Crítica | American Horror Story 5X03: Mommy

estrelas 2,5

A qualidade duvidosa de Hotel continua aqui em seu terceiro episódio, ao passo que Ryan Murphy parece perder totalmente o controle de sua narrativa. Seguindo o exemplo de séries como True Bloodque começou muito bem, mas que decidiu trabalhar com tantas subtramas que perdeu seu foco, o showrunner decide introduzir ainda mais personagens e problemáticas que superlotam a estrutura de cada capítulo, ao mesmo tempo que subutiliza inúmeros de seus personagens. Em Mommy chegamos a ter um resultado risível, até mesmo surreal, com a apresentação de mais uma peça já no final do episódio, soando como mais um filler dentro de uma série repleta deles.

Mas vamos por partes. O capítulo se inicia com Tristan indo de encontro novamente a James March, que, como dito por Luiz Santiago em suas críticas anteriores, ainda conta com uma caracterização ridícula, perdida no tempo, de um homem de 1920 perdido no século XXI. Dito isso, a história do serial killer – fundador do hotel – juntamente com seu copycat dos dias atuais é um dos pontos fortes da narrativa de Hotel e por mais que Evan Peters seja forçado a interpretar um completo canastrão, o mistério por trás de seu personagem é o suficiente para querermos ver mais dele e entender sua relação com a condessa interpretada por Lady Gaga – cuja interpretação, naturalmente, se mantém na mediocridade. Além disso, temos toda a questão da venda do Hotel que, por sua vez, sofre com a introdução pontual da subtrama do casamento ansiado pela Condessa.

De filler, porém, nada supera a retomada da subtrama do sarampo, obviamente ligada à situação familiar dos Lowe, uma tentativa de aprofundar o protagonista, mas que poderia ser resolvida de forma menos expansiva, resumindo-se a alguns flashbacks e curtas cenas. Aos poucos, AHS se torna uma novela fantasmagórica – precisávamos mesmo de toda a questão do divórcio? Esse realmente é o foco da série? Não consigo parar de relembrar de toda a questão familiar em Murder House, naturalmente motivada por uma situação completamente diferente, mas que se utiliza de um desenvolvimento similar. A sequência do divórcio ainda nos trouxe um verdadeiro estigma para a carreira de Wes Bentley, com uma atuação risível, indo de encontro com seu papel bem representado até então.

Felizmente, nem todos os casos de família da temporada são tão maçantes e do outro lado temos Iris e seu filho, subtrama que empurra a personagem de Kathy Bates por um caminho instigante e desconhecido. Não podemos deixar de nos perguntar qual será a ramificação desse acontecimento e qual impacto ele surtirá na Condessa. Bates, como de costume, emprega seu talento para garantir uma profundidade notável ao personagem e minha memória sempre resgata Louca Obsessão, com uma personagem que oscila constantemente entre opostos, entre a frieza e o acalentamento materno. Certamente Kathy merecia mais espaço em tela, substituindo os muitos fillers por aí.

Já na subtrama ligada ao copycat não há muitos avanços e a percepção de que John Lowe é o assassino por trás disso apenas aumenta – suas habilidades Will Grahamianas, ao menos, não me enganam. Resta saber se Ryan Murphy irá percorrer essa trilha bastante óbvia ou colocará ainda mais personagens dentro de sua narrativa já obesa. Mommy, no fim, não foge do padrão de qualidade (ou falta dela) dos episódios anteriores da temporada – um capítulo que somente diverte, sendo quase que inteiramente dispensável.

American Horror Story [Hotel] 5X03: Mommy (Estados Unidos, 21 de outubro de 2015)
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Ryan Murphy
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Lady Gaga, Finn Wittrock, Mare Winningham, Naomi Campbell, Max Greenfield, Richard T. Jones
Duração: 70 minutos

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.