso, para realmente não arriscar, a Marvel combinou a escrita pop esperta de Bendis com os belos traços de Stuart Immonen, responsável pela arte de diversos arcos do Universo Ultimate tanto de X-Men quanto do Homem-Aranha e Quarteto Fantástico.

A partir daqui, cuidado quem quiser surpresa total, pois alguns SPOILERS dos acontecimentos de Vingadores v. X-Men são inevitáveis.

A batalha entre os dois super-grupos da Marvel acabou. Cíclope foi responsável por um assassinato enquanto controlado pela Força Fênix e, agora, é execrado por seus colegas. Juntamente com Magneto e Emma Frost, ele parte pelo mundo para recrutar novos mutantes, pois o gene X foi novamente despertado depois que a Força Fênix foi dispersada, revertendo o quadro criado Feiticeira Escarlate no dramático evento House of M, não por acaso escrito por Bendis, que quase acabou com os mutantes. Do outro lado, os mutantes da Escola Jean Grey, comandados por Tempestade (Wolverine está misericordiosamente fora dessa revista, mas tenho certeza que ele dará as caras muito em breve) têm que decidir entre interferir com as práticas de Cíclope, arriscando outra guerra civil mutante ou deixar que ele continue, o que fatalmente afetará a já combalida reputação dos mutantes.

Hank McCoy, por seu turno, está sofrendo mais mutações. Dentre todos os mutantes do Universo Marvel, o coitado do Fera é o que mais sofre alterações genéticas. No entanto, dessa vez ele acha que seu corpo não aguentará e ele está mais taciturno do que nunca. Sabe que entrar em guerra com Cíclope de nada adiantará e que talvez a única solução seja colocar frente a frente o Cíclope em começo de carreira com o atual. Entra, então, o artifício da viagem no tempo.

E, como vocês sabem, qualquer coisa com viagem no tempo fica boa, não é mesmo? Escrevo em tom de brincadeira, mas, se pensarmos, notaremos que linhas narrativas em filmes, séries de TV e quadrinhos que brincam com a temporalidade são quase que automaticamente excitantes, ainda que, hoje, seja um artifício tão universalmente usado e prostituído que ele não choca mais. No entanto, Bendis parece saber disso e usa a viagem no tempo de maneira tão simplista e natural, sem chamar muita atenção para a questão, que o clichê funciona mais uma vez. Afinal de contas, viagens no tempo e universos paralelos são dois aspectos tão ligados à mitologia dos X-Men que ver um dos dois sendo usados pela enésima vez não machuca.

Com isso, no lugar de usar única e exclusivamente a viagem no tempo como foco desse primeiro número, Bendis abre várias frentes: temos um violento Cíclope de um lado, corroído pela culpa e procurando redenção desesperadamente; temos Tempestade (e eventualmente Wolverine) dividida entre interferir ou não e temos o Fera aparentemente moribundo agindo individualmente, sem avisar aos demais, para recrutar os X-Men originais (com aqueles uniformes amarelos e azul clássicos) de forma que eles possam trazer equilíbrio para a situação.

Não precisamos de muito para imaginarmos o tamanho da confusão que virá a seguir e o potencial dramático da estrutura tripartite montada por Bendis. Se ele não se fiar o tempo todo em viagem no tempo e concentrar-se no batido conceito de “estranho em uma terra estranha” e também no conflito interior de Cíclope, muito provavelmente teremos, nos meses seguintes, o melhor arco envolvendo unicamente os X-Men em muitos anos.

Immonen dá um show com sua arte detalhada e distribuição de quadros fluida, em harmonia com a ação que vemos desenrolar perante nossos olhos. As splash pages são belíssimas e usadas cirurgicamente para o melhor efeito dramático possível.

All-New X-Men funciona como um número 1 deveria funcionar: permite que qualquer leitor pule para dentro da história sem ter que lidar diretamente com décadas de confusa cronologia sem, porém, trair os leitores fiéis.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.