Crítica | American Horror Story 5X07: Flicker

estrelas 2

Os primeiros minutos de Flicker me trouxeram alguma esperança de que a série enfim trouxesse algo bom nessa temporada. Mas foi apenas o pensamento se estabelecer e a decepção veio, impactante, como nas semanas anteriores. E o mesmo problema de concepção da temporada voltou a acontecer: a adição de novos personagens, tramas mirabolantes e feitas apenas para chocar, confusão de tempos narrativos para encobrir a carência de conteúdo lógico e bem construído em cada um dos blocos (dando a impressão de que “quanto mais, melhor” — só que não) e toques desnorteados na estética.

O curioso é que embora medíocre, o episódio trouxe tempos que, vistos de forma isolada, provavelmente agradarão a muitos espectadores, como isoladamente agradaram a mim. De imediato, quero chamar a atenção para o paradoxo dessa colocação, mas explico logo em seguida. Existem pelo menos duas formas necessárias de julgar AHS por sua construção textual, uma a partir da narrativa interna [foco maior sobre esse aspecto na crítica de Room 33] e outra pelo plano geral da temporada. Aqui em Hotel, tem sido muito fácil isolar alguns momentos, como se não fizessem parte de algo maior, e aproveitá-los pelo divertimentos que proporcionam. Todavia, ao contextualizarmos esses momentos ao capítulo e à temporada — e isso não é uma opção, deve ser feito — a maior parte desses momentos tornam-se inúteis e não contribuem para dar substância ao que nos já foi apresentado, apenas nos confundem e povoam ainda mais uma série já há muito saturada.

Dito isto, é natural que a subtrama que nos traz Rodolfo Valentino e F.W. Murnau (com referências ao seu Nosferatu) tenha um impacto afetivo no espectador cinéfilo. À parte a já citada composição desnorteada da direção e fotografia — destaco a sequência do tango, com mal aproveitamento do espaço e inexplicável mistura de takes preto e branco e sépia –, o flashback para o passado tem sua graça e expõe algum respeito à linguagem do primeiro cinema, o que para mim já foi um pequeno milagre, visto a baixa coerência dessa temporada para com o material que exibe. E esta é a parte onde o paradoxo volta. Porque ao mesmo tempo que tem elementos válidos em sua arte e direção, o capítulo tem cenas que são uma grande vergonha técnica, além, é claro, de trazer um roteiro que poderia, tomando o caminho deixado na semana passada, desenvolver DE VERDADE a história central, mas não, não é isso que acontece.

Do que menos precisávamos era uma nova história. A Condessa já tinha tido o seu “motivo para viver” — e esta é uma citação literal do outro episódio! — então pensem: qual a necessidade de um novo grande evento de seu passado? E ainda por cima tomando o corpo de um ator famoso (apelação) e colocando Finn Wittrock de novo na série, agora em outro papel. Isso é tão estúpido que eu custei a acreditar que os showrunners permitiram tal insanidade. Mas estava tudo lá.

E à medida que mais gente aparece, os personagens que previamente receberam grande atenção somem por completo e sem nenhuma justificativa. Onde está a Hypodermic Sally? Onde está Donovan? Onde está Liz Taylor? Onde está Ramona Royale? Onde estão as crianças vampiras residentes no Cortez? Nenhuma citação será feita àquela bizarra reprodução de crianças-vampiros na escola? Onde está o Addiction Demon? Se acharam por bem reviver os fantasmas do Hotel na outra semana, por que não fazê-los aparecer de novo? Onde está o filho da Condessa? Onde está Scarlett Lowe? Onde está Holden Lowe? Por que deixar o verdadeiro ponto positivo do episódio — a luta de John para encontrar o assassino — virar um suspense barato quando praticamente a grande resposta já foi aludida nos episódios anteriores? Por que Iris, que deveria ter um papel importante nessa fase, foi escanteada?

Quanto mais personagens surgem, pior a série vai ficando, porque, além dos roteiros que falam sobre tudo e não falam sobre nada ao mesmo tempo, a temporada vai negligenciando, escanteando, se esquecendo e abandonando histórias para as quais tanta atenção e energia gastou para construir. Nada faz sentido.

American Horror Story 5X07: Flicker (Estados Unidos, 18 de novembro de 2015)
Direção: Michael Goi
Roteiro: Crystal Liu
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Lady Gaga
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.