Crítica | American Horror Story – 7X08: Winter of Our Discontent

– Contém spoilers do episódio. Leiam, aqui, as nossas outras críticas da série.

Um dos problemas recorrentes de American Horror Story é a forma como suas temporadas acabam se perdendo após determinado tempo. Na tentativa de introduzir novos elementos, explorar diferentes caminhos, Ryan Murphy e Brad Falchuk acabam deixando de lado aspectos importantes da história que vinha sendo construída até então. Esse defeito, presente no seriado desde o seu primeiro ano, aparece novamente aqui em Cult, ao passo que os flashbacks se tornam cada vez mais presentes na narrativa, tirando espaço de importante desenvolvimento de certos personagens.

A mudança da narrativa chega a parecer como se fosse da água para o vinho, se compararmos Winter of Our Discontent com qualquer um dos capítulos iniciais desse sétimo ano. O que vimos nas primeiras semanas foi o foco quase que exclusivo em Ally, algo bastante conciso, similarmente ao que foi feito em Roanoke, no ano passado. As retrospectivas, porém, se tornaram tão constantes que praticamente forçam aspectos importantes da temporada a serem trabalhados fora da tela. Bom exemplo disso é a internação de Ally, que jamais é mostrada e que representa um ponto de virada na vida da personagem – aquela que vemos aqui não é a mesma de antes, metamorfose, essa, que deixamos de acompanhar. Curioso, visto que se trata de uma das mais importantes figuras da temporada.

Por mais incrível que pareça ser, esse está longe de entrar como o maior deslize desse oitavo episódio. O que efetivamente mais incomoda são os pulos ilógicos dados pelo roteiro de Joshua Green, que faz soar como se os personagens fossem todos extremamente voláteis e estúpidos. Bom exemplo disso é a invenção da necessidade de um messias por parte de Kai, que chega a adotar pontos de The Handmaid’s Tale (em clara referência/ cópia), a fim de produzir um herdeiro, que possa continuar sua deturpada missão. O grande problema disso é que jamais ele havia sequer sugerido que precisaria ter um filho ou algo assim e o fato de precisar utilizar Winter para tal faz tudo soar ainda mais forçado. Claramente Falchuk e Murphy buscam chocar o espectador, mas a custo da lógica interna de sua série.

Além disso, temos o que chega a parecer como completa troca de opinião por parte dos roteiristas do seriado, visto que, em um momento vemos Kai incentivando (por trás dos panos) as mulheres a se rebelarem, enquanto que no outro o assistimos indignado com uma dessas pessoas. Ainda que a personagem interpretada por Frances Conroy possa vir a aparecer futuramente, sua ausência foi sentida aqui, transformando o capítulo anterior em uma perda de tempo maior do que ele já parecia ser. Similarmente temos a rápida resolução da subtrama envolvendo o Dr. Rudy, que é sumariamente descartado a fim de produzir o artificial plot twist final. Aliás, a necessidade de inserir um desses no final de todos os episódios é mais que sintomático da falta de foco dos showrunners.

Winter of Our Discontent, portanto é um episódio cujo título dialoga com a nossa própria percepção desses quarenta e cinco minutos, que mais ainda aprofundaram o descontentamento em relação a essa esquizofrênica temporada. Falchuk e Murphy novamente erram a mão, provando que ainda não conseguiram se livrar da falta de foco, que tem assolado o seriado desde a sua concepção. Resta torcer para que isso seja corrigido nos episódios futuros, caso contrário enxergaremos Cult como mais uma grande decepção, em uma série já com saldo negativo em termos de qualidade das temporadas.

American Horror Story – 7X08: Winter of Our Discontent — EUA, 24 de outubro de 2017
Showrunner: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Barbara Brown
Roteiro: Joshua Green
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Cheyenne Jackson, Billie Lourd,  Alison Pill,  John Carroll Lynch, Billy Eichner, Leslie Grossman, Cooper Dodson, Jorge-Luis Pallo, Zack Ward,  Adina Porter
Duração: 45 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.