Crítica | American Horror Story – 8X03: Forbidden Fruit

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Consideravelmente mais interessante que The Morning AfterForbidden Fruit realiza, enfim, o que o episódio passado não fez, mas deveria ter feito. A série avança a passos largos, ao mesmo tempo que dá um jeito de acrescentar as bruxas no enredo, algo que deveria ser feito o quanto antes, para não correr o risco de trama uma corrida e dificuldades de finalização — das coisas que uma temporada crossover precisa, esta não é uma delas.

Os dois primeiros blocos do episódio são realmente muito bons. A montagem brinca com a presença de Michael Langdon (Cody Fern, em sua luxúria diabólica) guiando diversas entrevistas, mas de um modo que entrelaça cada uma das partes, fazendo com que os diálogos e as frases se completem, mesmo pondo em cena diferentes personagens, com diferentes demônios internos e em diferentes confissões. A posição do filho do Diabo diante dos medos e das maldades das pessoas do Posto 3 é a essência para que a gente entenda os motivos e o projeto de mundo futuro, nesse Universo de Apocalypse. É instigante ver a maldade e as muitas perturbações e forças desconhecidas (Mallory que o diga) como exigências. Acima de tudo, é coerente com a proposta da temporada.

Se a sequência das entrevistas é mais virtuosa em termos de montagem e até de angulação e variação da fotografia, o mesmo não acontece com a cena entre Wilhemina Venable e Miriam Mead, isolando as excelentes Sarah PaulsonKathy Bates, dando a oportunidade delas entregarem algo profundo, íntimo e aplaudível (muito mais do que a sequência das entrevistas, embora esteticamente menos escrupulosa). A cena é simples, mas os sentimentos de Mead que vêm à tona e a reação estratégica de Wilhemina Venable tornam tudo muito mais impressionante, tendo, inclusive, um toque final inesquecível, quando descobrimos que tudo era um plano do Anticristo. Esses aspectos do roteiro de Manny Coto foram os mais interessantes para mim aqui, bem diferente do que temos depois.

Daí então vem o preenchimento com a história de Brock (Billy Eichner, de quem não consigo gostar de jeito nenhum), que de executivo abobalhado vira um matador-sobrevivente de um apocalipse nuclear. Mais forçado, impossível. Não fosse esse bloco da história — que ainda tem a absurdamente péssima perspectiva de tempo/espaço para que Brock alcançasse a carruagem com as maçãs –, o episódio poderia chegar a um lugar bem melhor, já que todo o restante do texto serve bem ao propósito de desenvolvimento (final?) dos personagens e das distintas situações aqui, onde incluímos a nojenta cena do vômito e das mortes pelas maçãs envenenadas e o trajeto das bruxas do que deve ser o Santuário até o Posto 3. Uma série de boas revelações foram feitas. Resta agora saber como essa quebra de primeiro padrão (com as mortes, com tudo) vai servir para dar a cara do segundo núcleo da temporada. Continuo curioso e otimista, apesar da desconfiança gritando atrás da orelha.

American Horror Story – 8X03: Forbidden Fruit (EUA, 26 de setembro de 2018)
Direção: Loni Peristere
Roteiro: Manny Coto
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Kathy Bates, Frances Conroy, Billy Eichner, Kyle Allen, Ash Santos, Erika Ervin, Jeffrey Bowyer-Chapman, James MacDonald, Camryn Cregger
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.