Crítica | American Horror Story – 6X06: Chapter 6

estrelas 4,5

Obs.: contém spoilers do episódio. Leiam aqui as nossas críticas do restante da temporada.

Quando Ryan Murphy revelou que o capítulo seis desta temporada de American Horror Story nos traria o maior plot-twist da série até então, ele não estava mentindo. Em uma jogada corajosa, que nos traz metalinguagem pura, ele e Brad Falchuk reinventaram esse ano, de uma forma a trazer uma atmosfera diferente para a série, ao mesmo tempo que não abandona os elementos introduzidos em My Roanoke Nightmare. Chegamos na segunda metade da temporada e foi dada a largada de Return to Roanoke: Three Days in Hell e o que assistimos pareceu bastante promissor.

Após escaparem da casa maldita na Carolina do Norte, a história de Shelby (Lily Rabe) e Matt (André Holland) aparentemente fora encerrada. Nosso foco vai para Sidney James (Cheyenne Jackson), showrunner do seriado My Roanoke Nightmare, que nós próprios assistimos – um programa dentro de um programa. James quer realizar uma continuação da série, levando não só o elenco de volta para a casa, como as pessoas que verdadeiramente moraram ali, realizando um reality show de terror, com câmeras espalhadas pela casa, na intenção de extrair uma espécie de confissão de Lee (Adina Porter), que Sidney acredita ter, de fato, ter assassinado seu próprio marido.

O roteiro de Ned Martel espertamente mantém o enfoque de sua narrativa em James, mantendo uma coesão na linguagem estabelecida desde o início da temporada. Os outros personagens – Shelby e Matt inclusos – funcionam como coadjuvantes, enquanto ele ocupa a maior parte do episódio. É interessante observar como o show fictício afetara essas pessoas de formas tão diferentes – o destaque, evidentemente, vai para Agnes Mary Winstead (Kathy Bates), que passou a acreditar que realmente era a Açougueira. Bates não deixa nem um pouco a desejar e demonstra todo seu talento nos trazendo uma encarnação ainda mais dramática da personagem dentro da personagem, tornando todo esse mental breakdown bastante crível.

Ao revelar que somente um indivíduo sairá com vida dessa casa, o texto cria uma espécie de whodunnit ao contrário – nossa curiosidade é aguçada não pela vontade de descobrir quem é o assassino e sim para ver quem sobreviverá. O suspense não é minimizado, ele é apenas modificado. Além disso, Falchuk e Murphy espertamente já começam essa segunda parte no meio da tensão – uma regressão para todo o “esquenta” deste ano seria um equívoco, em Return to Roanoke somos jogados direto na ação e muito provavelmente veremos pelo menos uma morte por episódio.

Enquanto isso, algumas dúvidas são levantadas: o que foi da personagem interpretada por Lady Gaga? Ela irá aparecer novamente? E Agnes, irá aterrorizar os ocupantes da casa? Ouso dizer que fazia tempo que um clima enigmático assim não me envolvia – é demonstrado um ótimo controle dos mistérios da temporada, os showrunners ainda não se perderam, inserindo mais elementos do que conseguem trabalhar, fugindo dos erros dos anos anteriores. Bem ou mal, todos os personagens que vimos aqui (exceto os da equipe de filmagem, é claro) nós já conhecíamos e somos oferecidos alguns detalhes de suas personalidades apenas para nos engajarmos ainda mais.

Chamada para dirigir o capítulo, Angela Basset demonstra que seu talento não se resume à atuação. Ela mescla de forma bastante orgânica o found-footage com a linguagem clássica do terror, sabendo quando alternar de um para o outro a fim de construir a tensão no espectador – ao mesmo tempo, essa transição é importante para sabermos o que a audiência da série fictícia irá enxergar. Sua escolha de enquadramentos, contudo, nos gera uma dúvida: estamos assistindo o que essa audiência verá ou este ano se desvencilhou disso a partir de agora? Resta esperar a próxima semana para descobrirmos.

Chapter 6 nos entrega um engajante plot-twist, que altera os paradigmas da temporada e nos leva para uma direção totalmente nova. Murphy e Falchuk criaram a mistura perfeita de coragem e auto-controle, realizando algo que mantém o nível de qualidade estabelecido nos cinco primeiros episódios, enquanto não deixa de inovar. Prometendo um trecho ainda mais sangrento de Roanoke, somos deixados no mistério acerca do que veremos nos próximos capítulos – a única certeza é que muita gente irá morrer até o décimo capítulo da temporada.

American Horror Story 6X06: Chapter 6 — EUA, 19 de outubro de 2016
Showrunners:
Brad Falchuk e Ryan Murphy
Direção:
Angela Bassett
Roteiro: Ned Martel
Elenco: Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Angela Bassett, Wes Bentley, Evan Peters, Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr., Lily Rabe, Adina Porter, André Holland
Duração: 45 min.


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ahs

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.