Crítica | American Horror Story 5X11 e 12: Battle Royale / Be Our Guest

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estrelas 4

É, acabou. E acabou bem, apesar dos horrores e más execuções que marcaram esta 5ª Temporada de AHS.

Centrada no Hotel Cortez, um lugar cheio de fantasmas, vampiros e outras criaturas, Hotel representou mais um ano de ambição claustrofóbica desperdiçada por Ryan Murphy e Brad Falchuk, que surgiram com uma excelente ideia, começaram-na apresentando de maneira a nos deixar empolgados pelo que viria (Checking In) e depois passaram a maior parte do tempo andando em círculos com histórias desnecessárias ou estendidas em demasia, sem contar o questionável trabalho da equipe técnica ou da direção em alguns episódios.

A primeira parte deste finale, Battle Royale, teve um maior peso de conclusão para a 5ª Temporada do que de fato o episódio final, Be Our Guest, que acaba servindo como um acerto de contas entre os personagens e o encontro de justificativas para que “todas” as pontas se unissem. O conjunto desses dois capítulos, no entanto, formam um “arco informal” de conclusão e nos colocam coisas que a soma de todos os outros 10 episódios jamais apresentaram. E mesmo que não estejamos falando de uma cinematografia e dramaturgia perfeitamente executadas ou relacionadas, de fato falamos de bons exercícios nesses dois campos, algo que não víamos na série desde o interessante The Ten Commandments Killer.

O fechamento do ciclo dramático da Condessa merece destaque inicial. Talvez a organização de eventos finais deste bloco tenha sido um tanto rápida, mas ela me pareceu coesa e uma verdadeira luva a toda a situação, uma espécie de “dois coelhos com uma cajadada só”: John se vinga da vampira pelo sequestro de Holden, arruinando o casamento e o estado psíquico do policial; e ele ao mesmo tempo completa a obra que lhe foi terceirizada por J.P. March. Perceba que a ideia de ciclo aí é inteiramente orgânica e traz, pela primeira vez, uma boa atuação de Lady Gaga no show, nada que chegue ao menos perto de justificar o seu Globo de Ouro em Minissérie ou Telefilme, mas vamos superar isso.

É notável aqui a colocação de um componente “simples, mas eficiente” de direção e produção técnica, sem invencionices que descaraterizam a proposta do texto (como em um dos piores episódios da temporada, Flicker), ou coisas que de alguma forma mostram a tentativa do diretor da vez em encher a tela e fazer passar o tempo. Note que diante da quantidade de coisas em cena, a duração desses episódios finais foi acertada e sua estrutura fundamentada em contar uma saga de terror incomum. Battle Royale ainda tropeça bastante nisso, é verdade, mas Be Our Guest é simplesmente delicioso de assistir. Sem dúvidas, o mais consistente, bem escrito, dirigido, atuado e instigante episódio da temporada, que mesmo trazendo uma tonalidade dramática diferente entre suas partes 1 e 2, saindo do macabro e encontrando uma era de “felicidade amargurada” entre as criaturas e assombrações do Cortez, agora uma família, cumpre bem o papel e traz um corte notável para a série.

E vindo disso, temos a ligação entre as temporadas. Enquanto eu via a reaparição de Billie Dean Howard, lá de Murder House — depois de ter visto o retorno de Queenie, no capítulo anterior — não pude deixar de pensar que, não fosse o desenvolvimento com subtramas inúteis de Hotel e a estrutura a série fosse tal qual esta que vimos no último episódio, a 5ª Temporada seria definitivamente uma das melhores, talvez tão boa quanto a 1ª Temporada. E isso porque há aqui um aprofundamento satisfatório em todos os dramas particulares, que interagem e dão sentido ao destino um do outro. E do próprio hotel.

O grande destaque final vai, claro, para Liz Taylor. Denis O’Hare faz um maravilhoso trabalho nesse desfecho com o personagem, quase uma acusação máxima aos showrunners de que desse a Liz maior espaço na temporada, pois a personagem tinha potencial e um grande ator para interpretá-la. Lamentamos, por outro, o novo escanteamento de Angela Bassett, cuja finalização deveria ter ganhado mais espaço na narrativa e não apenas vislumbres de sua vitória e estabelecimento no hotel.

A reunião de seres demoníacos agora “em paz”, o encontro de Sally com a “tristeza e desejo de atenção de milhões de pessoas” e o destino final das suecas e de Drake foram linhas textuais bem contextualizadas, muito mais do que eu esperava. Apenas Donovan e Tristan tiveram uma pontada incômoda de clichês em suas histórias, mas mesmo assim, tiveram um bom final.

É engraçado que mesmo nada justificando os terríveis roteiros do miolo da temporada — à guisa de um preguiçoso e já há muito desmistificado “mimimi-tudo-isso-é-um-ciclo-mimimi” –, o final de Hotel realmente mereceu aplausos. Foi o tipo de episódio (ou dupla de episódios, já que Battle Royale também se encontra na linha de finalizações) que mesmo errando algumas vezes, principalmente na ausência de explicações — e depois por explicações apressadas —  consegue se sagrar como um bom epílogo. Uma pena que o tom de todo este ano não tenha seguido pelo mesmo caminho.

American Horror Story 5X11 e 12: Battle Royale / Be Our Guest (EUA, 2016)
Direção: Michael Uppendahl, Bradley Buecker
Roteiro: Ned Martel, John J. Gray
Elenco: Kathy Bates, Sarah Paulson, Evan Peters, Wes Bentley, Matt Bomer, Chloë Sevigny, Denis O’Hare, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Lady Gaga, Mare Winningham, Gabourey Sidibe, Josh Pence, Lindsay Pulsipher, Shree Crooks, Lily Rabe
Duração: 49 min. / 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.