Crítica | American Horror Story – 7X07: Valerie Solanas Died for Your Sins: Scumbag

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Analisar temporadas de séries por episódios, conforme eles são lançados, funciona como facas de dois gumes – enquanto permite um olhar mais aprofundado sobre cada  capítulo, essa falta de visão do quadro geral pode sofrer modificações com o progresso da série, visto que não sabemos exatamente onde iremos parar a seguir. Por isso já adianto que posso estar completamente errado sobre parte das coisas que irei escrever aqui, especialmente acerca da importância desse sétimo episódio, Valerie Solanas Died for Your Sins: Scumbag, que, por enquanto, parece ser um grande devaneio de Ryan Murphy e Brad Falchuk.

O roteiro de Crystal Liu nos apresenta a  Bebe Babbitt, vivida pela ótima Frances Conroy, que reúne as mulheres do culto de Kai a fim de mostrar como ele está as deixando de lado, dizendo que elas precisam agir por conta própria. Para convencê-las, ela conta a história de Valerie Solanas, feminista radical conhecida por ter atirado (mas não matado) Andy Warhol e por ter escrito o manifesto SCUM. Segundo Babbitt, Solanas formou o próprio culto, que foi responsável pelas mortes atribuídas ao assassino do zodíaco, a fim de combater os homens, que são o grande mal da sociedade.

O que gera certo estranhamento imediato na estrutura narrativa desse sétimo capítulo é como ele transita constantemente entre os flashbacks e o tempo presente, mantendo tudo em uma não-linearidade bastante burocrática, que logo nos faz questionar a necessidade dessa história toda. Claro que tudo foi um plano de Kai para “motivar” as mulheres de seu culto, mas elas já eram devotas a ele antes disso, especialmente Beverly, então por que tudo isso? A sensação deixada é que tudo girou em torno de um twist barato. Mas, como disse antes, posso estar errado, já que os desdobramentos só iremos ver nas próximas semanas.

A excelente Lena Dunham, naturalmente, mais do que encarnou Valerie Solanas, nos entregando uma das melhores interpretações da temporada. Exagerada, claro, mas condizente com a ideologia radical dessa mulher. Vale ressaltar que o manifesto e a tentativa de assassinato contra Andy Warhol realmente aconteceu. O curioso é que o roteiro de Liu decidiu alterar os fatos, dando a entender que ela, de fato, matou o artista, quando, na realidade, apenas o feriu. Outra alteração foi a própria morte da feminista radical, que, de fato, morreu de pneumonia em seu quarto de hotel. Claro que essas mudanças, assim como a existência do culto SCUM, pode ter sido invenção de Babbitt e Kai.

O grande problema da inclusão desse episódio aqui é que há pouco já tivemos todos os flashbacks envolvendo a formação do culto, sem falar da mesma estrutura em torno de um twist no capítulo anterior, o que nos distancia do presente, prejudicando o ritmo geral da temporada. Parece que estamos muito distantes dos eventos que realmente importam, demonstrando até uma certa falta de foco por parte dos showrunners, ao contrário do que vimos nos primórdios desse sétimo ano, todo focado em Ally.

Dito isso, Valerie Solanas Died for Your Sins: Scumbag pode ter sido um episódio capaz de entreter em razão da interpretação de Lena Dunham, mas, como peça de um quadro maior, ele soa deslocado e, dependendo do que veremos posteriormente, desnecessário. Resta torcer para que esse twist não fique perdido em meio a mais falta de foco por parte de Falchuk e Murphy.

American Horror Story – 7X07: Valerie Solanas Died for Your Sins: Scumbag — EUA, 17 de outubro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Rachel Goldberg
Roteiro: Crystal Liu
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward,  Adina Porter, Lena Dunham, Frances Conroy
Duração: 51 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.