Crítica | American Horror Story – 8X02: The Morning After

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Uma parte do que se viu como novidade no episódio de estreia desta 8ª Temporada de American Horror Story deixa-se levar, aqui, por um estranho conformismo no desenvolvimento da estadia de Langdon (Cody Fern) no Posto Ipiranga 3. A organicidade como os fatos aqui são mostrados aplaca um pouco os problemas, mas isso só permite que, em enredo, o episódio fique acima da média e não que muitos de seus momentos importantes caiam em uma seara de perguntas do tipo “ok, mas por que essa cena aqui e agora? O que isso traz de novo para a série?“.

Já tinha ficado claro que Michael Langdon criaria, neste segundo capítulo, um meio de distinguir os personagens do Posto 3 entre merecedores e não merecedores do Santuário, o lugar fortemente protegido que pode salvar a humanidade da extinção. Para lá, todavia, vão apenas “indivíduos que possuem alguma serventia” e The Morning After serve como catalisador dessa premissa, ou seja, o episódio onde os merecedores se revelariam. Mas não é bem isso que temos aqui, ao menos não de maneira completa ou realmente boa. Como linha central, o roteiro de James Wong se divide em dois grandes blocos, um com Mr. Gallant (Evan Peters), Langdon e o Rubber Man (Riley Schmidt) e o outro com os dois piores personagens desse capítulo, em uma aula magna de canastrice: Timothy (Kyle Allen) e Emily (Ash Santos). Se suas atuações foram aceitáveis no primeiro episódio, o mesmo não acontece aqui. E tudo piora ainda mais quando os vemos dizer frases e fazer caras espantadas vestidos com roupas de época. Chega a ser engraçado.

No bloco de Gallant e Langdon uma boa porta de horror é aberta, ligada ao crime, ao ódio, ao impulso, algo que o Demônio certamente traria à tona em um personagem como o jovem carente que foi sumariamente rejeitado. Particularmente, gosto de tudo relacionado aos dois. Evan Peters está ótimo nesse papel debochado e Cody Fern entrega uma performance que é um misto de enigma, contenção e representação de força. Até o absurdo ligado à sua atuação me agradou, como as lágrimas injustificáveis ao falar da criança cheia de tumores que a mãe pedia para matar. Vejam como o ator utiliza um tom completamente diferente ao falar para os isolados no Posto 3, na sala de jantar; e depois nos encontros particulares entre Gallant e Wilhemina Venable, uma Sarah Paulson ainda melhor que na estreia da temporada.

A incongruência do capítulo vem exatamente quando tentamos ligar a intenção principal (a seleção, um tipo estranho de Jogos Vorazes, como Coco diz no jantar das cobras) com o que é apresentado para “preencher os espaços” narrativos. O texto é muito bem guiado pela direção de Jennifer Lynch, especialmente nos planos de conjunto, e flerta com o público através de pistas como a transformação de Timothy e Emily no casal Adão e Eva pós-Armagedom (eu ri quando eles entraram no quarto de Langdon e tinha um Mac da Apple esperando por eles… Mais Livro do Gênesis impossível) e traz duas resoluções boas e malucas, como a morte (será mesmo?) de Evie Gallant (a maravilhosa personagem da maravilhosa Joan Collins) e a revelação de que Miriam Mead é um robô. A atuação de Kathy Bates naquela cena é tão fantástica e a coisa é tão absurda, que me vi em um conflito de emoções, sem saber exatamente o que sentir (cientistas chamam isso de Síndrome de Roberta Miranda).

Aplacada a animação da estreia (pelo menos da minha parte) AHS entra agora naquele limbo onde só nos resta esperar que os showrunners tenham pensado em um bom plano para o andamento da temporada. Existem muitas (e boas!) promessas em aberto, mas alguns núcleos de atuação e a interação entre diferentes blocos precisa caminhar por uma outra trilha. Não sei se isso é um esgotamento prematuro do confinamento — e a saída do Posto 3 pode, claramente, mudar as coisas — ou se é aquilo que alguns de vocês já cantaram a letra nos comentários do capítulo anterior. Eu ainda estou animado, mas não dá para evitar a sensação de “retorno à decepção” que tantas vezes essa série nos trouxe. Realmente espero que não. Veremos.

American Horror Story – 8X02: The Morning After (EUA, 19 de setembro de 2018)
Direção: Jennifer Lynch
Roteiro: James Wong
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Kyle Allen, Ash Santos, Erika Ervin, Jeffrey Bowyer-Chapman, Joan Collins, Navaris Darson, Chris Ferro, Riley Schmidt, Jason Michael Snow
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.