Crítica | American Horror Story – 7X02: Don’t Be Afraid of the Dark

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Como disse na crítica da première dessa sétima temporada de American Horror Story, meu grande medo em relação a esse ano é que o seriado pudesse ser transformado em um grande “mimimi” em relação à vitória de Donald Trump. Felizmente, como mostrado tanto no primeiro capítulo, quanto aqui, em Don’t Be Afraid of the Dark, Ryan Murphy e Brad Falchuk utilizam o cenário de instabilidade criado em razão da eleição do novo presidente americano para desenvolver o terror dentro da série. Evidente que algumas questões políticas são, sim, colocadas em pauta, como a polêmica do desarmamento, que, por sinal, já foi abordada na primeira temporada.

Depois de alguns anos focando em uma série de personagens distintos, introduzindo um após o outro e, muitas vezes, não conseguindo encerrar seus arcos de forma apropriada, Falchuk e Murphy decidiram ser mais sucintos em Roanoke. Essa escolha parece se estender e ser aprofundada nesse segundo episódio da nova temporada, que foca, quase que exclusivamente, no casal composto por Ally (Sarah Paulson) e Ivy (Alison Pill), além do filho das duas, claro. Don’t Be Afraid of the Dark explora a crescente fobia e insegurança de Ally, criando a tensão não somente pela presença dos palhaços assassinos (que não são do espaço sideral), como pelo fato de sua esposa não acreditar nela, ponto que apenas funciona para isolar mais ainda essa mulher.

Naturalmente que a sensação de isolamento expande seus próprios medos, os quais, por sua vez, transformam o “estar sozinho” em “estar cercado”, aspecto, claro, aprofundado pela chegada dos excêntricos vizinhos, Harrison (Billy Eichner) e Meadow (Leslie Grossman) tão pouco tempo após o assassinato do casal que morava naquela casa. Aliás, o roteiro de Tim Minear, já veterano na série, acerta ao criar a dúvida sobre os culpados por trás desse crime, dando a entender que tanto os novos vizinhos quanto Kai Anderson (Evan Peters), podem ser os culpados, todos eles com motivos bem específicos para terem realizado tal ato. Claro que os olhares, por vezes ameaçadores, de Harrison e Meadow não ajudam a inocentar os dois, da mesma forma que a atitude agressiva de Kai.

Essa percepção de estar cercada, então, cria, em Ally, a “necessidade” de se ter uma arma em casa e desde esse momento temos a certeza de que ela irá acabar atirando em alguém inocente, que acaba sendo o cozinheiro do restaurante. É bastante gratificante enxergar como a subtrama envolvendo o assassinato no local, então, se une à ameaça dos palhaços na própria casa da protagonista, mostrando o quão bem amarrado foi o roteiro desse segundo episódio, que pode muito bem ser aproveitado por si só, não se apoiando unicamente em pontas soltas que transformariam o seriado em uma colcha de retalhos, como vemos em muitos seriados por aí.

Através da direção de Liza Johnson, estreante na série, mas que já trabalhara ao lado de Ryan Murphy em Feud, sentimos como se, a qualquer momento, algo pudesse dar errado. A diretora apoia-se demasiadamente em jump scares, mas isso não afeta muito nossa percepção do capítulo, visto que ela é hábil em trabalhar com planos de nítida profundidade, sempre guiando nosso olhar de forma que sentimos quase uma necessidade de retornar a certo trecho para ver se havia algo na sala pela qual um dos personagens passou direto. Ela conduz nossas expectativas e o ocultamento proposital dos palhaços dentro da casa, por exemplo, dialoga com o terror psicológico de Ally.

Mais uma vez, portanto, somos surpreendidos com um episódio de American Horror Story, que demonstra o quanto Ryan Murphy e Brad Falchuk aprenderam com os próprios erros, criando, nessa sétima temporada, uma narrativa mais focada, sem grandes devaneios que prejudicam o ritmo dos capítulos. Com Ally claramente na posição de protagonista ficamos angustiados ao ver que ninguém parece acreditar nela, enquanto que o terror se instaura através da expectativa do que o grupo de palhaços assassinos irá fazer a seguir. Com um poderoso cliffhanger somos deixados ansiosos e aflitos pelo que o futuro reserva para essa personagem.

American Horror Story – 7X02: Don’t Be Afraid of the Dark — EUA, 12 de setembro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Liza Johnson
Roteiro: Tim Minear
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward
Duração: 50 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.