Crítica | American Horror Story – 8X09: Fire and Reign

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Se tem uma coisa que me incomodou nesse episódio foi a manutenção da característica de “demônio perdido” que Michael Langdon apresenta diante da tarefa de destruir o mundo e cumprir a profecia de ascensão do Anticristo e de Satã ao poder sobre a Terra. Em Sojourn, ainda era possível entender e aceitar isso, ao menos para mim. Naquela ocasião, víamos o filho da capeta sem as bases que o sustentavam “moralmente” até ali, num tipo de abandono que para ele, àquela altura do campeonato, era difícil entender, daí a postura perdida, sem saber que caminhos seguir. Gostemos ou não da forma como isso foi apresentado é inegável que a escolha feita pelo roteiro de Joshua Green era coerente com a proposta. Mas aí vem Fire and Reign e essa postura permanece. E já não é mais compreensível.

Escrito por Asha Michelle WilsonFire and Reign é um episódio que, em ação, funciona muitíssimo melhor que o seu antecessor (embora em qualidade técnica e narrativa eu tenha gostado igualmente de ambos), mostrando, enfim, o contato de Landgon com a Cooperativa que, surpresa surpresa, são os Illuminati. Nós já conhecemos a postura fanfarrona do showrunner dessa série, então não é uma novidade ver essas brincadeiras e esse jogo com teorias e observações do cotidiano colocadas na série. Em última análise, isso torna o enredo ainda mais divertido e ligado ao nosso cotidiano, o que sempre é uma boa postura de um roteirista para engajar o público.

A divisão de blocos cênicos também tem um caráter diferente aqui, mais escrupuloso que o do episódio anterior. Como a trama realmente avança nesse episódio, participamos de diversos momentos de preparação, conjecturas e empurrões ideológicos feitos ao Anticristo, que simplesmente não tem o que é necessário para assumir o seu posto. Eu tenho quase certeza que na reunião de Ryan Murphy com a equipe de roteiristas ele deve ter citado Belas Maldições: As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa e foi desse livro que saiu a premissa para o Anticristo conhecido e apresentado para todos os envolvidos na causa, porém, despreparado, talvez diplomático demais para pensar em uma real destruição. E é justamente isso que me incomoda. Michael é praticamente um pau mandado dos dois malucos da Central de tecnologia, posição que eu jamais esperaria vir de alguém como o Anticristo.

A cena de destruição do Coven e sua disseminação para a Era dos Romanov (esse povo da Arca Russa está mesmo na moda, hein!) são os meus momentos favoritos do episódio. Eles mostram Michael e Mead em ação, no melhor estilo da série. Claro que eles voltam a aparecer no final, em uma postura mais teórica e confabulesca que não me irritou mas também não serviu para me animar de verdade. Foi bem feito, claro, e a direção de Jennifer Arnold tem um bom papel nisso, com toda sua elegância na hora de mostrar muitos personagens em um único quadro. Minha impressão é que 40 minutos de Finale não serão o bastante para explicar tudo a contento. Posso estar errado, é claro, mas para uma temporada que tanto me agradou e divertiu como essa, eu não vou aceitar nada menos que um final decente. Já até botei minha barba de molho…

American Horror Story – 8X09: Fire and Reign (EUA, 7 de novembro de 2018)
Direção: Jennifer Arnold
Roteiro: Asha Michelle Wilson
Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Adina Porter, Billie Lourd, Leslie Grossman, Cody Fern, Emma Roberts, Cheyenne Jackson, Kathy Bates, Frances Conroy, Taissa Farmiga, Gabourey Sidibe, Billy Eichner, Billy Porter, Mark Ivanir, Emilia Ares, Yevgeniy Kartashov, Joan Collins, Silvia Busuioc
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.