Crítica | American Horror Story – 8X04: Could It Be… Satan?

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Ok, eu não estava esperando por isso.

Como eu NÃO VEJO nenhum preview de nenhuma série que acompanho (eu raramente vejo trailers, em geral) e não busco nenhuma informação sobre os episódios antes de assisti-los, sempre tenho o choque inicial das particularidades de cada um. E exposto isso, devo dizer que para mim, Could It Be… Satan? foi ao mesmo tempo uma surpresa e um choque bastante positivo. Se eu tirar de lado a dúvida que me atacou desde o episódio passado (por quê Myrtle está aqui mesmo?), temos nesse quarto capítulo da temporada um flashback soberbo para a juventude e início de vida adulta de Michael Langdon, com questões acompanhadas de boas e corajosas informações a respeito do personagem e dos poderes que estão ao seu redor ou contra ele.

O funcionamento do roteiro de Tim Minear dependia da exposição do passado a partir de algo crível e relacionável, mesmo que fosse diferente do que imaginávamos para os personagens. Quando comentei de “algo corajoso” era disso que eu estava falando. Vejam, por exemplo, como o texto vai pincelando o passado do Anticristo à medida que porções de seus poderes e uma rápida afirmação de consciência e possibilidades mágicas lhes são apresentadas. E sim, eu acho orgânica e compreensível toda essa primeira parte da trajetória.

A montagem, aqui, é outro elemento técnico aplaudível, e vemos como o ciclo de espaços se alternam na tela, cada um nos entregando uma peça que nem sabíamos que faltava no quebra-cabeça.

A primeira afirmação óbvia é a parte visual de Cody Fern, que fica imensamente mais bonito e mais intimidador de cabelo curto e sem aquela maquiagem avermelhada ao redor dos olhos que sua versão do Apocalipse tem. Óbvio que eu entendo o apelo da equipe de maquiagem e cabelo para essa mudança, mas não creio que fez jus ao personagem, justamente nessa fase em que ele precisa mostrar um nível cada vez maior de poder, dominação e controle de todas as coisas. Me digam se para vocês esse impacto em relação à aparência dele também vai por este caminho.

A passagem da cena de ressurreição — após os eventos à la Jardim “Infernal” do Éden, em Forbidden Fruit — me pareceu inicialmente problemática. Mas em pouco tempo eu entendi a escolha do roteirista e também da diretora Sheree Folkson em escolherem aquela forma de introdução. Folkson é conhecida por suas elegantes manipulações de câmera como perscrutadora do espaço, com belos travellings em distintas direções e passando por interessantes ângulos, alguns para destacar emoções em desequilíbrio e outros para colocar determinados personagens em posição de grande importância, mesmo que faça questão de ressaltar a diferença entre o exterior e o interior, vide a ótima cena final, quando a câmera mostra Michael, Queenie e Madison, passando de um plano geral e central para um primeiro plano inclinado em alguns graus justamente em um triunfante Michael, ao mostrar que tinha poder o bastante para fazer o que uma amedrontada Cordelia não conseguiu. Seria a confirmação da Profecia do Alfa?

A ligação com Coven e especialmente com Hotel me pareceu algo orgânico do começo ao fim. Como no caso da já citada primeira cena, se as minhas impressões iniciais foram de estranheza, em alguns momentos, logo ela se dissipou para a de cumplicidade, entendimento e engajamento, tendo aí dicas, apresentações e material para pensar até onde vai esse jogo de poderes: a escola de bruxos, o shade fervoroso (e incrível) das bruxas em relação aos feiticeiros, a colocação de Mallory em um interessante papel de destaque no Coven, a colocação de Mead como uma real mãe adotiva e satânica (é isso mesmo?) de Michael (o que fez com que Constance desistisse dele?), o maravilhoso destaque para as duas bruxas condenadas e salvas e, claro, os velhos rostos em um cenário que me divertiu o tempo inteiro. Minha única colocação em falso — mas não a ponto de tornar o episódio menor — é o seguinte: por que diabos esses bruxos são tão babões em relação a Michael e só John Henry Moore (Cheyenne Jackson) parece ter o mínimo de desconfiança e cuidado prévio em relação à natureza maligna dos poderes do jovem? Eu esperava mais sabedoria e principalmente desconfiança de bruxos tão experientes e poderosos…

American Horror Story – 8X04: Could It Be… Satan? (EUA, 3 de outubro de 2018)
Direção: Sheree Folkson
Roteiro: Tim Minear
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Kathy Bates, Cheyenne Jackson, Frances Conroy, Taissa Farmiga, Gabourey Sidibe, Jon Jon Briones, Billy Porter, BD Wong, Brendan McCarthy, David Atkinson
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.