Crítica | American Horror Story – 6X03: Chapter 3

estrelas 4

Obs.: contém possíveis spoilers do episódio.
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Confesso que estou genuinamente surpreso com esta temporada de American Horror Story, estamos no terceiro capítulo de My Roanoke Nightmare e a história já foi catapultada para a frente de uma maneira ainda não vista nesses seis anos de série, mesmo considerando as duas temporadas iniciais, que ainda são minhas favoritas (ainda que a sexta, se continuar assim, provavelmente as substituirá nessa posição). O que temos aqui em Chapter 3 nos traz algumas respostas do enigma que envolve a casa dos Miller e ainda conta com um interessante trecho de metalinguagem, que começa a nos situar no presente desses personagens.

Da mesma maneira que os episódios anteriores, a trama se inicia quase em seguida aos eventos da semana anterior. A busca pela filha de Lee (Angela Bassett) passa a envolver a polícia, que monta um grupo de voluntários para percorrer toda a floresta nos entornos da problemática casa. Com a aparição de Cricket (Leslie Jordan), um homem especializado em achar crianças perdidas com suas habilidades psíquicas, eles logo descobrem que a menina fora raptada não pelos vivos, mas pelos mortos e cabe a esse homem mediar entre os Miller e as entidades que ocupam aquela região para que a garota seja devolvida.

Evidentemente que a aparição dessa figura com poderes paranormais causaria um imediato ceticismo nos personagens principais, especialmente em Matt (Cuba Gooding Jr.), o interessante, porém, é como o roteiro não deixa isso atravancar a narrativa e faz uso de Lee para continuar essa investigação paranormal. O maior propósito de Cricket, todavia, é nos apresentar ao passado dessa região, mais especificamente à misteriosa colônia de Roanoke, que desaparecera sem deixar um traço. A explicação soa demasiadamente didática, como se o personagem falasse para nós e não para os personagens envolvidos na história – felizmente isso não afeta a narrativa consideravelmente, visto que as informações passadas por ele, de fato, têm seu papel no desenrolar da história.

O texto de James Wong, porém, não permanece no óbvio: no flashback inserido a fim de ilustrar o conto de Roanoke aprendemos ainda mais informações que diretamente afetam Matt e Shelby (Sarah Paulson), mais especificamente o papel de Lady Gaga nessa temporada, que atua como uma espécie de demônio, fazendo com que a personagem interpretada por Kathy Bates passe a servir seus propósitos. A forma como essa figura quase tribal é, enfim, mostrada com mais cuidado é outro acerto e o mérito vai para a direção de Jennifer Lynch (sim, filha de David Lynch): o enquadramento não nos permite identificar com clareza se a voz sai da boca de Gaga ou não, transmitindo um ar sobrenatural à criatura – evidente que se pausarmos o episódio conseguiremos perceber isso, mas ele não foi feito para ser pausado, como a maioria das obras audiovisuais, isso se chama trapacear. Essa mística que envolve essa figura misteriosa ainda se amplifica com a perturbadora cena na floresta, próxima ao fim do capítulo, envolvendo ela e Matt, o que por si só já condiz mais uma vez com esse caráter demoníaco do ser.

Rebobinando um pouco temos a passagem metalinguística de Chapter 3. Pela primeira vez escutamos a voz do entrevistador, que passa a fazer perguntas difíceis de serem respondidas por essa família, como se os forçassem a lembrar de algo que não desejam recordar. Aprendemos que eles estão em um programa e o processo de filmagem ainda está acontecendo simultaneamente ao que assistimos. É um programa dentro de um programa, a questão que fica é se teremos um desenrolar da história no presente e não apenas uma recordação. Dessa forma, James Wong, ao mesmo tempo que oferece inúmeras respostas, também insere novos enigmas na narrativa, nos envolvendo ainda mais nos mistérios da temporada.

A repentina morte de Mason (Charles Malik Whitfield) ainda insere uma maior sensação de perigo na história, ainda que tenhamos quase certeza que os personagens principais não estão mortos. É conveniente, claro, que apenas ele chega a ser assassinado, quando todos os outros já estiveram na floresta sozinhos, mas, felizmente toda a questão da guarda da menina é, dessa forma, reduzida – ela já cumpriu sua função ao desestabilizar Lee e agora não tem mais a necessidade de estar presente na história.

Já não é a primeira vez que tenho a impressão de que esse ano de American Horror Story funciona como uma espécie de junção de tudo o que vimos antes: temos a casa mal-assombrada, a possível presença do demônio, fantasmas, um hospital (o cuidado pelas irmãs psicopatas), dentre outros elementos que são todos unidos no entorno dos Miller. De fato, a temporada continua a acertar em virtude desse afunilamento de tudo o que vemos para essa família, dispensando narrativas paralelas desnecessárias, garantindo uma coesão praticamente inédita na série, através de sua maior linearidade. Definitivamente estou surpreso com My Roanoke Nightmare.

American Horror Story 6X03: Chapter 3 — EUA, 28 de setembro de 2016
Showrunners:
Brad Falchuk e Ryan Murphy
Direção:
 Jennifer Lynch
Roteiro: James Wong
Elenco: Kathy Bates,  Angela Bassett, Wes Bentley, Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr., Lily Rabe, Adina Porter, André Holland, Lady Gaga
Duração: 40 min.


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ahs

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.