Crítica | American Horror Story 5X01: Checking In

American Horror Story [Hotel] 5X01: Checking In

estrelas 3

Após a decepcionante Freak Show, Ryan Murphy e Brad Falchuk imaginaram que poderiam salvar suas próprias imagens e a imagem de American Horror Story propondo mais uma uma saga claustrofóbica, nos moldes conceituais de Asylum e com temáticas narrativas a perder de vista vindas de Murder House. Com um esmagador marketing feito em cima da convidada da temporada, Lady Gaga, AHS: Hotel fez a sua aguardada estreia tentando equilibrar-se na tênue linha entre a mediocridade e o bom andamento de um episódio.

Ryan Murphy havia dito que as temporadas da série estariam interligadas de alguma forma e que logo na estreia de Hotel veríamos isso. O que vimos foi a mesma agente imobiliária que vendeu a casa para a família Harmon na 1ª Temporada, apresentar o Hotel Cortez ao enigmático Will e seu filho (?) Lachlan. Há também a citação do cachorro adotado pela mesma agente no último episódio de Murder House, mas a colocação é frágil demais para contar como “A” conexão que estávamos esperando. De toda forma, não é algo de se desprezar e pelo menos a coisa não foi encaixada de maneira forçada pelos roteiristas. Ponto para Murphy e Falchuk.

Checking In é uma mistura de todas as fobias possíveis de uma pessoa medrosa, status que é criado sob o seguinte mandamento: “não questionarás a verosimilhança das cenas de AHS e defenderás a narrativa picotadas e ‘fraca de propósito’ como se fosse parte de um grande plano“. E vejam, eu tenho uma simpatia maior do que deveria pelas obras de Ryan Murphy, mas não dá para defendê-lo em certas decisões dramáticas. Além de coescrever este episódio, ele também o dirigiu, então estamos em algo sobre o qual ele tinha inteiro controle, da criação, ao roteiro e direção. Não há desculpas, portanto, para a fraca história que se estabelece nesse primeiro episódio de Hotel.

Eu sei que parte disso vai da paciência do espectador para suportar determinadas coisas, mas pare para pensar e tente encontrar boa estrutura na história apresentada nessa premiere. E você não vai encontrar uma boa estrutura porque fica claro que o episódio não só foi pensado para fazer desfilar na tela a grande quantidade de personagens que como também jogar com a nossa curiosidade. Ótima estratégia de marketing, mas péssima escolha narrativa. Se não fosse a excelência técnica, estaríamos diante de um capítulo com qualidade bem baixa, porque não há texto que o segure, apenas vislumbres, possibilidades e nuances de um terror que herda da história do gênero todos os seus bons e maus hábitos.

Todavia, digamos o que quiser sobre Ryan Murphy, mas que ele sabe apresentar bem os seus cenários, ah ele sabe. O plano de abertura de Checking In é capaz de deixar qualquer espectador dando risinhos de felicidade pelo escrupuloso trabalho de direção, uso de lentes e movimentação de câmera que exploram os três caminhos básicos da atmosfera nas obras de horror: medo, antecipação de tragédia e desconfiança de tudo e todos. E junto a isso temos uma trilha sonora bem escolhida e utilizada com cuidado, exceto pela reprodução de Hotel California, do The Eagles, que achei deslocada e estendida além do que deveria. A direção de arte, a cargo de Denise Hudson, faz referências à tapeçaria e ao desenho de produção do hotel Overlook, em O Iluminado, bem como ao filme Fome de Viver, além da inserção de cenas de Nosferatu (1922) em uma reprodução ao vivo que dialoga bem com a condição dos personagens em cena.

O elenco de AHS é sempre um show à parte. O maior destaque do episódio é definitivamente Kathy Bates, embora Wes Bentley e Sarah Paulson não façam feio. Lady Gaga deixa a desejar na concepção impassível, quase uma estátua para sua personagem. O curioso é que a cantora tem uma presença de cena enorme e mesmo não atuando bem chama a atenção do espectador pelo ar dominador, ameaçador e (paradoxal, eu sei) simpático da Condessa. Espero muito que ela não mantenha essa postura durante toda a temporada, caso contrário, não a suportaremos cedo demais.

American Horror Story: Hotel começou com uma história fraca e se salvou pela construção estética. Isso, claro, não é um elogio, mas um sinal de aviso. Que todas as criaturas demoníacas do Hotel Cortez façam com que os próximos episódios tenham uma boa história para contar. E que assimilem o mais rápido possível os espectadores que defendem que uma minissérie como AHS “não precisa ter bons episódios, posto que sua qualidade deve ser julgada apenas no final”. Pois é.

American Horror Story [Hotel] 5X01: Checking In (Estados Unidos, 7 de outubro de 2015)
Direção: Ryan Murphy
Roteiro: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Lady Gaga, Mare Winningham, Christine Estabrook, Max Greenfield
Duração: 63 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.