Crítica | Animal Crossing: New Leaf

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estrelas 5,0

Lembro-me claramente de 2002, em uma edição da revista EGM li uma entrevista com Henry Hill, retratado em Os Bons Companheiros por Ray Liotta, na qual colocaram o ex-mafioso para jogar alguns games. Três jogos de crime foram escolhidos, GTA: Vice City, The Getaway e Hitman 2. Ironicamente, contudo, foi colocado um item extra, Animal Crossing, um game com animais felizes, onde você praticamente simula uma segunda vida – bem longe da violência dos anteriores. Este foi o preferido de Henry Hill.

Essa coisa…esse animal aqui, é o máximo que me fez conectar com um game. Julian, eu poderia jogar isso com sua mãe. Nos dá alguma coisa em comum. – Henry Hill, entrevista realizada pela EGM.

Animal Crossing: New Leaf traz os mesmos conceitos, jogabilidade e cenário de sua contraparte de 2002 e os aperfeiçoa. Mas do que se trata esse jogo, aparentemente, infantil? Com o avanço da indústria dos games, melhoria de gráficos, diferentes consoles, RPGs de horas e horas, às vezes acabamos esquecendo o objetivo principal: a diversão. New Leaf é basicamente isso, um jogo para você se divertir, sem compromissos. Nele somos um humano que acabou de se mudar para uma cidade por nós nomeada (através de uma série de diálogos em um trem, onde nos perguntam para onde vamos). Quando chegamos somos confundidos com o novo prefeito e logo nos tornamos o administrador dessa cidadezinha cujos moradores são todos animais.

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Tirando a liberdade de borboletas para colocá-las no Museu

Nem tudo, porém, são rosas, pois, estamos sem casa. Aproveitando essa oportunidade, o sábio empreendedor Tom Nook oferece construir-nos uma morada que podemos pagar depois. Quando a escolha de onde queremos que seja construída é feita, entramos em uma dívida considerável com o guaxinim (ótima escolha de animal por parte da Nintendo). Começa, então, nossa jornada para pagar o que devemos e, enquanto isso, pescar, caçar fósseis enterrados, conhecer moradores, decorar sua recém adquirida casa, etc. Há uma grande quantidade de coisas que podemos fazer e temos a total liberdade para tal. O game não obriga o jogador a fazer absolutamente nada – não há missões ou similares.

Então por que eu pagaria minha dívida a Nook? A partir do momento que pagamos a construção da casa, podemos expandi-la, voltando novamente a dever para o guaxinim. Posteriormente podemos ainda inserir novos cômodos que ampliam a possibilidade de customização de nossa morada, através da compra de mobília, papeis de parede e tapetes. O game ainda insere um npc que avalia nossa organização, dando algumas dicas de como melhorá-la.

Com todas essas atividades, Animal Crossing faz uso do relógio interno do Nintendo 3DS, trazendo uma experiência completamente em tempo real. Lojas, portanto, vão estar fechadas às 4h da manhã, mas, pode ser que, encontraremos alguns insetos específicos nesse horário. Além disso, as estações do ano influenciam diretamente o que veremos no game, seja a óbvia presença de neve ou não ou até peixes que só aparecem no verão. Com o passar dos dias e meses, novos estabelecimentos entram na área comercial da cidade, além de moradores indo embora e novos chegando em seu lugar, garantindo uma nítida sensação de dinamismo no jogo.

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Sim, você quem pesca esses daí

Não bastassem todos esses detalhes e atividades que já prendem o jogador desde os primeiros minutos, o game ainda faz um ótimo uso do wireless do 3DS, seja via internet ou local. Através dele podemos visitar as cidades de amigos ou trazer eles para a nossa. Como cada uma delas é gerada de forma aleatória com animais diferentes nunca iremos encontrar um lugar exatamente igual àquele onde moramos. Por mais colorido que seja, são elementos como esse que garantem a imersão do jogador, inserindo-nos em um mundo praticamente vivo.

Seja pelo seu colecionismo ou mania de organização, Animal Crossing: New Leaf é um game que irá prendê-lo por dias, meses ou até anos. Sua aparente falta do que fazer é transformada em uma dinâmica liberdade, que nos permite fazer exatamente o que queremos. É um jogo que podemos gastar de apenas alguns minutos até horas por dia. Existe um comprometimento inerente à administração da cidade, mas ele somente precisa ser levado a sério se o jogador assim quiser. Com isso, são necessários apenas alguns minutos para se entender por que Henry Hill se interessou tanto pelo game. Vale a pena conferir, seja adulto ou criança.

Animal Crossing: New Leaf
Desenvolvedora:
Nintendo
Lançamento: 09 de Junho de 2013
Gênero: Simulação
Disponível para: Nintendo 3DS

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.