Crítica | American Horror Story 5X09 e 10: She Wants Revenge / She Gets Revenge

estrelas 3

Era esta a resposta que você queria?“, pergunta Brad Falchuk, que escreveu o roteiro de She Wants Revenge, especialmente para espectadores que, como eu, acham que esta temporada de AHS não pode mais ser salva, mas que pelo menos o final está sendo interessante de se assistir. É certo que ainda faltam três capítulos para o encerramento, mas pelo visto essa trinca manterá o nível de “histórias para resolver as coisas” que o presente ‘arco da vingança’ nos trouxe.

Chegamos a um ponto de Hotel, e de American Horror Story como um todo, que determinadas escolhas para a construção de um grande plot tornou-se uma neurose para Brad Falchuk e Ryan Murphy: espalhar personagens inadvertidamente para preencher episódios em demasia (ou longos demais) e ao fim, supostamente “resolver o mistério” desses personagens, livrando-se deles de maneira tão obtusa quanto foram apresentados, como é o caso das crianças vampiros (as da escola e as do Cortez — aliás, parece que só tinha Holden na sala de jogos!), o caso de Valentino e Natasha e o plano de vingança que inicialmente era de Ramona mas que acabou indo parar em outras mãos — falaremos mais disso adiante.

A pergunta é: tudo em troca de um plot twist? Com uma premissa e um enredo tão bons quanto os dessa temporada, os showrunners ainda precisaram recorrer a esse tipo de recurso? Sinceramente, é difícil entender, ainda mais quando sabemos que Brad Falchuk e Ryan Murphy são muito criativos e possuem um bom elenco [e Lady Gaga] nesta saga! Vendo que as pontas para o desfecho foram enfim expostas, falhas do início da temporada voltam a assombrar a série, agora com cara de que vão acabar, mas não sem antes deixar um gosto amargo de “encaixismo”.

She Wants Revenge / She Gets Revenge possui algumas surpresas e reviravoltas que dão um outro rumo ao Hotel Cortez, isto se o que aconteceu ao final do episódio 10 de fato se concretizar. A ação, embora executada de forma tão incomum que se tornou um pouco cômica, lembra bastante aqueles filmes de Ramona Royale, dando-nos a impressão de que reescreveram o papel de Angela Bassett de última hora. Todos aqueles tiros deveriam ser dados por ela, que há muito mais tempo e por motivos bem mais amplos aguarda vingar-se da Condessa. De repente, Liz e Iris assumem um papel de algozes que mesmo não fugindo por completo da alçada das personagens, lhes parece abrupto, precoce, e não há defesa alguma para isso porque todos os personagens principais com atos de violência tiveram um trabalho psicológico e dramático que amparasse tais atos. Liz e Iris possuem motivos, claro, mas elas são as que menos tiveram oportunidade de cultivar esse ódio, ao contrário de Ramona Royale, como já citei.

Mesmo assim, a história desses dois episódios avança bem e o resultado final é positivo. Nada brilhante ou inesquecível, apenas positivo. O aspecto familiar de Liz ganha espaço e bom tratamento no arco, o que nos faz lamentar que essa personagem não tenha sido melhor trabalhada antes. Denis O’Hare já tinha feito um glorioso trabalho em Room 33, quando teve um merecido espaço, e agora repete o brilhantismo em um bloco bem encaixado na história geral e que infelizmente não conseguiu tempo o bastante para se firmar. As outras histórias se agruparam de modo mais ou menos coeso em ambos os capítulos, conseguindo um resultado final decente se descontarmos o esforço sandio em querer dar sentido ao tsunami de personagens de isopor que inundaram o miolo da temporada.

Fugindo dos excessos barrocos de alguns episódios passados, a equipe técnica dessa dupla de episódios manteve-se firme às necessidades do roteiro, fazendo um bom trabalho, especialmente na direção de arte. Dos diretores dos episódios, o que mais se destacou foi Bradley Buecker de She Gets Revenge, talvez por ter tido a sorte de receber um roteiro bastante íntimo e de cenas interessantes para dirigir. O trabalho de pequenas panorâmicas, a montagem e a fotografia das tomadas internas fecham o ciclo deste episódio e arco, deixando-nos curiosos para a continuação da saga. O que será do Cortez no futuro?

American Horror Story 5X09 e 10: She Wants Revenge / She Gets Revenge (Estados Unidos, 09 e 16 de dezembro de 2015)
Direção:  Michael Uppendahl / Bradley Buecker
Roteiro:  Brad Falchuk / James Wong, John J. Gray, Crystal Liu
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Lady Gaga, Finn Wittrock, Mare Winningham, Alexandra Daddario, Lyric Angel, Josh Braaten
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.