Crítica | American Horror Story 6X04: Chapter 4

estrelas 3,5

A quarta temporada de American Horror Story comete seu primeiro deslize aqui em Chapter 4. Não que seja algo gigantesco, este ano ainda se coloca muito acima da média que estamos acostumados na série. O problema do episódio desta semana é a forma super-expositiva e didática que o roteiro de John J. Gray escolheu para nos trazer algumas respostas ao mistério de Roanoke, com inúmeros flashbacks entramos em uma narrativa que passa mais tempo no passado que no “presente”. Surpreendentemente, porém, o texto consegue fazer isso sem gerar uma superlotação na trama da temporada, sabendo muito bem manter o foco nos personagens principais.

Após Shelby (Sarah Paulson) encontrar seu marido tendo relações sexuais com o ser da floresta (interpretado por Lady Gaga), já somos jogados, de início, em um conflito entre os dois, que, surpreendentemente é resolvido de forma bastante ágil e que ainda consegue manter uma fluidez orgânica. Evidente que o trabalho de Paulson e Cuba Gooding Jr. se destacam aqui, tornando toda a situação bastante crível. O breakdown de Matt se transforma em realidade, ao passo que o personagem e o ator se tornam um só através de duas excelentes atuações que, também, devem muito à química existente entre ambos.

O reaparecimento de Elias Cunningham (Denis O’Hare, sempre roubando nossa atenção), então, apenas acelera mais o ritmo já bastante veloz da temporada, que ainda consegue fluir de forma natural, mesmo com os trechos expositivos, já mencionados, que viriam agora. Evidentemente que a aparição do personagem aqui soa, a priori, como uma conveniência do roteiro, mas, quando paramos para pensar, o casal se mudara há pouco para essa casa, visto que a temporada contou com poucas elipses temporais significativas desde seu início. Além disso, o desaparecimento da filha de Lee (Angela Bassett) pode tê-lo atraído para o lugar, já que esse tipo de acontecimento costuma atrair a atenção da mídia local. A ausência de uma explicação para sua vinda nesse preciso momento também cria a dúvida em nós se o personagem não esconde sua verdadeira natureza de alguma forma, mesmo após seu fim prematuro neste mesmo capítulo.

Iniciamos, portanto, o trecho didático de Chapter 4 através das “aulas de História” de Cunningham. Felizmente, a interpretação agitada e, na falta de uma palavra melhor, maluca de O’Hare consegue minimizar esse fator, transformando o que seria um trecho extremamente enfadonho e mais um interessante aspecto dessa temporada. É claro que a presença de Kathy Bates nessas reconstruções do passado sempre é um acréscimo bem-vindo à série, visto que, enfim, temos um olhar maior sobre sua personagem (ainda que Chapter 3 já tenha trabalhado Thomasin até certo ponto). Acima de tudo, é gratificante assistir um ano que, aparentemente, não cairá no velho problema do excesso de personagens, ao passo que os moradores antigos da casa permanecem em segundo plano, como um amplificador do terror em volta da figura da Açougueira.

Cricket Marlowe (Leslie Jordan) continua, portanto, o trabalho de Elias e nos traz ainda mais flashbacks e aqui o problema do didatismo consegue se sobressair. Evidente que as respostas oferecidas conseguem jogar uma luz sobre todo esse mistério, mas não temos como não nos perguntar se não vieram prematuramente ou até se poderiam ter sido apresentadas de forma melhor. No meio de todo essa atmosfera opressora, Cricket, contudo, representa um singelo alívio cômico, que sabiamente é utilizado a fim de quebrar nossas expectativas e fazer este ano entrar em um lado consideravelmente mais sombrio e todo esse temor criado em nós ainda é ampliado pela base na lenda da colônia perdida de Roanoke – nada como o velho “baseado em fatos reais” para garantir aqueles calafrios em uma obra de terror.

Naturalmente não poderíamos nos esquecer da personagem interpretada por Lady Gaga, que conta com um papel mais ativo neste capítulo. Ainda que muito de seu mistério tenha sido removido aqui, não podemos deixar de ficar intrigados com o misticismo que a rodeia e a mescla do “velho mundo” com o “novo” é mais que bem vinda, garantindo um clima diferente a este ano, por mais que a temática de bruxas tenha sido abordada em Coven.

Chapter 4, pois, conta com seus deslizes, mas, felizmente, muitos deles são minimizados a tal ponto que nossa percepção dessa temporada, até agora, continua positivamente inabalada. Com os mistérios de My Roanoke Nightmare sendo levantados, somos ainda mais fisgados por sua narrativa, que, incrivelmente, não perde seu potencial para nos deixar assustados com os eventos que transcorrem na tela. Evidente que muitos enigmas permanecem e esperamos que as soluções venham no momento certo – preferencialmente de forma mais orgânica.

American Horror Story 6X03: Chapter 3 — EUA, 05 de outubro de 2016
Showrunners:
Brad Falchuk e Ryan Murphy
Direção:
Marita Grabiak
Roteiro: John J. Gray
Elenco: Kathy Bates,  Angela Bassett, Wes Bentley, Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr., Lily Rabe, Adina Porter, André Holland, Lady Gaga, Denis O’Hare
Duração: 40 min.


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ahs

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.