Crítica | American Horror Story – 6X07: Chapter 7

estrelas 4

Obs.: contém spoilers do episódio. Leiam aqui as nossas críticas do restante da temporada.

Seguindo uma essencial mudança na temporada, que vimos no capítulo anterior, Chapter 7 nos mergulha no gênero found-footage através de uma narrativa que tem total consciência do tempo que resta até o término da temporada. Dispensando enrolações desnecessárias, o roteiro de Crystal Liu não esquece o que veio antes e sabiamente não  transforma esse novo início em uma repetição do vimos antes – a realidade é ainda mais sangrenta e repleta de momentos inesperados, nos proporcionando um episódio que mal nos dá tempo para respirar, quebrando nossas expectativas a cada instante da projeção.

A morte de Rory Monahan (Evan Peters) em Chapter 6 pegou a todos de surpresa e já iniciamos o episódio com esse evento no centro dos holofotes, tanto dentro da casa, quanto fora dela. O foco em Sidney (Cheyenne Jackson), naturalmente, continua, mas o personagem é logo cortado (literalmente), afunilando nossa atenção para o grupo dentro da casa. De fato, o primeiro choque que temos aqui é o assassinato do showrunner do seriado fictício, uma medida certa tomada pelo roteiro a fim de aumentar nossa tensão – qualquer esperança de um pedido de resgate é destruída por Agnes Mary Winstead (Kathy Bates), que simplesmente brilha no papel, nos oferecendo uma persona instável, que oscila entre suas duas personalidades de forma desequilibrada – o mistério sobre ela acreditar verdadeiramente que é a Açougueira permanece, construindo uma profundidade notável nessa pessoa problemática.

Limitar os elogios sobre atuação à Bates, todavia, seria um grande equívoco, visto que Sarah Paulson mais que se destaca aqui. Suas interpretações de Shelby e Audrey são totalmente diferentes uma da outra, ao ponto que não conseguimos conectar as duas personagens, mesmo estando diante da mesma atriz – dos trejeitos até a forma como fala, ela realiza um trabalho completamente diferente e o curioso é que o texto as coloca em situações similares, apostando na atriz para diferenciá-las e, é claro, criar uma forte ironia, visto que Audrey, assim como todo o elenco da série fictícia, não acreditava no que se passara naquele local.

Ao manter dois exclusivos enfoques – um fora da casa, através das personagens que vão buscar ajuda e outro dentro dela – o capítulo mantém uma coesão nítida, que não é perdido nessa metamorfose da temporada. Murphy e Falchuk parecem ter aprendido com seus erros no passado e mantém seus personagens conectados o tempo todo. Constantemente Dominic (Cuba Gooding Jr.) fala sobre Audrey, Monet e Lee, mesmo não estando no mesmo local, mantendo tudo conectado de maneira explícita.

O episódio peca somente em algumas representações nada verossímeis, especialmente grave agora que estamos falando da “realidade”. A maior delas é o fato de Shelby (Lily Rabe) tentar filmar Agnes momentos antes de quase ser morta – depois de tudo o que passou ela realmente não irá tentar sair viva? É claro que levar o corte de um cutelo no ombro não deve ser nada fácil, mas ela comeu o pão que o diabo amassou naquela casa, ela poderia, ao menos, ter tentando (sem êxito, porque essas coisas nunca funcionam) dar um chute em sua algoz. Outro exemplo dessa irrealidade é ver Dominic não ficar nada impressionado com Matt (André Holland) tendo relações sexuais com a bruxa – lembremos que ele não acreditava que ela era real.

Felizmente esses deslizes não nos distanciam desse clima de frenesi que nos assola durante o episódio. Chapter 7 apenas reitera o que já suspeitávamos: estamos diante da melhor temporada de American Horror Story, que nos entrega uma narrativa sólida, sem muitos desvios, que consegue manter seu foco no que realmente importa. Um ano que efetivamente consegue manter uma atmosfera constante de terror e suspense, nos deixando completamente incertos sobre o que irá acontecer a seguir. A única certeza é que mais pessoas irão morrer.

American Horror Story 6X07: Chapter 7 — EUA, 26 de outubro de 2016
Showrunners:
Brad Falchuk, Ryan Murphy
Direção:
Elodie Keene
Roteiro: Crystal Liu
Elenco: Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Angela Bassett, Wes Bentley, Evan Peters, Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr., Lily Rabe, Adina Porter, André Holland
Duração: 45 min.


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ahs

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.