Crítica | American Horror Story 5X02: Chutes and Ladders

estrelas 2,5

O que há de realmente divertido nesse modelo de história que AHS vem adotando ao longo dos anos (com real qualidade apenas em Murder House e um pouquinho em Asylum) é o aproveitamento da curiosidade do expectador. Entrar no jogo, descobrir o real motivo dos acontecimentos, aguardar as “histórias do passado” e as explicações para os mistérios tem sido o grande trunfo da série, que mesmo após cometer temporadas do nível de Freak Show, ainda consegue convencer o público de que há algo de bom no reino bizarro de Ryan Murphy e Brad Falchuk.

Chutes and Ladders é uma prova de que o jogo da curiosidade funciona pelo menos de forma mediana. Perceba que aqui existe um pouco mais de história útil em relação a Checking In, mas mergulhamos bem mais em sequências fillers (Lady Gaga, Matt Bomer, Sarah Paulson, Chloë Sevigny e Finn Wittrock parecem invasores em uma trama que luta por acontecer) e o desfilar incessante de coisas que o espectador se pergunta: por que a edição não cortou isso e jogou bem longe? Cito como exemplos

  1. a cena em que Sally quebra os dentes com uma super mordida e assusta a pequena Scarlett Lowe;
  2. todas as cenas relacionadas às crianças-vampiro;
  3. drama queen de vampiros pegadores que não sabem bem o que querem ou do que gostam (“chupar um cara não me torna gay“)…
  4. a criança com sarampo;
  5. a festa de inauguração do hotel com um desfile de moda (!).

No todo, a trama deu alguns passos, mas da semana passada para esta eu me sinto quase como se tivesse visto apenas os inúmeros trailers e teasers promocionais antes da estreia e mais nada. Por que episódios tão longos se a intenção não é contar uma história de verdade? E depois reclamavam de 666 Park Avenue (2012 – 2013), mas apesar das falhas na estrutura daquela série, os episódios entregavam uma história sólida, não apenas migalhas dramáticas ao ongo de 70 (setenta!) minutos.  

Relativamente notável aqui é a história pregressa do hotel e a introdução do personagem de Evan Peters, o Sr. James March, parcialmente baseado na história do hoteleiro serial killer H. H. Holmes. E quando eu digo “relativamente notável” é porque vejo nesse flashback informações que serviram para nos dar uma visão ampla do que já temos no show e abrir um contexto para praticamente tudo relacionado ao Cortez nos capítulos seguintes. Nesse sentido, como conceito, aproveitamos tudo o que se disse nesse bloco. Mas se olharmos a execução, não chegamos muito longe. Primeiro, pela caracterização canastrona de Evan Peters. E já quero deixar claro: o problema não é o ator, que já provou conseguir excelentes performances. E alguém até pode dizer: “mas ele é um homem dos anos 1920 vivendo no século XXI!” e esta afirmação até faria sentido se outros personagens até mais velhos (a Condessa de Gaga é mais velha que ele e parece muito moderninha para mim, só falta atuar bem) também mantivessem a afetação vintage, o que não acontece. Espero muito que não obriguem Evan Peters a seguir com essa empostação + voz forçada e explosões bipolares. Ele é um bom ator e merece um papel melhor que isto.

No episódio da semana passada eu havia dito que a trama era insípida, mas que a composição estética do episódio me havia feito gostar dele. Neste Chutes and Ladders, os únicos elementos realmente interessantes na técnica são a trilha sonora, a direção de arte e os figurinos. A fotografia tropeça no flashback do Sr. James March, tentando emular algo à la David Lynch, mas que fica cada vez mais vergonhoso porque exagera na granulação da imagem e no escurecimento do quadro mostrando uma abordagem barroca difícil de ser engolida.

Como já mencionei, no todo, o episódio trouxe mais momentos importantes para o desenvolvimento posterior da história, mas o número de cenas ruins e/ou inúteis superou a premiere da temporada, o que me faz ver este Chutes and Ladders apenas OK, ou seja, com os 2,5 que toda produção mediana merece.

American Horror Story [Hotel] 5X02: Chutes and Ladders (Estados Unidos, 14 de outubro de 2015)
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Tim Minear
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Lady Gaga, Finn Wittrock, Mare Winningham, Naomi Campbell, Max Greenfield, Richard T. Jones
Duração: 70 minutos

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.