Crítica | All-Star Western #10 e 11 [Primeira Aparição: Jonah Hex]

plano critico jonah hex quadrinhos

All-Star Western começou a ser publicada nos Estados Unidos em 1951, substituindo o título da revista All-Star Comics, que tinha como conteúdo principal a Sociedade da Justiça da América, aposentada na edição #57. O novo título herdou o cumulativo de publicações da All-Star, começando, portanto, do número #58 e durando até a edição #119. Na Era de Prata, mais precisamente em 1970, a DC Comics retomou a publicação, agora em seu segundo volume, destacando as aventuras de Pow-Wow Smith (já conhecido do Universo DC), Outlaw (Rick Wilson) e o primeiro El Diablo (Lazarus Lane), ambos estreando na revista. Foi apenas nas duas últimas edições, publicadas entre março e maio de 1972, que apareceu Jonah Hex.

A primeira descrição que o roteiro de John Albano nos dá do personagem é a seguinte: “assassino de sangue frio, perverso, possesso sem misericórdia e sem sentimentos, sem consciência… um homem consumido pelo ódio, um homem que carrega o mal… este é Jonah Hex“. Um currículo e tanto, não é mesmo? Pois bem, nas edições #10 e 11 da All-Star Western (que logo na edição seguinte traria outro nome, Weird Western Tales #12) temos as primeiras aparições deste personagem que ganharia diversas versões na História da DC, inclusive com viagens para o futuro e a escolha de um anel da Tropa dos Lanternas Negros, o que não é nada mal para um anti-herói cínico à la Homem Sem Nome, com metade do rosto deformado e vestindo uniforme dos Confederados da Guerra Civil Americana. Um pária por excelência.

Na primeira história em que ele aparece, Welcome to Paradise, há a entrega de dois bandidos que ele havia sido pago para caçar. O leitor demora uma página para entender o caráter violento, o pensamento estratégico, o sotaque peculiar e todos os ingredientes citados na narração de abertura da HQ. Temido e ao mesmo tempo necessário para os comerciantes da vila, Hex é um estorvo que eles precisam suportar até que o perigo seja afastado. Mas o uso é só da “mão de obra violenta” mesmo. A nata local não quer Hex por perto, vide as mentiras que contam quando o pistoleiro os sacaneia dizendo que quer comprar uma casa na cidade.

plano critico jonah hex atirando all star western

Bela arte de DeZuniga para uma cena de tiroteio. Reparem na excelente variação de movimento, equilíbrio e ocupação da página, especialmente do lado esquerdo.

Curiosamente o texto faz com que Hex encontre um garotinho bocudo que de alguma forma atrai o atormentado homem. E é neste ponto que temos uma abertura do leque emocional para o personagem. Em nenhum momento o leitor entende que o texto o está descaracterizando ou fazendo com que ele adote posturas mais calmas apenas porque está diante de uma criança que passou a admirar pela coragem que demonstrou, mesmo diante de alguém com um rosto como o de Hex. A arte sempre focada em movimento e equilíbrio dentro do quadro também reafirma essa posição de Jonah. Ele permanece um homem infame, mas demonstra algo a mais do que puro ódio, embora em nenhum momento queira admitir isso, o que é característica central da maioria dos personagens masculinos do Velho Oeste.

O final dessa edição de estreia tem algo que normalmente classificaríamos como “muito cruel”, mas rapidamente entendemos com quem estamos lidando, então a pequena frase dita ao garotinho que passou a ver o pistoleiro como herói é imediatamente compreendida. Já na segunda história, vemos uns problemas a mais na finalização. Enquanto na primeira existe o modelo básico das tramas de western, com o final solitário esperado (embora aqui fique muito claro que Hex havia se afeiçoado ao menino valente), a segunda história tem um término abrupto e um tanto destoante. O enredo é simples, um pouco parecido com as sagas de problemáticas para serem resolvidas rapidamente, como em Tex, mas seu final abre a porta do humor em uma hora onde não cabia humor. A cena não estraga a aventura toda mas também não dá o final que seria coerente ali, impactando de maneira negativa no núcleo da obra.

O trabalho artístico de Tony DeZuniga aqui é muito bom. Apesar da simplicidade geral, o artista compõe belos quadros grandes primando pela interação do indivíduo com o espaço, sempre em planos pequenos ou de detalhes. A valorização aqui é sempre a de expressões ou impactos imediatos no indivíduo, não na interação de cada um com a geografia local ou mostras de como esses espaços também funcionam como base narrativa. O fato de as histórias aqui serem curtas também contribuem para isso, mas não ressalto essa característica como um ponto negativo, porque o artista consegue trabalhar com bons outros elementos visuais para além do uso dramático do espaço.

plano critico jonah hex mostra o rosto

O primeiro close no rosto de Jonah Rex.

Com um resultado final bem acima da média em sua primeira história e uma excelente apresentação de possibilidades dramáticas para o futuro, Jonah Hex chega aos quadrinhos com o pé direito, apesar da parte final do conto The Hundred Dollar Deal. Daqui para frente seu nome estaria entre os mais respeitados (embora pouco conhecidos) personagens da DC Comics. Um dos principais pistoleiros que rondam o meio-oeste americano no século XIX da editora.

All-Star Western Vol.2 #10 – 11 (março e maio de 1972)
Roteiro: John Albano
Arte: Tony DeZuniga
Letras: John Costanza
Capas: Tony DeZuniga, Nestor Redondo
Editoria: Joe Orlando
48 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.