Crítica | Amor Sem Fim (2014)

estrelas 1,5

Quando nosso editor-chefe, Luiz Santiago, pediu-me para assistir e criticar Amor Sem Fim, remake do “clássico” de 1981, devido ao seu desgosto profundo pela obra original, senti um certo temor crescendo pela espinha. Refilmagens têm o costume de serem desnecessárias e, quando o material de origem é terrível, já podemos esperar o resultado final. Contudo, ao contrário de uma obra que buscava ser ousada e repleta de mamilos (como explicitado em nossa crítica), o que testemunhei foi um típico chick-flick, uma comédia romântica adolescente genérica.

Não se enganem, ainda não estamos falando de um trunfo do cinema. O longa conta com diversos problemas em sua duração, mas que não o tornam impossível de ser assistido. Seguindo o mesmo esquema “garoto e menina se apaixonam, terminam e voltam novamente”, Amor Sem Fim transborda no clichê, com direito a uma trama de aproximadamente 423 anos, tirada diretamente de Romeu e Julieta. Mas vamos à história propriamente dita. David (Alex Pettyfer) é um rapaz genérico de filmes românticos (forte, com senso de humor, voz mais grossa e gentil) que há anos é apaixonado pela menina exageradamente recatada de seu colégio, Jade Butterfield (Gabriella Wilde), que ainda sofre com a perda do irmão há três anos.

Shana Feste, diretora e co-roteirista do longa trabalha exclusivamente em cima do relacionamento entre os dois jovens, incluindo uma problemática gerada pelo pai super-protetor de Jade. Não há segredos na narrativa e logo seu lugar comum começa a cansar o espectador, a menos que este também transborde de romance. Os personagens são completamente unilaterais e não demonstram nenhum avanço durante toda a projeção – da mesma forma que entram, saem, não dando espaço para qualquer ator se destacar. Isso acaba provocando certos exageros de personalidade que se expandem para a relação entre os dois protagonistas. Definitivamente não se trata de uma visão madura sobre o namoro, ao ponto que prioriza tal paixão de verão ao futuro de qualquer um deles, algo que é, assustadoramente, incentivado por uma grande quantidade de personagens.

Os problemas do roteiro, porém, não se estendem para a fotografia de Andrew Dunn. Embora seja bastante convencional, ela acaba se destacando em poucos momentos, trazendo à tona a paixão desenfreada de David e Jade. Aliada à montagem de Maryann Brandon, ainda clássico-narrativa, mas que se demonstra traços de criatividade em algumas transições, temos um filme que não cansa visualmente, não apelando para o exagero do plano e contra-plano, como é visto em várias obras do gênero.

Infelizmente, essa leve criatividade não está presente na trilha sonora, que cai no lugar comum, exibindo inúmeras músicas pré-existentes a fim de forçar determinada emoção no espectador. Sim, todos os filmes buscam tal efeito, o problema é a falta de naturalidade garantida às sequências por uso desse artifício. Ainda assim, o resultado desejado consegue ser atingido em determinadas cenas, quando estas não pecam pelas inúmeras falhas do roteiro.

Amor Sem Fim tem dificuldade para manter sua audiência entretida, não oferecendo qualquer material inovador. Seu texto possui mais falhas que acertos, não conseguindo imergir o espectador em sua narrativa. Porém, através de alguns esforços da fotografia e montagem, conseguimos nos manter até o fim da projeção, mesmo que isso nos exija certo esforço. Nada mais que um velho chick-flick, nos moldes que já poderíamos esperar.

Amor Sem Fim (Endless Love – EUA 2014)
Direção: Shana Feste
Roteiro: Shana Feste, Joshua Safran (baseado no livro de Scott Spencer)
Elenco: Gabriella Wilde, Alex Pettyfer, Bruce Greenwood, Joely Richardson, Robert Patrick, Rhys Wakefield, Dayo Okeniyi, Emma Rigby, Anna Enger
Duração: 104 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.