Crítica | All-New X-Men # 2 – Marvel NOW!

Brian Michael Bendis esta à vontade escrevendo All-New X-Men. No segundo número da revista, ele já parte para fazer o que faz de melhor: diálogos espertos, bem bolados e bem pensados. E, na situação que ele criou, eles ficam ainda melhores.

No número passado, vimos o Fera voltando ao passado para trazer a equipe caloura dos X-Men para o presente, de forma que o Cíclope em começo de carreira possa convencer o Cíclope atual, amargurado e corroído por dentro, a parar de fazer besteira. Bendis focou na ação, pois ele precisou mostrar o que Cíclope vem fazendo juntamente com Magneto e Emma Frost e a reação do restante de seu ex-grupo, estupefatos com a situação no conforto da escola Jean Grey.

No segundo número, Bendis freia completamente qualquer semblante de ação e parte para longos diálogos expositivos. Primeiro vemos Fera, no passado, tentando convencer os X-Men originais a irem com ele para o futuro. O desespero do Fera original, ainda de aparência humana e sem pelos azuis, com o que seu “eu” do futuro está fazendo com o continuum espaço-temporal é muito bem manejado por Bendis. O mesmo acontece com as reações dos demais heróis ainda adolescentes quando começam a descobrir, a conta gotas, o que acontecerá com eles no futuro. O Fera do presente tenta evitar contar muita coisa, mas, diante da relutância do grupo, acaba tendo que contar sobre Cíclope. As demais informações acabam vazando inevitavelmente.

Uma vez no presente, o conflito entre as duas versões das mesmas pessoas permite situações ainda mais inteligentes, que Bendis tira de letra. Sim, há muita leitura e nenhuma ação, mas isso é bom para variar um pouco da pancadaria incessante que marca os quadrinhos mainstream de hoje em dia, não é mesmo? E isso é especialmente verdade se o escritor conhece o material base e entende a confusa cronologia dos heróis e consegue, com isso, costurar uma narrativa fluida e natural, que expõe muita coisa sem parecer que está expondo.

Leitores novos ficarão especialmente gratos por esse trabalho de justaposição de passado e presente que Bendis faz. Aprendemos sobre o que os X-Men eram e o que eles hoje representam sem complicações, sem citações de eventos de décadas passadas, sem o chamado “techno-babble”. É simples: a escola de mutantes, agora, se chama Jean Grey. Isso quer dizer que, provavelmente, Jean Grey, no presente, está morta, não é mesmo? Não precisamos de muito mais do que isso para ver a reação da Jean Grey adolescente quando dá de cara com isso. Bendis não nos apresenta o óbvio de maneira óbvia e sim tecendo uma teia que faz todo sentido tanto para quem está chegando agora como para quem é leitor há décadas.

E a entrada de Wolverine é simplesmente brilhante. Exatamente por saber que ninguém mais aguenta a onipresença do baixinho canadense, Bendis contorce as “regras” e faz dele o alívio cômico do número, desnudando aquela “aura” de importante e invencível que ele tem. Não contarei detalhes, mas basta dizer que chega a dar vergonha alheia ao ver a que Wolverine é relegado.

E Stuart Immonen, no controle dos desenhos, é co-responsável pela bem-vinda ridicularização do diretor da escola Jean Grey. Dono de um traço lindo, Immonen apresenta Wolverine como uma fera facilmente domesticável, retirando-o da trama principal de maneira eficiente e crível. Mas o show mesmo fica com a comparação imediata entre a forma como ele desenha os X-Men atuais e os X-Men originais. Vemos, de um lado, a simplicidade de traços para os adolescentes, demonstrando, de certa forma, sua pureza e, de outro, uma complexidade maior para os heróis já calejados. E isso porque ainda não tivemos nenhum conflito efetivo entre os dois lados, algo que não deve tardar a acontecer.

Marte Gracia, nas cores, nos dá uma atmosfera de perigo, apesar da irreverência do texto de Bendis. O contraste é significativo, com pesados tons escuros ao longo de todo o número. Imagino que isso seja um prenúncio de graves consequências aos X-Men nos próximos números.

É ver para crer. Por enquanto, com a estrutura focada em diálogos de All-New X-Men, Bendis nos brinda com uma prazerosa leitura que, espero, não seja substituída por combates descerebrados.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.