Crítica | American Horror Story 5X06: Room 33

estrelas 2,5

Há um novo ditado que diz assim: “[…] pára que tá feio” [sic]. Esta é a exata frase que eu diria aos showrunners de American Horror Story: Hotel, referindo-me à neurose dramática de criar, a cada novo episódio, um personagem novo, uma sub-trama, um adendo que deveria aparecer como fortalecimento da história e amplitude da psicologia de alguns personagens (a Condessa, por exemplo), mas que se enrola, faz apenas uma parte do que deveria fazer e teima em adicionar mais coisas em uma temporada que já vai, desde Mommy, terrivelmente saturada.

Qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento de dramaturgia entende que quanto mais personagens houver em uma obra, maior é a dificuldade de fazê-los ser interessantes em uma narrativa orgânica e fluída, como é a proposta de Hotel. Neste sexto episódio da temporada eu chego a conclusão de que seria benéfico para a série se Murphy e Falchuk tivessem escolhido uma estrutura por blocos, divididos em episódios (cada episódio seria o “bloco de um personagem” e seu universo/quarto) ou mini-blocos dentro do mesmo episódio, algo que em parte é executado pelos roteiros  desde a terceira semana deste ano do show, mas que de tão fugaz, não dá conta das adições de inúmeros personagens e históricas truncadas que tivemos nos episódios 4, 5 e parcialmente no 6.

Isso é interessante porque diferente do arco do Halloween, a história aqui não teve grandes sequências péssimas, apenas péssimos momentos, o que já é uma vitória para o ritmo que a série estava tomando e dá uma pausa na beira do abismo. Room 33 erra no trabalho de organização dos personagens (porque são muitos e é impossível dar a devida atenção a todos em 50 minutos), mas acerta parcialmente e com muita intriga nas tramas que apresenta. Pela primeira vez desde Checking In estamos diante de algo que pode gerar uma sequência boa de eventos, pautados pela vingança clânica típica dos vampiros (há sombras difusas da obra de Anne Rice aqui) e, espero, pelo achamento do propósito para os fantasmas, que possivelmente diminuirá a saturação de personagens e eventos a serem abordados no futuro.

Loni Peristere tem uma direção objetiva, mostrando o que é devido no momento certo e pelo tempo certo. A montagem poderia ter valorizado melhor essas tomadas em seu ritmo — especialmente porque aqui temos um gigantesco link com Murder House –, mas dá para perdoar qualquer erro da edição se considerarmos a única coisa realmente boa, coesa e necessária desse episódio: a trama envolvendo Tristan e Liz. John J. Gray trouxe uma bela continuidade para a história do personagem de Denis O’Hare, que mais uma vez entrega uma ótima atuação, ao lado de Kathy Bates (o mínimo que ela aparece é o bastante para se tornar marcante) e a dominante Angela Bassett. O destino de Tristan, seu relacionamento com Liz, a delicadeza e ao mesmo tempo crueza nos diálogos e cenas, a verossimilhança e respeito à questão de gênero e discussão de sexualidade, tudo isso tornou este pequeno bloco o mais bem construído do episódio e talvez o melhor da temporada até agora. Uma pena que acabou, restando-nos apenas as consequências e mais uma possibilidade de vingança em jogo.

Infelizmente, as pequenas más histórias se seguem: o hóspede do quarto 33 e sua história, exceto pelo fato de trazer Muder House de volta, parecem tão patéticos quanto a incoerente viagem da Condessa e Will para Paris, a volta das suecas (não eram irmãs?), a minúscula e desnecessária aparição de March e a ausência incompressível de Sally em um episódio cheio de espaço para sua atuação. Volto a dizer: se a proposta era visitar o hotel em todas as suas partes malignas, que isso fosse feito com um roteiro que respeitasse o intelecto do público, trabalhando e dando sentido aos personagens, não apenas jogando-os e multiplicando-os para povoar um local de maldade e inflar uma atmosfera macabra que de nada serve que não há boas histórias para contextualizá-la.

Os destaques finais do episódio vão para a trilha sonora bem utilizada; a boa escolha de fotografia desbotada e levemente granulada para o “parto” do bebê da Condessa e a ótima planificação e iluminação para as cenas com Liz e Tristan. O futuro agora parece estar na ala do “dar o troco”. Que venha, então.

American Horror Story 5X06: Room 33 (Estados Unidos, 11 de novembro de 2015)
Direção: Loni Peristere
Roteiro: John J. Gray
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Lady Gaga, Kamilla Alnes, Darren Criss
Duração: 50 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.