Crítica | Andando Pelas Ruas de Moscou

estrelas 4

Georgi Daneliya foi um dos diretores que alcançaram um rápido destaque na União Soviética durante o período de estagnação do realismo socialista, especialmente na década de 1970. O diretor, hoje pouco conhecido, dirigiu filmes de forte apelo popular e de alta qualidade artística, filmes que tiveram repercussão junto aos festivais de cinema do país e até mesmo no exterior. Andando Pelas Ruas de Moscou (1964), seu quarto filme, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, a primeira de duas indicações para esse prêmio que o cineasta receberia.

Com um elenco de protagonistas jovens (dentre eles, o futuro diretor Nikita Mikhalkov de Peça Inacabada Para Piano Mecânico, 1977), Daneliya realizou uma comédia romântica sutil, um pequeno instantâneo da juventude moscovita de meados dos anos 60. Um escritor da Sibéria, um operário do metrô, um futuro soldado e uma vendedora de discos são os jovens em questão, e o que vai pontuar a convivência entre eles é a inconstância típica da juventude.

Observamos Kolya, Volodya, Alyona e Sasha transitarem pelo centro da cidade, cada um tentando alcançar uma coisa diferente. Essa disparidade de interesses gera alguns conflitos entre os amigos e as idas e vindas, brigas e pazes que acompanhamos no decorrer da história mostra não só o temperamento intempestivo do grupo quanto a vontade de realizar algo prazeroso e importante sem nunca deixar de lado a possibilidade do amor. O filme é justamente essa oposição entre a vida quase boêmia e despreocupada dos jovens com as nuances da vida adulta e o compromisso amoroso, que para um deles chega muito cedo, como o casamento de Sasha aos 19 anos.

Menos como um núcleo familiar e mais como um núcleo fraterno, as relações humanas que vemos durante a história parecem tão felizes e completas (mesmo nas discussões e separações momentâneas) que a obra ganha um ar de pequeno conto de fadas urbano, onde os inimigos são cães que mordem pedestres na praça, a chuva que trava o trânsito ou a falta de dinheiro que impede o noivo de comprar um terno novo. Mas essa característica não torna o filme artificial. Intercalando planos de trabalhadores ou da cidade em movimento durante todo o dia, Daneliya faz com que o tom realista encubra a fantasia urbana, dando ao filme a atmosfera mais social e emotiva possível.

Mas o grande responsável por essa constituição alegre e mutável da película é o elenco. Os quatro atores protagonistas fazem um maravilhoso trabalho na exposição de suas personagens, apostando em uma apresentação mais própria de si mesmos do que preocupando-se em criar uma outra pessoa, um sinal claro e certeiro da mão de Daneliya na direção. A música e a fotografia tornam tudo ainda mais belo, a primeira, apostando em temas quase infantis, dando ao filme um tom presente de brincadeira ou fantasia, como já dissemos; a segunda, dando a Moscou uma belíssima representação em preto e branco, principalmente nas tomadas noturnas.

Com uma sequência final terna e emocionante, Andando Pelas Ruas de Moscou foge da felicidade plena e sela num desfecho melancólico e um tanto solitário o destino de seus protagonistas. A representação metafórica de Kolya subindo a escada rolante e desaparecendo na parte superior da estação de trem diz muito mais do que se ele narrasse o final, ou discursasse a respeito de seu destino ou sobre o destino de seus amigos. Apenas a canção que não sai da nossa cabeça basta para finalizar o emocionante passeio de um dia e nos mostrar o quão rica e imprevisível pode ser a vida de qualquer pessoa.

Andando Pelas Ruas de Moscou (Ya Shagayu Po Moskve) – URSS, 1964
Direção: Georgi Daneliya
Roteiro: Gennadi Shpalikov
Elenco: Nikita Mikhalkov, Aleksei Loktev, Galina Polskikh, Evgeniy Steblov, Arina Alejnikova, Valentina Ananina, S. Besedina, Veronika Vasilyeva, Maria Vinogradova
Duração: 74 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.