Crítica | American Horror Story – 8X01: The End

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

A oitava temporada de American Horror Story, cujo subtítulo é Apocalypse, foi amplamente envolta em teorias e especulações superficiais quando se anunciou que seu enredo seria o cruzamento entre Murder House (a 1ª Temporada) e Coven (a 3ª Temporada) da série. O que realmente o espectador novato precisa saber para entrar nessa nova antologia é o seguinte: ao fim de Murder House, um garotinho chamado Michael Langdon (que é basicamente um Demônio/Anticristo, filho de um fantasma e uma humana, cuja “missão” seria trazer o Fim dos Dias à Terra) aparece todo risonho após ter matado a sua babá.

O que não sabemos de lá até o presente momento é: por onde ele esteve, o que ele fez. Sua trajetória nesse ano do show,se juntará à óbvia trajetória realmente mística das antologias anteriores, ou seja, a temporada das bruxas. O restante irá consistir em aparições de rostos recorrentes da série e referências a rodo das citadas temporadas, mas nada que impeça novos espectadores chegarem ao programa, mesmo sem “o devido preparo”. Quando Ryan Murphy disse isso, nas primeiras entrevistas de divulgação da temporada, a frase soou estranha para boa parte dos espectadores, porque assumidamente Apocalypse é um crossover. Bem… nada que um roteiro expositivo para um show que jamais irá se isolar não funcione, não é mesmo? E aqui já temos um dos poucos problemas sérios desse primeiro episódio da temporada, a farta explicação de conceitos e cenas inteiras para o espectador.

Não há muita novidade na conceitualização do apocalipse nuclear aqui, nem em termos de desordem social, desespero e real noção de “fim do mundo”, nem em termos de ligação espiritual, como abertura de portas satânicas ou o início de uma “Era do Mal”. O momento mais recente que me lembro disso ter sido mostrado na TV foi em Twin Peaks – The Return: Part 8, que foi ao ar no ano anterior a este The End. A questão aqui, porém, volta à premissa que eu sempre defendi e que leitores antigos do PC já estão habituados de minha parte: a rigor, não interessa muito se é clichê ou se não carrega a aura de “originalidade” tão altamente louvada, inclusive por nós, críticos. O que realmente importa é o quão bem feita é esta releitura e como ela está posta, em texto e no âmbito estético, ao dar suporte para o que esta nova peça propõe ao espectador. E nesta visão de cumprir bem o que é proposto, o roteiro de Ryan Murphy e Brad Falchuk está no ponto [quase] certo, assim como a direção de Bradley Buecker.

Os tropeços nos diálogos e situações demasiadamente expositivas acabam não tendo um impacto tão negativo a ponto de estragar o episódio (bem, nem isso, nem a cena gratuita de “limpeza de radiação” que só serviu mesmo para mostrar a bunda de Evan Peters para nós… — embora alguns possam dizer que “se foi para mostrar a bunda de Evan Peters, então não foi gratuito), que constrói com muita competência o cenário de medo através do confinamento.

Baseado nas claustrofóbicas esculturas labirínticas de Richard Serra — um misto de algumas peças da série TorquedInside Out — o Posto 3 é o local onde a Cooperativa tem Wilhemina Venable (Sarah Paulson) e Miriam Mead (Kathy Bates) como primeira e segunda dirigentes. O local onde nos habituamos à ideia de fim de mundo. Da metade para frente do capítulo, o tom cômico e de desespero à toda prova dá lugar ao rançoso isolamento em um lugar do qual não se tem prazo para sair, com uma espécie de “tortura musical” repetida no decorrer dos meses e a clara visão de que nada está para melhorar. Pelo contrário. Notícias de que outros Postos da Cooperativa foram invadidos chegam a conhecimento de Venable e Mead. O poder se descentraliza. O medo aumenta.

O trabalho com a realidade aqui acrescenta uma nota ainda mais macabra à situação. Tudo bem que é um evento extremo, mas não é impossível. A grande questão é: que outras forças podem surgir nesse meio de danação atômica? Entre excelentes atuações de todo o elenco, fotografia tinindo em uma paleta quente sob filtros (tendo o seu oposto na parte exterior, onde tudo é cinza e verde), dando a impressão de ambiente falsamente aconchegante no interior do posto (a dinâmica lembra a de Checking In, mas se torna ainda mais opressiva e sugestiva aqui) e sugestões dramáticas que nos deixam pensando muito para o que virá (a questão do DNA, o 666 no espelho, a própria presença do menino Langdon) fazem desse “Piloto” um bom início de temporada. A ideia é majoritariamente bem executada e os ganchos foram preciosos, sem uma visão intricada demais ou rasa demais. O fim, pelo menos nesse caso, foi um [bom] começo.

American Horror Story – 8X01: The End (EUA, 12 de setembro de 2018)
Direção: Bradley Buecker
Roteiro: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Billy Eichner, Billy Eichner, Ash Santos, Erika Ervin, Jeffrey Bowyer-Chapman, Dina Meyer
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.