Crítica | American Horror Story – 7X06: Mid-Western Assassin

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Com um início explosivo, a tensão já aparece imediatamente em Mid-Western Assassin, sexto capítulo da sétima temporada de American Horror Story. Após conhecermos a história por trás do culto de Kai Anderson, a história volta a ser desenvolvida prioritariamente no presente, com Ally novamente no centro das atenções. Se tínhamos receio do que veríamos na segunda metade desse ano, já que praticamente todos os mistérios foram revelados, agora conseguimos enxergar um caminho mais sólido para a temporada, com essa deturpada figura política sendo martirizada, ganhando, assim, mais força.

Depois de testemunharmos, em câmera subjetiva, o tiroteio durante o evento político, pulamos para onde fomos deixados na semana anterior: Meadow escapa de seu “marido” e do policial, pedindo ajuda a Ally, somente para ser capturada novamente. Após resgatá-la, Ally descobre mais sobre o culto, percebendo o quão cercada está – como única alternativa, recorre aos únicos que ainda acha que pode confiar: seu psiquiatra (irmão de Kai, lembram?) e a adversária de Anderson nas eleições, que é descartada tão rapidamente quanto fora introduzida, sendo assassinada pela gangue mascarada, assim que a protagonista revela o que há por trás desses assassinatos. Enquanto isso, assistimos a crescente paixão de Meadow por Kai, através de alguns bem inseridos flashbacks.

Há de ser louvada a maneira concisa como essa temporada vem sendo construída. Os showrunners, Ryan Murphy e Brad Falchuk, escolhem um ou dois personagens por capítulo e mantém a história focada quase que exclusivamente neles, sem grandes devaneios, que poderiam fragmentar a estrutura dos episódios, dilatando-os de maneira a entregar pouco desenvolvimento ao espectador, que, portanto, teria menos daquela sensação de recompensa ao terminar a exibição. Ainda que seja estranho ver a personagem Beverly Hope no “banco de reserva” aqui em Mid-Western Assassin, já que nos anteriores ela recebeu um bom destaque, entendemos a decisão do roteiro em manter a maior linearidade possível.

À essa altura da temporada, é seguro dizer que não temos a típica presença do medo, como comumente vemos em filmes de terror por aí – ele foi substituído pelo medo como foco da trama: utilizado por Kai a fim de alcançar o poder, não muito diferente de inúmeros políticos que vemos por aí (não somente nos EUA, claro). É desconfortável, portanto, ver como a direção de Bradley Buecker, insiste em utilizar jump scares e outros recursos visuais típicos do gênero, já que esse não é o foco aqui. A questão do medo em si e instabilidade política ainda dialoga com os recentes atentados em território americano, especialmente com o tiroteio em Las Vegas, até de forma inapropriada – é estranho, até mesmo desrespeitoso, ver um tiroteio contra civis em tela tão próximo desse acontecimento, por mais que o paralelo seja evidente, tornando a série mais atual do que nunca.

Deixando isso de lado, o twist final, envolvendo Kai e Meadow foi executado de maneira singular, tirando o problema da conveniente mudança de lado da personagem, que, agora, tem um motivo claro para revelar o que há por trás do culto, além de meramente funcionar como artifício do roteiro. Além disso, é bom ver como essa personagem, que já permanecia deslocada há algum tempo, ganha seu merecido tempo em tela, de tal forma que sentimos a importância de cada indivíduo ali – nenhum deles permanecendo meramente como figurantes, com todos possuindo papéis bem específicos, seja o redneck que cortou a própria mão, ou a repórter responsável por transmitir o terror aos cidadãos daquela região.

Se antes duvidávamos da possibilidade de Kai efetivamente conseguir algum poder, essa duvida foi colocada abaixo em Mid-Western Assassin, episódio que soube muito bem quebrar nosso receio em relação ao futuro dessa temporada. Com Ally presa e Anderson criando sua imagem de Cristo renascido, o que fica difícil visualizar agora é um final feliz para toda essa história – novamente somos deixados ansiosos pela semana posterior, com a temporada claramente sendo renovada.

American Horror Story – 7X06: Mid-Western Assassin — EUA, 10 de outubro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Todd Kubrak
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward,  Adina Porter
Duração: 51 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.